Quem é Ricardo Simões?
Ricardo é um cara
cuja a única saída é a arte... Um maluco beleza desses por aí... Nasci para
isso, e suponho que porque seja uma profissão livre, de inteligência, de
pensamento, cerebral mais que tudo.. Um cara com vocação para elevações
espirituais, ateu, que passa longe, muito longe, de qualquer domesticidade. Ao
meu ver, o artista plástico é um tipo de gente que pode ler desde teoria
quântica de Max Born, mesmo sem as equações, até uma teoria estética de Adorno
numa boa, em várias línguas, ou uma peça de Bernard Shaw e ainda ter massa
encefálica para mais coisas...Se eu pudesse ter feito alguma outra coisa na
vida, talvez tivesse feito também.. Mas eu não podia, só tinha isso... Mais
tarde eu aprendi que sou ambicioso... Ou seja, uma puta tardia...
Qual foi sua formação
artística?
Comecei num
atelier de desenho em Copa do Paulo Ferraz, fiquei uns meses, mas trago isso de
cada. Meu pai foi desenhista e pintor, antes dele meu avô ( que tinha uma
modesta coleção de arte, quadros Italianos de luar, de dois ou tres séculos e
umas pinturas hyperrealista) e junto dele meu tio Fernando S Vieira, que tinha
inclusive algumas pinturas moderna, geométricas do Zaluar
Minha formação principal foi no MAM-RJ, onde estudei por trs anos, na maioria dos dias entrando as 8 da manhã e saindo as dez da noite, de modos que estudei com muita gente, Desde o Eneas Valle até a Marcia Hotstein, Eduardo Sued e tantos..
mas quem marcou foram o Walter Marques, o Gianguido Bonfantti, o Zé Maria Dias da Cruz, e depois no Parque Lage, O Charles Watson.. Com o Bonfanti, fiz uns três anos de modelo vivo, depois composição.. Com Zé Maria me comunico bastante até hoje, e aprendi demais com ele o pensamento organizado, conceitual e erudito, especialmente sobre cores e quando estudei rapidamente com o Milton Machado em Londres, não havia lei de física que me surpreendesse.. Charles Watson foi digamos, o glacê fina, o acabamento criativo, a engenharia.. Fiz muitos cursos por aí afora, na realidade nunca parei de estudar e faculdade por exemplo, de web design, eu fiz com 39 anos, e antes 3D Max para cinema que me serve até hoje para os meus projetos e trabalhos.. Estudar renova..
Minha formação principal foi no MAM-RJ, onde estudei por trs anos, na maioria dos dias entrando as 8 da manhã e saindo as dez da noite, de modos que estudei com muita gente, Desde o Eneas Valle até a Marcia Hotstein, Eduardo Sued e tantos..
mas quem marcou foram o Walter Marques, o Gianguido Bonfantti, o Zé Maria Dias da Cruz, e depois no Parque Lage, O Charles Watson.. Com o Bonfanti, fiz uns três anos de modelo vivo, depois composição.. Com Zé Maria me comunico bastante até hoje, e aprendi demais com ele o pensamento organizado, conceitual e erudito, especialmente sobre cores e quando estudei rapidamente com o Milton Machado em Londres, não havia lei de física que me surpreendesse.. Charles Watson foi digamos, o glacê fina, o acabamento criativo, a engenharia.. Fiz muitos cursos por aí afora, na realidade nunca parei de estudar e faculdade por exemplo, de web design, eu fiz com 39 anos, e antes 3D Max para cinema que me serve até hoje para os meus projetos e trabalhos.. Estudar renova..
Que artistas influenciam o
seu pensamento?
Da Vinci, Michelângeo, Van Gogh, Kandinsky,
De Kooning, Keith Haring, Jorginho Guinle, Palatinick teoricamente falando...
Como você descreve sua
obra?
Pela orquestralidade, por exemplo, no caso
da pintura...
As vezes alguém me perguntava, se a arte não voltaria a ser assim ou assado, e eu penso: como pode voltar uma coisa que não foi embora?
