terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Conversando sobre Arte Entrevistada Patricia Bowles Espaço Apis


Patricia Bowels  artista e corajosa criadora do Espaço Apis, local de exposições, ateliês e discussão sobre Arte.



Patricia conte um pouco de sua história pessoal.
 Nasci na Bolivia- Santa Cruz de La Sierra, filha genética de pai colombiano, diplomata, e mãe boliviana, origens americanas-inglesas. O primeiro Bowles chegou na Bolivia por causa da construção da ferrovia Madeira- Mamoré. Minha mãe se casou novamente com o militar brasileiro do Exército/ engenharia, Cel Floriano Pacheco que me criou, era de Sào Paulo, morou muitos anos em Santa Cruz na Comissão Brasil- Bolivia de Petróleo, até conhecer a minha mãe e viemos para o Rio de Janeiro, eu tinha 3 anos de idade, lembro até hoje no hotel Miramar em Copacabana quando conheci o mar. Estudei sempre no Rio, apenas num período , fiquei interna em Corumbá Mato Grosso, fronteira com a Bolivia, foi onde me descobri artista! 11 anos de idade por aí... fiquei 3 anos e voltamos para o Rio, onde estudei arquitetura na Santa Úrsula e me formei em 75.


Como a Arte entrou em sua vida?
No primeiro ano trabalhando no escritorio de arquitetura de um arquiteto de Manaus ( meu pai foi o primeiro superintendente da Zona Franca de Manaus no governo dos militares) Severiano Mario Porto me deram um mural para fazer o projeto para uma escola em Roraima, aí me descobri! Gostava de artes plásticas! Saí do bem remunerado escritório e fui para o Parque Lage estudar escultura e cerâmica, comecei a fazer objetos utilitários, castiçais, luminárias...trabalhar com design. e escultura, paisagismo e alguns projetos de interiores e residências em Angra dos Reis. Tive um atelier na praça da Bandeira por 9 anos onde trabalhava diariamente com metal resina, a fundição era na rua Ceará. Foram 9 anos muito produtivos, expus em varias lojas de design e interiores, em SP expus no Mube com a Zona D.Abri uma galeria na Gavea, Espaço Bowles, No Gávea Trade Center, A Ligia Canongia, sim senhor , que me ajudou na abertura do espaço que recebia trabalhos de outros artistas, sempre gostei de loja, mas sem nenhum talento comercial. A Andrea Brown participou de uma exposição e a mais importante creio foi em 1992, para a eco 92, fiz uma expo com uma designer colombiana sobre Cultura pré-colombiana e seguidores. Eu, com as cerâmicas Mochica e Sinu reproduzidas em resina e metal e ela com as jóias inspiradas na ouriversaria Sinu. Foi muito interessante. Depois a vida particular desmoronou e fui morar em Paris com meus filhos, fui logo absorvida, expus numa excelente galeria de Design e participei de quase todas as Bienais de Design de Saint Etienne. Voltei em 1997 ao Rio.


Que artista influenciam seu pensamento?
 Picasso, Giacometti, Dubuffet, Jean Arp e Magritte com certeza. Me identifico muito com o Surrealismo, agora mesmo relendo les Vases Communicants do André Breton, me identifico muito. Esta realidade misturada com os sonhos, o inconsciente. Gosto do lúdico também.


O que é o Espaço Apis?
 O Espaço Apis , o nome surgiu de uma aula de filosofia, Bodas Contranatura, a abelha e as flores, polifonia,colméia, trabalho coletivo. E ai comprei o sobrado onde tinha um pequeno atelier no segundo piso. Fiz toda a reforma , inspirada numa escola, creio que a Beaux Arts de Saint Etienne me inspirou. Juntamos alguns artistas e designers para elaborar o projeto para a Lei Rouanet, tendo até promessa de patrocínio, mas foi mal elaborado e não foi aprovado , infelizmente. Eram boas parcerias com o Centro Design Rio , como Bernardo Senna,e artistas que davam aula na PUC, como Mario Fraga, Jorge Rodriguez, Claudio Aun, e outros.
Depois , por causa da minha filha Manoela, ligada em arte e no seu tempo, me apresentou a arte urbana, grafites. O pequeno curriculum do Apis está no meu site. Foram boas expos. Em 2010 surgiu A CAVE- Coletivo Apis Visual Experimental, organizada pelo Alê Souto, que trouxe outros artistas jovens como Antonio Bokel, Peu Mello, Leonardo Etero, Joana Barros e Maria Helena Bastos. Varios eventos foram promovidos pelo Alê, durante sua residência no espaço. Em 2010, foi feita a expo Kxa_ Preta, excelente, organizada pelo Antonio Bokel, assim como o Atemporal , espaço de artistas jovens, que alguns nunca expuseram, muito menos fazer parte de uma galeria. A maioria deles de arte urbana. Depois veio a expo Gelatina com o pessoal do Parque Lage. Alunos de Denise Cathilina e do Zuniga de montagem de expos. Depois a curadoria /expo 11-11-11 da minha filha Manoela e a turma do Moleculagem, além da individual de Eduardo Petroni.
Atualmente o Apis está em mudança administrativa. A idéia inicial de um espaço com ateliers de artistas, pensando, produzindo e vendendo seus trabalhos no espaço, convidando outros artistas para expor tambem se diluiu pelas circunstâncias e falta de apoio financeiro. Cultura sem Economia não anda! Coisas novas devem acontecer este ano. O espaço também entra em reforma de fachada este ano. O sobrado é de 1913, quase 100 anos. Quando comprei era uma antiga fabrica de joias_ Garito- boas heranças. De todas formas , no momento , alugam salas a turma do Estética Central ( Qual é a estética do seu lugar?) Projeto social muito bom.


