sexta-feira, 30 de março de 2012

Texto de Hilton Valeriano sobre a obra de Felipe Góes.


Felipe Góes vive e trabalha em São Paulo. Para conhecer mais sobre a arte do artista http://fgoesarte.blogsott.com Felipe foi entevistado aqui no blog em 12.11.2011.


Sem título, 2011.


Sem título, 2010.

Sem título, 2010.



Sem título, 2009.







A arte é o invólucro da verdade.”
Se a arte é a forma visível da representação, o universo temático de Felipe Góes mostra-nos a simbiose entre a abstração e a figuração. Paisagens marcadas por uma luminosidade integradora de cores que proporcionam a impressão de anulação do expectador ante as cenas, ou seja, o sentimento pleno de estar inserido em um espaço de vivência não apreendido reflexivamente. Se no âmbito da fenomenologia a consciência encontra-se sempre em um estado intencional, a pintura de Felipe Góes nos leva ao questionamento da possibilidade de apreensão do real como vivência intencional da subjetividade. O “eu” como oposição ao meio – representado pelas cenas e paisagens – dissolve-se por não se delimitar como consciência reflexiva e sim como sentimento integrado. Uma característica peculiar de sua pintura gerada pelo jogo de cores ou ofuscação parcial de suas diferenças em um processo de luminosidade e leveza. Se for comum a alguns artistas revelarem seu intento, a obra de Felipe Góes traz em si a ocultação pelo jogo expressivo das cores e suas possibilidades de apreensão. Apreensão como vivência não reflexiva. Poderíamos dizer que sua arte não se encerra em um plano conceitual. Outra característica importante de sua pintura é a relação que se estabelece entre a parte abstrata e figurativa de suas telas. A figuração estabelece-se em uma planificação abstrata. Esse plano abstrato é responsável por engendrar a carga significativa da obra. Em suas cenas ou paisagens não há ruptura entre abstração e figuração e sim complementação semântica. Destaquemos alguns paradigmas estéticos de reflexão proporcionados por essa obra autêntica.


1 – As cores não devem apenas prover os sentidos, mas engendrar o sentimento de toda criação.
A apreensão da obra em seu âmbito figurativo evidencia o plano criativo do artista, mas não como compreensão conceitual ou referência de estéticas que tenham influenciado o pintor em seu gesto criador. A apreensão se dá como participação intersubjetiva, como fruição estética decorrente da conjunção de cores e sua planificação.
2 – O plano figurativo de uma obra pode estruturar-se a partir de uma dimensão abstrata provedora de significação.

As paisagens ou figuras estruturam-se a partir da relação conjuntiva das cores e sua planificação abstrata. A dimensão abstrata apresenta-se como provedora da figuração e significação da obra.


3 – A apreensão de um universo temático como vivência não reflexiva.

O expectador é tomado pelo conjunto figurativo. O contato com a obra dá-se pela imersão vivencial. Vive-se a obra como figuração de uma realidade onde a consciência está imersa como parte integrada e não reflexiva.

4 – A obra como ocultação do intento do artista.

A conjunção entre dimensão abstrata e figurativa gera a multiplicidade de significação. Consequentemente o intento criativo do artista torna-se oculto ou obliterado pela vivência subjetiva do expectador.


5 – A obra como jogo de apreensão de vivências mediante a anulação do “eu” expectador.

Na pintura de Felipe Góes traça-se a anulação da consciência reflexiva em prol de uma vivência apreensiva da obra. A pintura de Felipe Góes não pode ser pensada antes de ser vivida em sua significação.



Blog de Felipe Góes: http://fgoesarte.blogspot.com.br



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Hilton Valeriano é professor de filosofia na Rede Pública de Ensino do Estado de São Paulo. Editor do blog Poesia Diversa (www.poesiadiversidade.blogspot.com), com poemas publicados em revistas como Zunái, Germina, Sibila, Jornal de Poesia, Diversos-afins.
E-mail:
hilton.dv@hotmail.com

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Maurizio Cattelan

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