Meu trabalho tem muito de renascentista, tem muito do modernismo, especialmente N. Americano, elementos da má pintura, grafismo, action, e de uma atitude conceitual, que envolve os elementos como um todo, por exemplo, cromaticidade, e materialidade que são mais importantes que a forma geral, pretextual da figura.. Ou seja, tem uma engenharia conceitual muito forte, abstrata, mas o que aparece é a figura.. Na performance a mesma coisa.. Talvez este seja o fio..Tem uma coisa de ‘see through’, que eu transformo na própria coisa que era visto atrás de uma coisa virtual, transparente e por tanto na mesma superfície...
As vezes alguém me perguntava, se a arte não voltaria a ser assim ou assado, e eu penso: como pode voltar uma coisa que não foi embora?
Meu trabalho tem muito de renascentista, tem muito do modernismo, especialmente N. Americano, elementos da má pintura, grafismo, action, e de uma atitude conceitual, que envolve os elementos como um todo, por exemplo, cromaticidade, e materialidade que são mais importantes que a forma geral, pretextual da figura.. Ou seja, tem uma engenharia conceitual muito forte, abstrata, mas o que aparece é a figura.. Na performance a mesma coisa.. Talvez este seja o fio..Tem uma coisa de ‘see through’, que eu transformo na própria coisa que era visto atrás de uma coisa virtual, transparente e por tanto na mesma superfície...
Depois que eu coloco um elemento, não o
modifico mais. Só coloco na pintura qualquer elemento por uma intuição
confirmada por uma certeza emocional. As coisas não se tocam, e faz parte da
minha visão de mundo. Respeito a individualidade, ao extremo, no todo.
Não vejo como um trabalho comercial, pelas horas que tomam para se fazerem, meses, trabalhando todos os dias, numa profusão de detalhes.
Nos vídeos a mesma coisa. As edições que eu tenho feito, não se importam muito com qualquer espécie de fio literário, mas obedecem a um conceito, de timing de passagens de imagens (ritmo). O conteúdo ou assunto, fica tranquilamente em último plano de importância, priorizando as cores, o tempo dos intervalos das imagens. Nem o som falado é importante, e pode ficar sem nenhum nexo ou descontextualizado.
Não vejo como um trabalho comercial, pelas horas que tomam para se fazerem, meses, trabalhando todos os dias, numa profusão de detalhes.
Nos vídeos a mesma coisa. As edições que eu tenho feito, não se importam muito com qualquer espécie de fio literário, mas obedecem a um conceito, de timing de passagens de imagens (ritmo). O conteúdo ou assunto, fica tranquilamente em último plano de importância, priorizando as cores, o tempo dos intervalos das imagens. Nem o som falado é importante, e pode ficar sem nenhum nexo ou descontextualizado.
Muito conceito de física, de comprimento de
onda e físico-fisiológicos em relação aos tempos de leitura..
Na realidade existe um fio que permeia a
obra e meu trabalho tem uma poética de romantismo, expressionista, e tudo vai
nessa linha.. É de certa forma independente de mim, eu não faço fake, mas
costumo descobrir elementos, e aí sim, aplicar essas descobertas e criar uma
coerência conceitual entre tudo.
Por exemplo, minha última apresentação no
palco, eu acabei fazendo um vídeo que tinha a ver com pedaços a noite e de dia,
então como editei em rough cuts, ficaram pedaços preto e branco, e a partir daí
comecei a explorar tanto no vídeo como no cenário, preto e branco... As
instalações são mito românticas, falam de amor que é de onde se origina a arte
no meu caso... Se você notar as figuras são safadinhas, em poses de gôzo, nas
pinturas, de quatro...
Como foi sua experiência
como curador?
Já na escola, no bloco escola do MAM, havia quem me dissesse
que eu tinha os dois caminhos: tanto de crítico como de artista.. Deve ser
verdade, porque por duas vezes fui assistente de turma, por ter o dom de
conhecer e me interessar por teoria... A segunda vez foi na Escola de Artes Visuais do Parque
Lage...
Ganhei uma experiência enorme. Aprendi a lidar com arquitetos,
eletricistas, marceneiros, modificar plantas de galerias, sempre fui
extremamente exigente e detalhista.. Se preciso mudava e mudava de novo..
