terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Conversando sobre Arte entrevistado Danilo Ribeiro





Quem é Danilo Ribeiro?    
Nasci em 18 de junho de 1983, no Rio de Janeiro, onde vivo e trabalho. Costumo dizer que sou pintor. Acho-me, em relação a característica mais comum na produção da arte contemporânea, um caso diferenciado, pois, sou quase o que se poderia chamar de artista especialista, por trabalhar exclusivamente com desenho e pintura. Enquanto que o traço mais comum é um certo “transbordamento” que ocorre na produção da maioria dos artistas contemporâneos em que as fronteiras das tais “especialidades” são diluídas. Digo isso por nunca ter feito um trabalho com essas características, até agora, e não por afirmar que não farei.

Como a Arte entrou em sua vida?
Sempre gostei de desenhar, tinha certeza desde pequeno que trabalharia com desenho, seja ilustrando hq, com publicidade ou etc. Reconheço que é o mais comum, porém, sempre estranhei  as pessoas que não tinham certeza do que queriam fazer. Mesmo correndo o risco de soar piegas, sinto uma necessidade quase fisiológica de desenhar, é algo que não consigo ficar sem. Desde cedo, havia uma coisa que me intrigava. O fascínio que o quadro em si, como objeto, exercia sobre mim. Achava interessante, quando criança ,a aura mítica, que esse objeto possuía, seja em filmes, livros e claro na vida real. 

 
 Como foi sua formação artística?
Iniciei os estudos em desenho e pintura aos 13 anos de idade com o professor Marlon Silli que me levou, também, para o atelier do artista Lidio I Bandeira de Mello, onde estudei modelo vivo. Sou formado em Licenciatura em Artes no Instituto Metodista Bennett, onde tive aulas de história da arte com o professor Reginaldo da Rocha Leite. Posteriormente, orientado pelo critico e curador Fernando Cocchiarale, comecei a frequentar a Escola de Artes Visuais do Parque Laje, onde tive aula com os professores Pedro França, João Magalhães, Franz Manata, Anna Bella Geiger.

Como você descreve sua obra? 
Trabalho com pintura, no entanto, ao contrario de certa característica muito comum na produção pictórica atual, não gosto de trabalhar com apropriação de imagens, mesmo quando trabalho com referencias fotográficas, costumo usar registros feitos por mim. Quanto a questão temática, de um tempo para cá tenho criado séries que tem um clara inspiração em temas relacionados à juventude ou fenômenos culturais contemporâneos, como por exemplo, a incorporação das imagens de vídeo game ao nosso repertório visual.  Porém, a afinidade contemporânea esta mais ligada à temática do que ao processo técnico em si, que na verdade é até bem tradicional.

 

5 Que artistas influenciam seu pensamento?
As influencias são inúmeras, vários artistas de todas as épocas. Poderia citar de Lucian Freud até Mucha com seus cartazes de art nouveau e muitos outros, do proto-Renascimento e até anteriores (tenho até receio de citar apenas alguns e esquecer outros, porque são muitos mesmo!), meus professores e  artistas de outras áreas.  Às vezes penso a respeito até das influências inconscientes. Citei particularmente estes dois, pelo fato de poder ser observado nos meus quadros uma mudança a respeito disso. Em uma série ha uma clara ênfase na construção através do gestual e da pincelada, enquanto que numa série posterior a linha acaba ganhando uma importância maior, ha uma construção mais linear em certos elementos da pintura. Porém, sempre existirá a possibilidade de isso mudar novamente, já que, depois de um determinado tempo ou quantidade de trabalhos feitos, costumo mudar a maneira de pintar, de construir a forma. O que faço intencionalmente, como parte de um projeto maior, que é entender o quão elástico é o conceito do que se convencionou chamar de “estilo pessoal”.

É possível viver de Arte no Brasil? 
Existem casos de pessoas que tem conseguido, no entanto, vejo que não e fácil, tenho me esforçado e procurado uma maneira de conseguir. Ainda não conheço tão bem o funcionamento do mercado e os seus mecanismo. Porém, o fundamental para mim e conseguir articular as coisas de maneira que possa continuar sempre produzindo, independente de qual seja a minha fonte de renda. O importante é não parar o pensamento e a produção artística.

