Arthur, conte
algo sobre sua história pessoal.
Nasci no Rio de Janeiro em
1984 e sou o mais velho dos meus irmãos. Minha família é cearense por parte da
minha mãe e alemã e suíça por parte do meu pai. Por causa disso freqüentei
escolas alemãs no Rio até a oitava série quando mudei para o Cefet, uma escola
de ensino técnico. Completei o segundo grau lá. Prestei vestibular e fui
estudar em Minas Gerais na Escola de Belas Artes da UFMG. No meio do curso
surgiu a oportunidade de estudar na Bauhaus-Universität e como eu sabia alemão,
fui. Fiquei lá um pouco mais de um ano e voltei. Formei-me na UFMG. Depois de
formado continuei morando em BH por mais um ano. Nesse período criei junto com
dois amigos de faculdade, Daniel Hazan e Leandro Figueiredo, o Grupo de Pintura
Coletiva Bastardo. Grupo no qual pintamos juntos e o resultado final pertence
ao quarto componente, chamado de Bastardo, que não existe de verdade. Depois
disso voltei para o Rio onde estou morando até hoje.
Como a Arte
entrou em sua vida?
Lembro-me
que foi muito cedo. Lá em casa tinha uma reprodução de um quadro do Vermeer. Um
dia minha avó paterna me disse que aquilo era uma foto de um quadro e não só
uma foto. Fiquei embasbacado, como um ser humano conseguia fazer aquilo com
tinta? Como ele sabia fazer as sombras? Perguntava para os meus pais e eles não
sabiam responder. Isso foi crescendo dentro de mim. Por sorte essa mesma avó
costumava pintar, o que me levou a esse caminho.
Como foi sua
formação artística?
Quando
era mais novo fiz cursos de escultura com José Luiz Ribeiro e cursos de desenho
e pintura com outros artistas.Depois, como disse antes, me formei na UFMG tendo
passado um ano na Bauhaus. Na volta, fui estudar na Escola de Artes Visuais do Parque Lage com o João
Magalhães, o que também foi ótimo. Em fim, acho que minha formação não foi ela
ainda é. Afinal, acho que um bom profissional independente da área deve sempre
estar procurando formação e informação.
Como você
descreve sua obra e que meios utiliza para construí-la?
Acho que é muita pretensão
achar que eu tenho uma obra. Pra mim obra passa uma idéia de algo fechado e
pronto. Quase como se o artista estivesse morto. No meu trabalho tento abordar
questões que estão além da pintura, abordando assuntos que influenciam a minha
vida. Faço isso, porque acredito que o mundo já está cheio de pinturas muito
boas, excelentes, e me pergunto se só as questões da pintura seriam
suficientes. Para o que eu estou fazendo acho que não. Claro que elas são super
importantes pra passar o que eu desejo, criando metáforas visuais através de
narrativas. Em meus trabalhos mais recentes tenho pintado figuras e objetos em
tamanho real, o que tem gerado um aspecto mais teatral e dramático para as
cenas criando narrativas que não se fecham.
Tento trazer para minhas pinturas elementos ou objetos que raramente são
vistos juntos gerando imagens que são improváveis. Me sinto muitas vezes como
um editor de filmes que junta as partes para gerar um todo, que pelo menos para
mim faz sentido.
Em meu processo, saio às
ruas em busca de qualquer coisa pra desenhar que eu considere que são minhas ou
que pertencem ao meu universo criativo. Tenho milhares de desenhos que
coleciono em caderninhos. Esses desenhos servem de base para a minha pintura.
Não uso fotografias, algo que é muito popular hoje, pois acredito que essa é a
melhor forma de se mentir com veracidade. O desenho tem pra mim algo de
verdadeiro. É algo que é trazido pela própria existência desse meio.Costumo usar tinta acrílica,
porque ela seca mai rápido e como eu tenho a necessidade de ver o trabalho
pronto, encontrei nesse material o meio ideal para mim.
Que artistas
influenciam seu pensamento?
Muitos.
Para citar alguns lá vai: Matthias
Weischer, Peter Doig, David Schnell, Daniel Richter, Jonathan Meese, Georg
Baselitz, Marlene Dumas, Leo Brizola, Terry Winter, Tim Eitel, Luiz Zerbini,
Chantal Joffe, Elisabeth Peyton, Wim Delvoye, John Currin, Eric Fischl, Neo
Rausch, Jenny Saville, Henry Darger, Paula Rego, Dexter Dahlwood, Alex Katz,
David Hockney, Dana Schutz, Anselm Kiefer, Leon Golub, Lucian Freud, João
Magalhães, Liz Bachhuber, Jonas Burgert, José Celso Martinez, Rembrandt, Franz
Hals, Bosch, Bruegel, Goya, Gauguin, Otto Dix, Veronese, Velazquez, Pedro
Américo, entre outros.
Além do estudo
de arte, que outras influências entram em sua obra?
Ver como as pessoas agem umas com as outras, minha família, cinema, teatro e literatura.
Ver como as pessoas agem umas com as outras, minha família, cinema, teatro e literatura.
Você foi
selecionado para os Novíssimos de IBEU, o que significa para sua carreira?
Ainda
não sei. Terei certeza quando a exposição acabar. De qualquer forma era algo
que eu queria e que agora está acontecendo e isso me deixa feliz.
É possível viver
de Arte no Brasil?
Acho
que sim, tenho conseguido isso nos últimos tempos, mas por o que observo a
maioria das pessoas que vivem de arte no Brasil não são artistas, elas são galeristas,
curadores, alguns colecionadores e pessoas que prestam serviços como de fotografia
de arte, moldura, chassis, montadores de exposições, seguradoras e transportadoras
de obras de arte. Acho que faltam leis no Brasil que regulem o mercado de arte
e que protejam os artistas e suas obras.
O que é
necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Primeiro
é necessário ter um conjunto de trabalhos ou série, depois achar uma galeria que
tenha um perfil semelhante ao do seu trabalho ou aonde você se sinta
confortável. Mostre o seu trabalho para o dono da galeria. Por mais recomendado
que você venha a ser, é ele ou ela quem vai decidir se você entra ou não.
Qual sua avaliação
sobre os Salões de Arte, alguma sugestão para aprimorá-los.
Eles são fundamentais para trazer novos nomes. Seria interessante ter mais salões de relevância e espaços institucionais acessíveis através de editais no Rio de Janeiro.
Eles são fundamentais para trazer novos nomes. Seria interessante ter mais salões de relevância e espaços institucionais acessíveis através de editais no Rio de Janeiro.






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