Estudei iluminação, passei a entender no inconsciente como colocar trabalhos por
analogia e disanalogia, comecei a conseguir realmente reger uma exposição em
todos os detalhes, tanto coletiva como individual.. Me valho também da
possibilidade de criar os ambientes em 3D e estudar o espaço.. É estressante,
sempre saí doente desses eventos, as vezes tem que trabalhar 16 a 18 horas por
dia e algumas outras nem dormir... Mas consegui colocar 8 artistas em 16m², com
uma visão individual de um para outro, grandes formatos, por duas vezes, na
Laura Alvim. E fiz algumas de centenas de m² como foi no CREA, onde aprendi
também sobre assessoria de imprensa... E não tem essa de intelectual ou não..
Muitas vezes tem que por a mão na massa.. Hoje em dia virou coisa meio
ultrapassada a profissão.. Há quem tenha conhecimento quase nenhum, mas conhece
meia dúzia de pessoas, arruma espaço para ser ‘curador(a)’ de algum troço o que
me parece nojento
Eu tenho viajado muito pouco, tenho ficado
no eixo apenas, meio que deixei de lado o foco das viagens.. Mas como todo mundo
viaja toda hora, me trazem muito material e eu compro muito livro, tipo tem uns
anos eu contei, e só de arte eu tinha mais de 400 livros, uns inclusive
colecionáveis... Eu tenho facilidade pra pensar então leio muito, passo o dia na
Internet lendo, visito tudo que é galeria que me seja possível .. Tem uma coisa
também.. Depois que você viaja bastante, passa conhecer intimamente a ‘coisa’ e
o caminho por onde elas talvez vão, nada impressiona muito.. As bienais, por
exemplo, têm em geral muito bom material, e são importantes... O barato são as
idéias depois de ver e estudar, e para isso precisa de tempo para andar por aí
fazendo nada... O que é ótimo
Tomara viu, que depois desses anos todos de investimento retorne um tanto, porque tem sido bem difícil...
Se a pessoa corre atrás que nem uma louca,
dando aula daqui dali, fazendo projetos para amigos, escreve textos daqui dali,
então ajuda, mas cadê o seu próprio trabalho?
É muito de má contrariedade, porque tem
tanta gente com talento e o mundo se vira para um sistema que obriga as pessoas
a fazerem o que elas na realidade nem gostam muito, e elas aceitam.. A primeira
coisa é que colocam o talento de lado pelo brilho falso da rotina
remunerada... Eu dei muita sorte na parceria com a Marina
Mirner, uma artista para quem eu trabalho, tem uns quinze anos, e outras
parcerias que me ajudam muito..
Eu vender o meu trabalho foi um trauma, era
muito brotinho, o trabalho, na época do prêmio do MAM, tomei ojeriza de
‘mercado’ de arte, tipo quando tiram uma criança da mãe, recém nascida.. Era um
processo em desenvolvimento e mágica não é fácil de fazer... Era um mrchand
incompatível... Isso passou, demorou mas passou e as vezes
vendo uma coisa ou outra, mas como eu disse, um trabalho que precisa de meses
fazendo, com tinta importada inclusive, formatos médios para grandes, ou que tem
outros investimentos...
O Pedro Paulo, que me presta serviços como
assistente e que é um amigão, me ajuda artisticamente, e em tudo que é coisa
ligada a arte, porque ele gosta desse mundo e sem ele do jeito que ele é teria
sido muito mais difícil.. Ele se recusa a mexer nos quadros..
Hoje vou dar aula, particular, agora só
particulares, e daí, tiro um pouquinho do pagamento dele,.. Em um mês de aula,
quatro aulas, eu tiro tinta importada pra um trabalho.. Quase dois
quilos. Faço web design também e rolam uns
servicinhos vez por outra
São os produtos
da performance.. Fotos, instalações, vídeos, trajes confeccionados por mim,
palestras depois... O que é controverso, porque a performance em si, a coisa
mesmo só se alguém contratar, mas aí, fora do contexto, será arte? No meu caso
não seria possível. Não vejo ainda como vender performance além dos produtos
gerados a partir dela
O que é o
Grupola?
