Jairo é um intelectual e cientista, cursou o doutorado e tornou-se pesquisador da Universidade de Módena, Itália. Com esse perfil, ele procura uma integração entre arte e ciência. Obrigado Jairo.
Jairo, fale algo sobre sua vida
pessoal.
Nasci em uma pequena cidade no Sul do Estado de Santa
Catarina, Jacinto Machado. Desde pequeno sempre tive contato direto com a
natureza: plantas, animais, rios,
montanhas... fui a Florianópolis onde me graduei em Geografia física, depois
cursei Mestrado também em Geografia Física sobre o tema dos desastres naturais.
Ali comecei a perceber o quanto somos efêmeros diante dos processos da
natureza.
Como você concilia sua vida
profissional com a de artista?
Não vejo muita
diferença, os conceitos são sempre os mesmos.
Como a Arte entrou em sua vida?
Desde pequeno sempre
tive uma predisposição às atividades artísticas, mas nunca fiz estudos, cursos sobre arte ou técnicas
artísticas. Iniciei a expor quando vim para a Itália quando, casualmente, um
curador notou meu trabalho.
Como foi sua formação artística?
Foi lendo,
conversando com artistas, estudando muito. Arte é muito trabalho, daqueles
duros. Se realmente houver o desejo de expor um conceito, uma ideia, por traz
tem que haver muito trabalho, principalmente na arte contemporânea onde existe
espaço para muitos tipos de expressões artísticas.
Além do estudo sobre Arte o que
ajuda em seus trabalhos?
O que me ajuda
muito é a minha formação acadêmica científica, pois uso os mesmos conceitos que
estudei, principalmente a relação homem/ambiente ou natureza.
Que artistas influenciam seu
pensamento?
Sempre gostei
dos trabalhos de Burle Marx, como também dos trabalhos dos naturalistas do período
que vai de 1700 a início de 1900, dentre eles Von Martius.
De Burle Marx
admiro o percurso que ele fez. Tenho ele como referência principal. Porém mais
que influenciarem meu pensamento, eles me deram coragem de enfrentar o mundo
das artes usando técnicas não convencionais. Atualmente o trabalho (filme) de
Terrence Malick “The tree of life” me ajudou a compreender melhor a questão
temporal e confirmar a efemeridade do ser humano e a não reconciliação entre
tempo histórico e aquele geológico da natureza.
Como você descreve sua obra?
É sempre
difícil descrever algo que você realiza sem usar a escrita. Como mencionei
anteriormente, tento colocar em evidência a efemeridade do ser humano diante da
grandiosidade da natureza.
Como técnica,
uso somente sementes, principalmente grãos de plantas leguminosas (feijões).
Nos meus últimos
trabalhos, “Serie Botânica”, inicio com expedições de campo, identificando as espécies,
catalogando, anotando na caderneta e fotografando-as. O passo seguinte é
representá-las sobre uma tela. Antes disso, a tela é preparada com diversas demãos
de base branca e acrílico. Após a secagem, inicio, sem nenhum desenho
preparatório, a colar as sementes. Nesta passagem, tenho em mente todas as
características da árvore principalmente o seu porte. Terminada, o que eu chamo
de tábua (ilustração) botânica, começo a colocar os pequenos homenzinhos.
Gosto muito do
texto que foi escrito sobre a minha pesquisa artistica e que foi apresentado na
Bienal de Veneza. Ele descreve muito bem o meu trabalho:
“A primeira razão da poesia de Wordsworth é
aquela, celebre, das emoções lembradas em tranquilidade «emotions
recollected in tranquillity »: emoções procuradas, desejadas por uma
necessidade íntima. As sensações são recebidas através de uma aventura do espírito, isto é, o
contato sem mediações, ímpar e impetuoso com a natureza e seus elementos, em seguida, as emoções recolhidas são
desdobradas em uma perfeita solidão, descontraídas com paixão, decodificadas e
colocadas em ordem, tanto quanto possa ser possível a um clima romântico.
A criação
é dividida em dois momentos: o primeiro é expor-se ao ataque, ao poder
da natureza e as suas misteriosas simetrias, o segundo é retirar-se; há a passagem do limite e existe uma vontade
de lembrá-la, traduzindo-a em um
significado de amizade, reconfortante. Um: a busca do sublime; dois: proteção do sublime. O segundo movimento é a tentativa de trazer
essas mesmas emoções para nós, deste
lado do inefável, longe da
experiência liminar. Em uma madura conjunção incomum de experiências, a poética
de Jairo Valdati harmoniza este
tipo de idealismo, com sua histórica oposição naturalista. Ao fundir os opostos, a instabilidade
romântica encontra finalmente realização em um terceiro movimento: aquele da
observação participante, através do qual a sugestão se torna sistema enquanto a
cientificidade naturalística torna-se emoção participativa e se projeta a
partir de uma caderneta de campo como uma estrutura de sinais falantes. Sinais que falam de simplicidade e emoção, ou seja, de tudo que é vida e somente o que é
a vida, nada mais. Precisamente
a razão que levou Thoreau a ir para a floresta (para viver em sabedoria e
profundidade, para derrotar tudo o que não era a vida) é a mesma razão que nos
detém a pensar nos jardins de Jairo Valdati.”
(Texto de Giulia Gibertoni que traduzi da Língua italiana para a Língua
portuguesa. O texto original se encontra no final da entrevista)
Como seus desenhos dialogam com
suas instalações?
