terça-feira, 6 de março de 2012

Conversando sobre Arte Entrevistada Gabriela Brasileiro



Gabriela Brasileiro

Gabriela jovem artista de Belo Horizonte com um trabalho de veterana. Obrigado Gabriela. Sucesso.



Gabriela, conte algo de sua vida pessoal
Meus pais são mineiros, mãe paisagista nascida em Belo horizonte e pai joalheiro nascido em Dores do Indaiá.
Nasci em Belo Horizonte onde até então moro. Estudei entre escolas particulares e públicas, dentre elas A Escola de Belas artes da UFMG. Atualmente trabalho produzindo e também com arte educação.


Como a Arte entrou em sua vida?
Antes mesmo de ser gerada, meus pais sempre foram ligados a arte. Inclusive meu pai era muito envolvido com o teatro e arte na década de 80.Contudo nao levou adiante. Assim desde pequena tive este contato e incentivo por parte deles. Como autodidata desenhava em grafite. Depois, comecei na adolescência a frequentar escola de desenho.


Qual foi sua formação artística?
Me formei na Escola de Belas Artes UFMG, bacharel em pintura, dentre outras passagens como gravura (serigrafia), fotografia, e artes gráficas. Além de aulas de desenho antes de entrar na faculdade.


Que artistas influenciam seu pensamento?

Primeiramente grandes mestres da pintura como Gustav klimt, René Magritte. Mas o movimento pop arte seria o principal, como Andy Warhol, porém no sentido plástico, principalmente o uso da serigrafia. Já questões de pesquisa aproximam mais de artistas como Frida kahlo e seu mundo simbólico, Gerhard Richter e suas experimentações de pinturas quase que fotográficas. E muitos outros contemporâneos, além de fotógrafos como Nan Goldin. Seria uma lista enorme já que a cada momento descobrimos trabalhos fantásticos numa pesquisa, numa exposição vista.


Como você descreve sua obra e qual o assunto preferido?
Minhas pinturas são o resultado de uma pesquisa enorme de imagens coletadas na internet e outros veículos. Na sua maioria com temas ligados ao feminino.


Como você vê a arte contemporânea em Belo Horizonte?
Existem grandes artistas em Belo Horizonte, e poucos espaços de divulgação e apoio a estes. Comparado a São Paulo e Rio de Janeiro, Belo Horizonte estaria começando a investir nesta área cultural e artística. Assim poucas exposições acontecem onde se deveria ter mais com tantos artistas de qualidade.



Que exposição você considera a mais importante?
Cada uma tem sua particularidade e importância, todas são parte de uma conquista.


Qual a importância dos Salões de Arte?
Creio que para os jovens artistas é um ótimo começo. Já participei de alguns.

É possível viver de arte no Brasil?
Acredito e tenho a esperança que sim!


Quais são seus planos para o futuro?
Pretendo continuar minhas pesquisas no atelier e também desenvolver projetos. Participar de residências e exposições. Mestrados, Salões de Arte, exposições, residências.





E foram felizes para sempre, 2011. Estencil, têmpera, e acrília sobre tela. 195x152 cm.




Alice, 2009. Estencil, têmpera e acrílica sobre tela.  185x125 cm.




Perfeição, 2007. Serigrafia e acrílica sobre tela. 180x150 cm.




Espelho meu, espelho meu!




Sem título




Sapatinhos Coleção Galdstone e Eduarda Mamede.




Quero ver se os sapainhos me servem.










Transferência, transparência e vestígios
"A arte e a vida estabelecem uma relação cada vez mais estreita para mim, desde o arquivar das imagens até a última pincelada. Apenas os vestígios das minhas experiências é que se mostram nas minhas pinturas. Muitos dos símbolos e representações dessa produção ficam obscuros e muitas vezes secretos ao espectador. Cada significância pode e é agenciada de diferentes maneiras por ele, a pintura fala quando transfere essas relações e sentidos das imagens.
Estas familiaridades, de um modo geral, se estabelecem através de objetos, artefatos femininos, tais como sapatos, roupas, bordados, estampas e muitos outros elementos. Estas imagens compõem um mundo de referências, os objetos têm seu significado usual e prático substituído por livres associações que, a partir das formas libertas de sua funcionalidade, remetem mentalmente a outros objetos.
Seguindo essa proposta de releitura, busco através da colagem estruturar o projeto da pintura. Essa colagem reúne imagens de uma realidade cotidiana, que dificilmente estariam juntas em outra situação. Elas são como estratégias de afloramento e estilização, e não existe portanto, um desejo de interpretação que direciona para um certo e único lugar.
Talvez por isso seja tão necessário desconstruir, descontextualizar e deslocar essas imagens para o processo da pintura. Essa colagem é previamente planejada, vezes feita por montagens no computador e vezes como simples esboço no caderno de artista. Esta imagem pintada é realizada por camadas, transparências e sobreposições.
Tudo isso é permitido pela tinta acrílica, desde as suaves transparências da aguada a densas formas gráficas e planas.
São essas possibilidades que criam o meio em que as figuras se assentam, muitas vezes construído por aguadas ora transparentes, ora densas, são como paisagens ou ambientes de profundidade infinita. O primeiro plano formado pelas figuras humanas é construído com uma pincelada mais gráfica, já que a tinta acrílica não permite o degrade oferecido pela tinta a óleo. Num plano intermediário, entre as volumosas aguadas e as figuras humanas, surgem formas transferidas e repetidas pelo estêncil ou pela serigrafia.
Estas repetições se mostram fragmentadas, incompletas, quase que tensionadas pela ameaça de sua própria ausência, apagamentos e vestígios. Muitas vezes se destacam em inconstantes planos coloridos.
A pintura finalizada não é espelho da realidade, porque não quer ser confundida com o registro realista, porque é possível pensar uma realidade sem necessidade de representá-la.
O papel da imagem fotográfica para construção do arquivo-memória ou mesmo os arquivos de documentos, tornam-se imprescindíveis como parte do meu processo, pois as fotografias são as testemunhas de que existiu um presente naquilo que agora é ausente. Nestas bases, a fotografia tem em sua principal função a capacidade de transformar em documento aquilo que é efêmero. Talvez seja esse fio invisível que me liga a fotografia, e é aquilo definido por Barthes como o punctum: “O punctum de uma foto é esse acaso que, nela, me punge (mas também me mortifica, me fere).” (A câmara clara, 1984 p. 46)
O uso de imagens fotográficas como referência para a pintura, chama a atenção pelas possibilidades de expansão que adquirem e pela renovação de suas condições de recepção, por suas inusitadas apropriações e colagens visuais.
O objetivo da exposição é estabelecer um ambiente de sonhos, e percebendo relações entre as pinturas o espectador possa se transpor para a não realidade. Em ecos de um passado."

Gabriela Brasileiro e Mariana Parzewski

Nenhum comentário:

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
Now