A gente da o amor que recebe. Isso foi o que
me levou a criar o Grupola, ou L A Group.. Eu dava aula na Laura Alvim, mas
nunca fui o tipo de pessoa de criar relações verticais com nada, então se
entrava para minha turma, é primeiro, porque gostava, quase óbvio, e depois se
tinha talento e vocação, o que nem são fatores totalmente determinantes, e
comecei a orientação conceitual de arte contemporânea, os trabalhos começaram a
ficar bons, e na época do MAM, tinha um sistema de uma major exihibition,
parecido com o que fazem nas escolas de arte Londrinas, mas aqui, importantes
mesmo. Partindo daí, comecei a procurar espaços, a família da Mariana Carneiro
me ajudou no começo e eu deslanchei.. As exposições começaram a ficar cada vez
mais sofisticadas e culminou com apresentações muito chiques, festas imensas,
com sistema de iluminação próprio, e totalmente multimídia, com dança, djs, até
performance de esportes como arte e divulgação forte incluindo estandartes pela
zona sul e centro. Fiz até 2010, mas o agravamento da derrocada do setor
cultural com as mudanças políticas a partir de 2002 culminaram num bloqueio
grave nessa área. Sempre tive patrocínio particular e nunca recorri a lei para
essas produções. Embora tenha tentado...
Qual é sua avalição da arte
digital?
Mais uma mídia, tão boa quanto
qualquer outra e que sugere a discussão do Tânatus em arte, como foi com a
fotografia a mesma coisa com prints, ou arte para ser printable.. Existem
modificações possíveis, como aplicação de infra vermelho na impressora, mas não
a fenomenologia de Midas. Pode mesmo ser romântica ou expressionista (de
aspecto), até aí como a gravura..
Quanto aos softers, estes sim.
Modificadores, editores e criadores de imagem, mas o que interessa é para o que
se prestam e como se prestam, então a teoria de arte como matéria em si. Efeitos
e coisas que o ‘softer faz’ descontextualizados da proposta não querem dizer
absolutamente nada. Eu em particular masterizo toda a suite Corel, parte da Suite
Adobe, incluindo o Premiere Pro, além de Flash e 3D Max...Vídeo é uma
das minhas ambições. A minha última performance pode virar curta. Em
conversação..
Quais são seus planos para o futuro?
O que eu quero agora é arrumar um galpão bem grande e fazer uma senhora de uma festa enorme e muito louca para expor o meu trabalho, com tudo o que eu venho aprendendo, que mostre bem como eu vejo o trabalho, e daí curado montado e iluminado sob a minha égide... Um début de como eu me vejo.. Esse é o sonho
Eu estou trabalhando simultâneamente em dois projetos de instalações e um objeto mecânico-romântico.
Salvem as Baleias. 1,60x1,30 m. Acrílico sobre tela pigmentada.
Projeto digital para pintura de Marina Mirner, depois transformado em têmpera sobre tela.
Desenho. Tinta China sobre papel de algodão. Anos 90.
Alúcinon Xq leguei Q Lixê. 1,94x1,30 m. Acrílico metálico sobre lona pigmentada.
Orientação conceitual, curadoria, montagem, iluminação, assessoria e concepção gráfica. Espaço CEDIM.
Pink Schock. Pig Show _ Chegada à galeria. Performance. Dança e equilíbrio com a bandeja, de onde são oferecidas, às mulheres, tres tipos de imagens imaginativas, a escolha, segundo à pergunta: Hypperrealista, Análoga ou Abstrata. O pacote hyperrealista contém uma calcinha, tudo muito bem protegido e higiênico e dentro dele uns moluscos frescos cozidos. A Análoga contém doce de mamão e a Abstrata uma cruz de chocolate.
Perfódeo. Vídeo Instalação. Em enorme caixa eu recebo as pessoas e, elas escolhem uma cor para luz da filmagem, assim eu consigo esse resultado. As mãos de Marion Winograd. Ficou bastante abstrato.









3 comentários:
ótima entrevista!
Amei a entrevista! Saber mais sobre a trajetória de Ricardo é surpreendente! Quanto folêgo! Quanta imaginação, dedicação, simplicidade!
Estou agora ansiosa pela festa/arte!
Merece um livro, já falei antes!
entrevista genial, trepidante, da pra sentir o pulso do artista
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