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Sob o título A
iminência das poéticas, a 30ª Bienal de São Paulo tem como centro
curatorial os temas da multiplicidade, transicionalidade, recorrência e
permanente mutabilidade das poéticas artísticas. Por poéticas entende-se o
repertório instrumental que permite que um indivíduo, uma coletividade, um campo
disciplinar ou uma tradição estabeleça, de forma intuitiva, intencional ou
inconsciente, as estratégias ou plataformas discursivas que tornam possíveis
atos expressivos de caráter artístico.
A iminência representa, como traduz o curador Luis Pérez-Oramas, “o que está a ponto de acontecer, a palavra na ponta da língua, o silêncio imprevisto que antecede a decisão de falar ou de não falar, a arte como estratégia discursiva e a poética em sua pluralidade e multiplicidade”. Procurando instaurar-se como uma plataforma de encontro para a diversidade das poéticas, o instrumento de trabalho fundamental na 30ª Bienal será a ideia de Constelação – e seu leitmotiv a noção de articulação. Mais do que uma Bienal de obras individuais e de artistas singulares, a 30ª Bienal pretende ser um evento capaz de produzir constelações de obras e artistas que conversam entre si: uma base para que essas relações sejam dispositivos eficazes de renovação e de produção de sentido e significação. Componentes expositivos Tomando como base conceitual o entendimento de que as poéticas sobrepõem-se, desagregam-se, assimilam-se, parasitam-se e condensam-se, a 30ª Bienal - A iminência das poéticas define-se por quatro zonas curatoriais distintas: Sobrevivências, Alterformas, Derivas, Vozes e, uma zona transversal, Reverso. As zonas atuam como forma de articular, de maneira constelar e polifônica, os artistas e temas que irão compor o quadro geral da mostra. Sobrevivências A noção de sobrevivência permite realizar analogias entre a seleção de artistas contemporâneos e obras referenciais, fazendo com que dialoguem em um campo histórico comum. Para a 30ª Bienal, a sobrevivência atua fundamentalmente através da inscrição de formas e práticas constituídas em âmbitos de vida e de temporalidades distantes no tempo e/ou no espaço, tornando possível a transição entre elas e a experiência humana do presente. Alterformas Uma segunda zona curatorial complementa as questões conceituais propostas em Sobrevivências e norteia a seleção de artistas e práticas mais contemporâneas. Esta zona será trabalhada a partir da pista oferecida pela manifestação de alterformas ou deformações – isto é, a interpretação de obras como lugares da “transformação seletiva”, que, consciente ou inconscientemente, voluntária ou involuntariamente, os artistas realizam dentro do campo instituído em suas próprias práticas. Um segmento a ser desenhado dentro de Alterformas consistirá em traçar o estado atual das releituras deformantes da modernidade na América Latina. Outro segmento deverá ser instituído a partir de uma interrogação sobre “o estado dos meios artísticos”: os sobejos da pintura, gravura, poesia, teoria, cinema, literatura, teatro e fotografia em um tempo caracterizado pelo monopólio da imagem como meio e arte-meio. Derivas A ideia de deriva configura-se como uma noção-chave dentro do quadro conceitual da 30ª Bienal de São Paulo. Conjugado com Sobrevivências e Alterformas, a curadoria parte de certas derivações da modernidade encarnadas, sobretudo, nos artistas referenciais presentes na mostra e propõe um conjunto de formas alteradas, restos, deformações, nas quais a residualidade dos meios, sua hibridez e sua marginalidade possam ser entendidos como desvio, como deriva das formas, das linguagens e das imagens, tanto no campo da arte como na constelação de novos espaços que as tecnologias da informação e a digitalização tornam possíveis. Vozes Considerada uma zona entre zonas dentro do quadro conceitual da 30ª Bienal, Vozes manifesta-se explicitamente