À primeira
vista parecem desenhos, mas não os considero assim. Acho que está mais ligado
ao campo da pintura. Mas sinceramente nunca tentei inseri-los em uma categoria
específica.
As telas, assim como as instalações, tratam sempre do mesmo tema, uma
relação de escala, de desproporção.
Vim para Itália
cursar doutorado em geomorfologia, e desde o início comecei a trabalhar nas
horas vagas em minhas obras. Mas o que me trouxe aqui foi a pesquisa científica.
Sim, é
possível, como em qualquer outra parte do mundo, depende das suas exigências.
Certo é que neste período de recessão econômica é mais difícil.
Que avaliação você faz da arte
contemporânea na Itália?
Morando na
Itália você está sempre em contato com a arte de modo geral. A sensação é um
superar-se contínuo, muitas escolas nasceram aqui, principalmente após o Renascimento.
Falar de arte contemporânea em um país com uma tradição gigantesca nas artes é
como jogar um balde d'água no oceano, mas mesmo assim ótimos trabalhos estão
sendo desenvolvidos.
Muitos destes
trabalhos encontram hoje no meio midiático uma forma de comunicação. Outros mais envolvidos a temas conceituais
permanecem nas fundações, museus ou galerias especializadas.
Você tem planos para expor no
Brasil?
Gostaria
muito, este ano comecei a divulgar meu trabalho no Brasil, mas ainda não tenho
planos concretos para expor. No Brasil não tenho galerias que me represente como
artista, minha relação aí foi sempre com as universidades, a nível acadêmico.
Este ano
começo a trabalhar com galerias nos Estados Unidos. Quem sabe também não
Brasil!?
O que é necessário para ser um
ícone nas artes plásticas?
Depende, se
como ícone se entende o que aparece na mídia,
você tem que fazer um percurso bem especifico, se ao invés você vê a arte como
uma pesquisa, um trabalho que vai além da estética, ou do meio pelo qual se
apresenta, o percurso é outro. Eu prefiro o
segundo e trabalho para isso.
Quais são seus planos e sonhos
para o futuro?
Estou
iniciando um trabalho que considero importante com uma galeria nos Estados
Unidos, continuo expondo em algumas galerias aqui na Europa, principalmente em
feiras internacionais.
Sonho para o
futuro: expor no Brasil, espero em breve :-)
Impronte, 2008, dimensão variável, galeria Magenta52, Milão.
Ragnatela, 2009. 10x8 m. Galeria Lo Squadro dell' Altro, Modena.
Morus sp, 2012. 100x150 cm. Ufobakrik contemporary art gallery, Trento.
Cornepicia Prunefira, 2011. 70x100 cm. Coleção particular.
Detalhe Cornepia Prunefira.
Phylloostachys edulis, 2010. 150x100 cm. Coleção particular.
Platymiscium florimbundum, 2011. 70x100 cm. Coleção particular.
Detalhe Platymiscium florimbundum.
Cordia Trichotoma, 2011. 100x150 cm Coleção particular.
L'EFFIGIE SUL TACCUINO
MEMORIE DI UN NATURALISTA ROMANTICO
La prima ragione di poesia per Wordsworth è quella celebre delle
emozioni ricordate in tranquillità (« emotions recollected in
tranquillity »): emozioni cercate, desiderate per necessità intima. Le
sensazioni sono recepite tramite un'avventura dello spirito, ossia il contatto
non mediato e impari e impetuoso con la natura e i suoi elementi, infine le emozioni
raccolte sono dispiegate in ideale solitudine, dipanate con passione, decifrate
e messe in ordine, almeno tanto quanto sia possibile a un animo romantico.
La creazione è in due movimenti: il primo è l'esporsi all'attacco, alla
forza della natura e delle sue misteriose simmetrie, il secondo è il ritrarsi
coerente; c'è il passaggio della soglia e c'è la volontà di ricordarlo,
traducendolo in unità di senso amiche, rassicuranti. Uno: ricerca del sublime;
due: protezione dal sublime. Il secondo movimento è il tentativo di riportare
quelle stesse emozioni a noi, al di qua dell'ineffabile, al riparo
dall'esperienza liminale.
In una insolitamente matura congiunzione di esperienze, la poetica di
Jairo Valdati armonizza questo tipo di idealismo con la sua storica opposizione
naturalistica. Fondendo gli opposti, la suggestiva instabilità romantica trova
infine compimento in un terzo movimento: quello dell'osservazione partecipante,
grazie alla quale la suggestione si fa sistema mentre la scientificità naturalistica
diventa emozione condivisa e aggetta dal taccuino come una struttura di segni parlanti. Che
raccontano essenzialità ed emozione, ossia tutto ciò che è vita e solo ciò che
è vita e nient'altro. Proprio la ragione che spinse Thoreau ad andare nei boschi
(per vivere in saggezza e profondità, per sbaragliare tutto ciò che non era
vita) è la stessa ragione che ci trattiene a pensare nei giardini di Jairo
Valdati.
Giulia
Gibertoni











3 comentários:
Trabalho de altíssimo nível. Sr. Márcio quando o artista vai expor no aqui no Brasil?
Parabens sinhor Marcio
mora na Italia e conheço o trbalho deste artista. Acho que esta na hora de divulgar tambem no Brasil trabalhos deste nivel.
abraços
Paolo Consoni
Desculpe-me pelos erros de digitaçao Senhor Marcio.
Paolo consoni
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