 

Você participa de sua primeira individual na galeria Arthur Fidalgo, o que representa para sua carreira?
O projeto da exposição Viagem Pitoresca ao Rio de Janeiro Contemporâneo – Volume I” já existia a sete anos. Foi uma grande oportunidade poder tê-la realizado na Artur Fidalgo Galeria, que me representa. Tive todo o apoio da galeria e sua equipe, que aceitou que eu tivesse um ano de antecedência para poder produzir as pinturas. A primeira individual tem um significado muito importante, ainda mais sendo em uma galeriamuito respeitada, pois confirma a crença e confiança de pessoas muito sérias no meu trabalho. Como artista estou acostumado a descrença das pessoas em relação a abraçar a pratica artística como profissão, o que é até clichê. E dentro da área é necessário provar a seriedade do que se propôs a fazer. Com a exposição sinto ter avançado no meu objetivo artístico/profissional.

Quando você passou a dizer, eu sou um artista?
É interessante esta pergunta, pois, na verdade, nunca me auto intitulei artista, como disse anteriormente, sempre me referi a mim mesmo como pintor, por poder afirmar diante do que produzo de que de fato se tratava de pintura. E até mesmo por certa vaidade diante do domínio técnico adquirido com o estudo e dedicação. A questão em si de se o que fazia é arte ou não, não foi algo que norteou a minha produção e os meus objetivos dentro dela, e sim o que pretendia fazer independente da categorização. Quanto a pertinência do trabalho diante das questões especificas da arte contemporânea, foi com o tempo e estudo que fui entendendo o porquê do que produzo poder ser classificado em tal categoria. Foram outros, e não eu, que me deram essa nomenclatura, pessoas as quais tenho a maior confiança e respeito. Porém, ainda sim temia que de certa forma o que havia produzido até ali pudesse ter sido um “acidente feliz”, de ter “esbarrado” em algo interessante e não produzido de maneira consciente algo bom, esse temor impulsionou a busca por conhecimento teórico  para posteriormente fazer um análise do que estava produzindo. 

 No entanto hoje é diferente, por diversas razões tornou-se fundamental o pensamento e produção inserida dentro das questões atuais, sendo que são os próprios artistas que elegem estas questões. Tendo que tornar as minhas em algo de pertinência para os outros.    

 
Qual a importância dos salões de arte?
Os Salões podem ser uma boa oportunidade para o artista iniciante, proporcionando o primeiro contato com a critica e com o público. Além de ser uma vitrine para a divulgação da obra. Posso afirmar no meu caso pessoal que a participação neles impulsionou esse meu inicio de carreira.    

 Qual o significado para um artista ser indicado para o Prêmio Pipa?
Por se tratar de um prêmio cuja participação é através da indicação de artistas e profissionais sérios e respeitados da área, enxergo isso como um reconhecimento da qualidade do meu trabalho. E além de ser de um dos prêmios mais importantes do país, proporciona uma grande visibilidade para o artista e sua obra. A divulgação feita pelo site é excepcional.

 
Considero a proposta do seu blog um ato de muita generosidade para com artistas como eu, por isso agradeço a oportunidade.

 


Flamenguista, 2012. 100x60 cm. Técnica mista sobre tela.




FPS Game, 2009. 75x100 cm. Acrílica sobre tela.




Funkeiro, 2012. 100x60 cm. Técnica mista sobre tela.





Natureza morta com meus cinco Video Games. 100x100 cm. Técnica mista sobre tela.




 Paisagem Urbana Noturna, 2012. 100x100 cm. Técnica mista sobre tela.




Pós Noitada, 2008. 110x110 cm.Acrílica sobre tela.



Sandbox Game.




Survival Horror Game, 2011. Acrílica sobre tela 105x140 cm.





Taxi por Fora, 2008. 110x110 cm. Acrílica sobre tela.
 

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Maurizio Cattelan

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