terça-feira, 30 de outubro de 2012

Conversando sobre Arte entrevistado Marcelo Tabach







Conheci Marcelo por intermédio de Nelson Leirner, participamos juntos de duas exposições na Galeria Anna Maria Niemeyer e no Instituto Tomie Otake Pude aprofundar uma relação de afeto e amizade com um grande artista e um ser humanao maior.

Marcelo, conte um pouco de sua história pessoal.
Nasci em 1963 no Rio de Janeiro. Desde pequeno gostava de ficar na janela vendo os vizinhos em seus apartamentos; com aquelas imagens criava pequenas histórias, emolduradas pela janela de cada cômodo. Ainda adolescente, fui trabalhar na loja do meu pai no SAARA (área de comércio popular no Centro do Rio) e na hora do almoço, me refugiava nos museus, galerias e lojinhas de equipamento fotográfico. Logo vi que o trabalho na loja não seria o meu projeto de vida.



E a arte? Como apareceu em sua vida?
Em 1984, fiz um curso de fotografia no SENAC, onde tive meu primeiro contato com o básico da fotografia, como revelar e ampliar em preto e branco. Depois fiz alguns cursos no MAM, mais voltados para a linguagem. Em 1986, numa viagem à Nova York, realizei meu primeiro trabalho, onde já podia ver um pouco dessa linguagem num conjunto de fotos; fotografei a cidade procurando mostrar uma relação da arquitetura gigante contrastando com nossa micro figura humana.



Como foi a sua formação artística?
Já iniciado na fotografia, interessei-me pelo desenho e pintura. Procurei a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e tive aulas com Orlando Mollica e Charles Watson. Mais adiante, fiz parte de um grupo de estudos com o Nelson Leirner, quando logo no primeiro dia me disse: "Todo mundo quer ser fotógrafo, trabalhar com a fotografia como suporte, e você, o único fotógrafo aqui, quer ser pintor?!?!". Estava pintando e fazendo umas peças com madeiras que catava nas praias; com a orientação dele, fiz uma série de fotos chamada “Sofia”. Comecei a ver a fotografia de uma forma diferente. Participei de diversas exposições, fotografando muito e em função disso, comecei a ter mais compromisso com os prazos. Meus trabalhos na Agência ZNZ, revista Veja, Jornal do Brasil, Jornal Q e na Editora Abril, como fotógrafo e editor de fotografia, me ajudaram a aprofundar uma experiência no fotojornalismo, nos retratos, nas histórias contadas através das fotos; me trouxeram também a oportunidade de viajar muito, ver diferentes culturas, ir aos museus e galerias, me aproximando cada vez mais da arte contemporânea.



Como você descreve seu trabalho?
Meu trabalho começou muito influenciado pelo fotojornalismo, achava que seria uma boa experiência passar pela redação de um jornal. E foi no Jornal do Brasil que, durante 2 anos e meio, experimentei de tudo: esporte, estúdio, polícia, retrato, economia, viagem, gastronomia, etc. Nesse tempo comecei a estudar História da Arte e meu trabalho foi mudando muito. Fiquei mais atento ao meu trabalho pessoal; começaram a surgir os temas e os conjuntos dos trabalhos: Ilusões Perdidas, Sofia, Vindos do Mar, O mundo de Luiza, Oriente Médio, entre outros. Com meu trabalho tento mostrar meus sentimentos, percepções, lembranças do meu mundo que não é só meu.


Que artistas inflenciam seu pensamento?
Minha primeira grande influência foi do fotógrafo Cássio  Vasconcellos. Eu fiquei tão impressionado com seu trabalho em uma exposição na Funarte, que fui à São Paulo conhecê-lo pessoalmente. Tornamo-nos amigos. No começo alguns fotógrafos clássicos como Kertész, Bresson, Elliott Erwitt foram importantes. Depois vieram o Abelardo Morell, Gursky, Hiroshi Sugimoto, Sophie Calle e por aí vai. Fora da fotografia, citaria Cézanne, Lucien Freud, Chuck Close, Louis Pons, Kitaj, Nelson Leirner, Farnese de Andrade e uma miscelânia de contemporâneos.


Além do estudo da arte, que outros estímulos são importantes no desenvolvimento de seu trabalho?
A literatura, a pintura, o cinema e o estudo do budismo são fontes de muita inspiração.


Quando você é fotógrafo e quando é artista?
Sempre. O artista não me larga, ele está presente o tempo todo, não tem como separar um do outro.


Fotografia em preto e branco ou colorida?
As cores já são um componente muito forte nas imagens. Na p/b você tem que usar mais a linguagem pura para tirar dela o máximo. Comecei com o p/b e com ele desenvolvi uma linguagem própria: acho que a cor, nesse começo, me distraía muito. Hoje não faço mais distinção, a foto tem que prender o olhar, intrigar, mexer com nossas emoções, trazer lembranças.


Fotografia com filme ou digital?
Tive muita resistência em mudar do analógico para o digital mas a fotografia digital veio para ficar. Ela facilitou muito o trabalho do fotógrafo em relação ao instantâneo e à reprodução. Hoje, já é mais difícil você encontrar alguém para ampliar os negativos, você tem que digitalizar e aí sim ampliar. A digital pula esse processo.


Uma foto da Cindy Sherman foi vendida, em um leilão, por US$ 3800 00, o que você pensa sobre isso?
Acho muito bom! A fotografia ganhou muita credibilidade no meio das artes. Tenho pensado sobre o nosso mercado e fico perplexo com a quantidade de panelinhas. Elas existem em todos lugares mas aqui é demais. Uma exposição com o curador vai mostrar sua coleção de panelas, os mesmos artistas de sempre, é muito previsível e limitado. Acho isso muito ruim para o público que vê sempre as mesmas coisas. Tive uma experiência desse tipo: tenho um trabalho chamado “Ilusões Perdidas” com bonecas no lixo. Encontrei muita dificuldade de expô-lo aqui. Fui apresentado à uma curadora francesa que estava montando uma grande exposição em Paris com o tema de bonecas. Mostrei 37 fotos desse trabalho e ela levou todas na hora, se desculpando que não poderia incluir-me no catálogo que já estava pronto; participaram dessa exposição Sarah Moon, Hans Bellmer, Miguel Amate e a própria Cindy Sherman, entre outros.



Marcelo, você tem um rico currículo e vinha participando de várias exposições, mas nos dois últimos anos você se afastou dessas atividades, o que aconteceu?
Coincidiu com o nascimento de minha filha. Procurei estar mais perto dela e não me arrependo; o famoso “aproveita que passa rápido” tem sido aproveitado e me trazido muitas alegrias. Nesse período fotografei muito e, certamente terei um trabalho para uma mostra futura. Mas não deixei de criar outros trabalhos, só que não expus ainda.



Quais são seus planos futuros?
Retomar meu caminho nas artes, expor mais. Estou começando por uma revisão do que foi produzido até aqui, editando e ampliando os trabalhos que são mais fortes. Tenho uma série de fotos feitas com o celular que tenho curtido muito fazer. Estou de volta!








Lixo.






Lixo






 Mundo de Luiza.







Mundo de Luiza.






Oriente Médio.






 Oriente Médio.








 Oriente Médio.







Guggenheim









Trilho







Sofia.







Sofia.








Vindos do Mar.







Vindos do Mar.







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Maurizio Cattelan

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