quinta-feira, 19 de julho de 2012

Conversando sobre Arte entrevistado Arthur C. Arnold






Arthur, conte algo sobre sua história pessoal.    
Nasci no Rio de Janeiro em 1984 e sou o mais velho dos meus irmãos. Minha família é cearense por parte da minha mãe e alemã e suíça por parte do meu pai. Por causa disso freqüentei escolas alemãs no Rio até a oitava série quando mudei para o Cefet, uma escola de ensino técnico. Completei o segundo grau lá. Prestei vestibular e fui estudar em Minas Gerais na Escola de Belas Artes da UFMG. No meio do curso surgiu a oportunidade de estudar na Bauhaus-Universität e como eu sabia alemão, fui. Fiquei lá um pouco mais de um ano e voltei. Formei-me na UFMG. Depois de formado continuei morando em BH por mais um ano. Nesse período criei junto com dois amigos de faculdade, Daniel Hazan e Leandro Figueiredo, o Grupo de Pintura Coletiva Bastardo. Grupo no qual pintamos juntos e o resultado final pertence ao quarto componente, chamado de Bastardo, que não existe de verdade. Depois disso voltei para o Rio onde estou morando até hoje.

Como a Arte entrou em sua vida?
Lembro-me que foi muito cedo. Lá em casa tinha uma reprodução de um quadro do Vermeer. Um dia minha avó paterna me disse que aquilo era uma foto de um quadro e não só uma foto. Fiquei embasbacado, como um ser humano conseguia fazer aquilo com tinta? Como ele sabia fazer as sombras? Perguntava para os meus pais e eles não sabiam responder. Isso foi crescendo dentro de mim. Por sorte essa mesma avó costumava pintar, o que me levou a esse caminho. 

Como foi sua formação artística? 

Quando era mais novo fiz cursos de escultura com José Luiz Ribeiro e cursos de desenho e pintura com outros artistas.Depois, como disse antes, me formei na UFMG tendo passado um ano na Bauhaus. Na volta, fui estudar na Escola de Artes Visuais do Parque Lage com o João Magalhães, o que também foi ótimo. Em fim, acho que minha formação não foi ela ainda é. Afinal, acho que um bom profissional independente da área deve sempre estar procurando formação e informação.

Como você descreve sua obra e que meios utiliza para construí-la?

Acho que é muita pretensão achar que eu tenho uma obra. Pra mim obra passa uma idéia de algo fechado e pronto. Quase como se o artista estivesse morto. No meu trabalho tento abordar questões que estão além da pintura, abordando assuntos que influenciam a minha vida. Faço isso, porque acredito que o mundo já está cheio de pinturas muito boas, excelentes, e me pergunto se só as questões da pintura seriam suficientes. Para o que eu estou fazendo acho que não. Claro que elas são super importantes pra passar o que eu desejo, criando metáforas visuais através de narrativas. Em meus trabalhos mais recentes tenho pintado figuras e objetos em tamanho real, o que tem gerado um aspecto mais teatral e dramático para as cenas criando narrativas que não se fecham.  Tento trazer para minhas pinturas elementos ou objetos que raramente são vistos juntos gerando imagens que são improváveis. Me sinto muitas vezes como um editor de filmes que junta as partes para gerar um todo, que pelo menos para mim faz sentido.
Em meu processo, saio às ruas em busca de qualquer coisa pra desenhar que eu considere que são minhas ou que pertencem ao meu universo criativo. Tenho milhares de desenhos que coleciono em caderninhos. Esses desenhos servem de base para a minha pintura. Não uso fotografias, algo que é muito popular hoje, pois acredito que essa é a melhor forma de se mentir com veracidade. O desenho tem pra mim algo de verdadeiro. É algo que é trazido pela própria existência desse meio.Costumo usar tinta acrílica, porque ela seca mai rápido e como eu tenho a necessidade de ver o trabalho pronto, encontrei nesse material o meio ideal para mim.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Muitos. Para citar alguns lá vai: Matthias Weischer, Peter Doig, David Schnell, Daniel Richter, Jonathan Meese, Georg Baselitz, Marlene Dumas, Leo Brizola, Terry Winter, Tim Eitel, Luiz Zerbini, Chantal Joffe, Elisabeth Peyton, Wim Delvoye, John Currin, Eric Fischl, Neo Rausch, Jenny Saville, Henry Darger, Paula Rego, Dexter Dahlwood, Alex Katz, David Hockney, Dana Schutz, Anselm Kiefer, Leon Golub, Lucian Freud, João Magalhães, Liz Bachhuber, Jonas Burgert, José Celso Martinez, Rembrandt, Franz Hals, Bosch, Bruegel, Goya, Gauguin, Otto Dix, Veronese, Velazquez, Pedro Américo, entre outros.



Além do estudo de arte, que outras influências entram em sua obra?
Ver como as pessoas agem umas com as outras, minha família, cinema, teatro e literatura.

Você foi selecionado para os Novíssimos de IBEU, o que significa para sua carreira?
Ainda não sei. Terei certeza quando a exposição acabar. De qualquer forma era algo que eu queria e que agora está acontecendo e isso me deixa feliz.

É possível viver de Arte no Brasil?
Acho que sim, tenho conseguido isso nos últimos tempos, mas por o que observo a maioria das pessoas que vivem de arte no Brasil não são artistas, elas são galeristas, curadores, alguns colecionadores e pessoas que prestam serviços como de fotografia de arte, moldura, chassis, montadores de exposições, seguradoras e transportadoras de obras de arte. Acho que faltam leis no Brasil que regulem o mercado de arte e que protejam os artistas e suas obras.  

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Primeiro é necessário ter um conjunto de trabalhos ou série, depois achar uma galeria que tenha um perfil semelhante ao do seu trabalho ou aonde você se sinta confortável. Mostre o seu trabalho para o dono da galeria. Por mais recomendado que você venha a ser, é ele ou ela quem vai decidir se você entra ou não.   

Qual sua avaliação sobre os Salões de Arte, alguma sugestão para aprimorá-los.
Eles são fundamentais para trazer novos nomes. Seria interessante ter mais salões de relevância e espaços institucionais acessíveis através de editais no Rio de Janeiro.










Jantar em Família.




Who Let the Dog Out






Made in Germany





Mary and John





Art and Life with Filé Chateaubriand




A Morte do Lúdico




Abdução dos Dólares





Gente Gera Gente




Papai não Sou mais Virgem





IBEU Novíssimos







Mary and John no Salão Novíssimos, IBEU, 2012.





IBEU Novíssimos, 2012.








Abre Alas, 2012.












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