através de obras em que a voz prevalece em suas vinculações com a dimensão performativa da arte e com o material fônico – som, rádio, música etc. Pretende levantar interrogações acerca das maneiras pelas quais se dão as relações entre poéticas visuais e poéticas discursivas ou verbais atualmente. Pensando a voz como matéria plástica e artística em todas suas vertentes e possibilidades, Vozes atravessa Sobrevivências, Alterformas e Derivas e deverá configurar-se como a principal extensão da mostra na cidade de São Paulo. Esta zona curatorial estabelece uma ponte entre a noção de voz e as mais variadas dimensões performativas da arte contemporânea e permite pensar e organizar um momento participativo dos espectadores (ou interlocutores) por meio da ativação de dispositivos de diálogo presentes na mostra ou nas plataformas virtuais da Bienal. Reverso Tratada conceitualmente como uma zona transversal aos componentes expositivos da mostra, Reverso é uma espécie de plataforma nômade que abraça, desde sua elaboração, todos os elementos curatoriais do projeto da 30ª Bienal de São Paulo - A iminência das poéticas e os estende para a cidade. São intervenções urbanas, mostras em parceria com outras instituições da cidade de São Paulo, exibições de filmes, apresentações teatrais e musicais encomendadas a artistas locais e/ou internacionais. Instaurando-se como uma forma de estender e potencializar o evento realizado no pavilhão localizado no Parque Ibirapuera, Reverso pretende constituir-se como uma possibilidade de desenvolver um diálogo aberto entre a 30ª Bienal, o público, as instituições e os demais agentes culturais e sociais atuantes na cidade. Farão parte desta rede a Casa Modernista, a Capela do Morumbi, a Casa do Bandeirante e outras instituições. Encontros Pensado como um ciclo de seminários capaz de possibilitar ao grande público o contato com renomados artistas e intelectuais da atualidade, A iminência das poéticas propõe realizar um debate sobre o presente da atividade artística por meio de uma série de encontros em que a própria Bienal e os aspectos gerais de seus conteúdos se ofereçam como centro de discussão. O ciclo se dará sob a forma uma série simpósios realizados ao longo de 2012 na cidade de São Paulo; e um encontro de caráter poético/teórico, a ser organizado em duas ocasiões diferentes (fora e dentro do Brasil), como um diálogo transterritorial e transpoético entre duas cidades, Ciudad Abierta, Valparaíso, no Chile, e a cidade de São Paulo, no Brasil. Educativo Bienal na 30ª Com curadoria educacional de Stela Barbieri, as ações do Educativo Bienal para a 30ª edição estão sendo elaboradas desde 2011 em parceria com a curadoria geral da exposição. Em janeiro deste ano, iniciaram-se os Encontros de Formação em Arte Contemporânea para professores, educadores sociais, jornalistas e público em geral, dando início à interlocução com os conceitos, artistas e obras da exposição A iminência das poéticas. Um novo material educativo está sendo produzido, com tiragem prevista de 15 mil exemplares e distribuição gratuita. A publicação é elaborada pela equipe do Educativo em colaboração com a curadoria da mostra e a equipe de Comunicação da Bienal. Esse é o terceiro material produzido por esta curadoria educacional. O curso a distância para professores de arte do Estado de São Paulo, Tão Perto Tão Longe, também está em sua terceira edição e estará no ar a partir de setembro. Outra ação de destaque é o curso para educadores da Bienal, estagiários que atenderão o público durante a mostra. Com início em maio de 2012, o curso dará continuidade à formação de 150 estudantes universitários, muitos dos quais já vêm trabalhando com este Educativo desde 2010. Alguns educadores, agora formados, se tornarão supervisores ou educadores profissionais. O Educativo Bienal tem por princípio a formação continuada em todos os níveis de sua equipe. Dando