Centro de Artes Maria Teresa Vieira Rua da Carioca, 85 Abertura: 18 de abril de 2012.
A exposição TRÂNSITO CÁ ÓTICO, em princípio,
enseja um debate sobre algumas possíveis concepções do termo em questão:
trânsito. Entretanto, o que cada artista se propõe é colocar sua vivência. A
convivência com esse fluxo de informações assimiladas e descartadas no qual
estamos imersos. Assim, a exposição fomenta olhares voltados para um caótico
existente. Dessa forma, a mostra se revela como um grande painel do cotidiano.
Essências de artistas que vivem e trabalham no Rio.
Uma possível distinção entre os trabalhos se dá
a partir da percepção das diferentes mídias eleitas. Essas técnicas, por sua
vez, se desdobram sobre o que um termo amplo, como “trânsito”, pode abarcar.
Contudo, em outra ponta das possíveis abordagens, aparece um latente fluxo de
tensões e distanciamentos entre os trabalhos. Isso revela algo afeito à tão
comentada “teoria do caos”, que sustenta a observação de que a partir de uma
contemplação macro ser possível se perceber ordem no que seriam pequenos
momentos de caos. Aliás, sem esquecer que caos é uma concepção humana,
perfeitamente vinculada a individualidades.
Por fim, o que se pretende é convidar o
espectador a compartilhar desse pequeno e grande olhar sobre essa “colcha de
retalhos”. A exposição acontece no Centro de Arte Maria Teresa Vieira, com
co-curadoria de Otávio Avancini e dos artistas.
Antonio Pinheiro apresenta um vídeo. Trata-se de
um movimento explanatório da "Última Inocência" retomada a partir de referências
arquetípicas que tem por base a "experiência privada". O trabalho se comporta
como uma espécie de "EU". Não se tem aqui a sublimação de um estado de alma, mas
o impulso de escrever uma biografia. Persistindo assim em uma arte situada no
sujeito.
Claudia Dowek propõe, com seus "objetos", o que seria
um transitar da memória. Vestígios de eventos que restariam em nossas lembranças
longínquas e manifestados com as distorções provocadas pelo curso do
tempo.
São objetos que estão simplesmente ali, expostos,
como se apenas fizessem parte da decoração. O seu significado real se perdeu. As
pessoas se desfazendo em pó, pois nem são mais lembradas, a santa petrificada
e caída dentro de uma tradição que é apenas repetida, sem ser entendida.
Símbolos que perdem sua força na poeira do tempo.
Eduardo Mariz de certa forma também lida com
elementos da memória. Sustenta o que seria um conceito poético
de foto-assemblage. Seus trabalhos se montam a partir de duas fotografias
que assentadas sugerem imagens contínuas. A proposta é que dos diálogos e
concursos surgidos entre os elementos aparentes evidenciem o que seria um
trajeto de espaço e tempo subjetivado e condensado entre as imagens
básicas.
Nilton Pinho interfere no espaço em si. Impede
um previsível transitar de pessoas pela própria galeria. Seria a “pedra no meio
do caminho”? Ao escolher colocar suas pinturas no chão, ao mesmo tempo em que
atrai os olhares dos visitantes os induz a circular pelos “corredores”
restantes.
Essa seria também uma das pontes para a
abordagem das pinturas de Rosane Chonchol, que evidenciam a idéia de movimento
em seus fluxos de cor e matéria. Maria Teresa Vieira quando a viu
trabalhando disse de imediato: a sua pintura é lisérgica! Na realidade o
veredicto da mestra foi perfeito. Rosane continua catártica, abusada com o
efeito mágico das cores e da diversidade de materiais. Extravasa a sua criança
interior, de uma maneira criteriosa, cria uma arte racional,
permitindo-se a “di–versão” Trabalha com a estética do desejo.

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