continuidade a suas ações, após a abertura da exposição, o Educativo é responsável pelas visitas orientadas para grupos agendados e público espontâneo, ateliês, programação paralela, que inclui palestras e seminários, performances, exibição de filmes e eventos especiais para famílias. O Educativo tem a preocupação de promover encontros com os mais variados públicos, atendendo a especificidade de cada um. Um programa para grupos de terceira idade, o +60, e ações para pessoas com deficiência, como as visitas em LIBRAS. Lista de artistas participantes 1. Absalon, Israel 2. Alair Gomes, Brasil 3. Alberto Bitar, Brasil 4. PPPP (Productos Peruanos Para Pensar), Peru 5. Alejandro Cesarco, Uruguai 6. Alexandre da Cunha, Brasil 7. Alexandre Moreira, Brasil 8. Alfredo Cortina, Venezuela 9. Ali Kazma, Turquia 10. Allan Kaprow, EUA 11. Ambroise Ngaimoko (Studio 3Z), Angola 12. Andreas Eriksson, Suécia 13. Anna Oppermann, Alemanha 14. Arthur Bispo do Rosário, Brasil 15. Athanasios Argianas, Inglaterra/Grécia 16. August Sander, Alemanha 17. Bas Jan Ader, Holanda 18. Benet Rossell, Espanha 19. Bernard Frize, França 20. Bernardo Ortiz, Colômbia 21. Bruno Munari, Itália 22. Cadu, Brasil 23. Charlotte Posenenske, Alemanha 24. Christian Vinck, Venezuela 25. Ciudad Abierta, Chile 26. Daniel Steegmann, Espanha 27. Dave Hullfish Bailey, EUA 28. David Moreno, EUA 29. Edi Hirose, Peru 30. Eduardo Berliner, Brasil 31. Eduardo Gil, Venezuela 32. Eduardo Stupía, Argentina 33. Elaine Reichek, EUA 34. Erica Baum, EUA 35. Fernand Deligny, França 36. Fernanda Gomes, Brasil 37. f.marquespenteado, Brasil/Portugal 38. Fernando Ortega, México 39. Franz Erhard Walther, Alemanha 40. Franz Mon, Alemanha 41. Frédéric Bruly Bouabré, Costa do Marfim 42. Gego, Venezuela 43. Guy Maddin, Canadá 44. Hans Eijkelboom, Holanda 45. Hans-Peter Feldmann, Alemanha 46. Hayley Tompkins, Inglaterra/Escócia 47. Helen Mirra, EUA 48. Hélio Fervenza, Brasil 49. Horst Ademeit, Alemanha 50. Hreinn Fridfinnsson, Islândia/Holanda 51. Hugo Canoilas, Portugal 52. Ian Hamilton Finlay, Escócia 53. Icaro Zorbar, Colômbia 54. Ilene Segalove, EUA 55. Iñaki Bonillas, México 56. Ivan Argote & Pauline Bastard, Colômbia 57. Jerry Martin, Peru 58. Jiří Kovanda, República Tcheca 59. John Zurier, EUA 60. José Arnaud-Bello, México 61. Juan Iribarren, Venezuela 62. Juan Luis Martínez, Chile 63. Juan Nascimiento & Daniela Lovera, Venezuela 64. Jutta Koether, Alemanha 65. Katja Strunz, Alemanha 66. Kirsten Pieroth, Alemanha 67. Kriwet, Alemanha 68. Leandro Tartaglia, Argentina 69. Lucia Laguna, Brasil 70. Marcelo Coutinho, Brasil 71. Marco Fusinato, Austrália 72. Maryanne Amacher, EUA 73. Mark Morrisroe, EUA 74. Martín Legón, Argentina 75. Meris Angioletti, Itália 76. Michel Aubry, França 77. Mobile Radio, Inglaterra/Alemanha 78. Moris, México 79. Moyra Davey, Canadá 80. Nicolás Paris, Colômbia 81. Nino Cais, Brasil 82. Nydia Negromonte, Brasil 83. Odires Mlaszho, Brasil 84. Olivier Nottellet, França 85. Pablo Accinelli, Argentina 86. Pablo Pijnappel, Brasil/Holanda 87. Patrick Jolley, Irlanda 88. Paulo Vivacqua, Brasil 89. Ricardo Basbaum, Brasil 90. Robert Filliou, França 91. Robert Smithson, EUA 92. Roberto Obregón, Venezuela 93. Rodrigo Braga, Brasil 94. Runo Lagomarsino , Suécia 95. Sandra Vásquez de la Horra, Chile 96. Saul Fletcher, Inglaterra 97. Savvas Christodoulides, Chipre 98. Sergei Tcherepnin with Ei Arakawa, EUA 99. Sheila Hicks, EUA 100. Sigurdur Gudmundsson , Islândia 101. Simone Forti, EUA 102. Sofia Borges, Brasil 103. Tehching Hsieh, Taiwan 104. Thiago Rocha Pitta, Brasil 105. Thomas Sipp, França 106. Tiago Carneiro da Cunha, Brasil 107. Viola Yesiltaç, Alemanha 108. Waldemar Cordeiro, Brasil 109. Xu Bing, China 110. Yuki Kimura, Japão Fonte: http://www.bienal.org.br |
terça-feira, 17 de abril de 2012
Bienal de São Paulo, 2012. A iminencia das poéticas
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