Além dos estudos sobre Arte, que outros estímulos são importantes em seu pensamento?
Sobre os estimulos que recebo, creio que a fotografia e a Filosofia são os mais fortes. Além de estar perto da Natureza, minha grande musa.


A mulher e o homem estão em igualdade no mercado de arte?
 Creio sim que a mulher e o homem estão em pé de igualdade. Sào universos distintos, a maternidade é algo tão importante quanto a arte, e se as mulheres não fizeram muito no passado, podendo se dedicar integralmente ao atelier, creio que agora as coisas mudaram bastante. Mas , acredito que um artista se apruma realmente pelo tempo que esta trabalhando. A entrega incondicional.


O que você pensa sobre os Salões de Arte, Bienais, Feiras de Arte e galerias?
As outras perguntas todas sobre mercado de arte, galerias, o artista e o marchand, o artista e a instituição, o valor, o preço de mercado, curadores, críticos, o meio artistico do Rio.... sou aprendiz. Ainda. Muito a aprender ainda.


Quais são seus planos para o futuro?
Os planos para o futuro são: me dedicar mais ao meu trabalho, circular, expor, aprender, trocar. Me dedicar mais à escultura que gosto tanto e me inserir no mercado. Sobre o Apis? Esta em movimento. Adoraria uma marcenaria, criar, transformar ,mobiliario...Tem o projeto AzulArte Criança, que é um sonho antigo. Ver o Apis cheio de estudantes e profissionais trabalhando, produzindo, expondo, dando aulas. Tomara!


Você tem horas vagas? O que faz com elas?
Nos tempos vagos?
Criar é um grande prazer para mim.




Espaço Apis



Espaço Apis Acesso aos ateliês.


Espaço Apis. São Jorge. Sala do Cofre



Espaço Apis










Os trabalhos de Patricia Bowles revelam uma ênfase na investigação do rizoma como uma entidade ao mesmo tempo cultural e biológica. O rizoma é um conceito filosófico descrito por Giles Deleuze e Felix Guattari em A Thousand Plateaus: Capitalism and Schizophrenia, como uma forma de vida vegetal que se espalha, como os cogumelos depois da chuva, sem uma raíz ou nódulo central, sem um ponto de germinação definido ou um padrão formal definido. É o próprio símbolo do desenraizamento, que se opõe à forma tradicional de conhecimento - esse sim, nasce de uma raiz, num ponto definido. O rizoma não tem final como não teve começo, mas sempre um "meio" de onde se expande. O rizoma é uma entidade que vibra por si mesma, e cujo desenvolvimento desdenha de orientação a um determinado resultado. O rizoma prescinde da genealogia, tornando-se uma espécie de interplay entre sistemas rivais, produzindo novas e inéditas variações através de sua ilimitada expansão. O rizoma, enfim, rejeita toda orientação e dominação de uma parte sobre a outra. Assim, devemos entender que as conexões com o espaço e o tempo têm lugar dentro de um ambiente de trocas dinâmicas, auto-mutantes, não como organismos encerrados em si mesmos, mas como séries de organismos híbridos formados por forças interativas, que nos fazem perceber que o trabalho de Patricia é o resultado de um processo complementar entre elementos biológicos e nãobiológicos. Esse processo pode ser descrito como rizomático, onde não vemos um "modelo" construído segundo a assemblage de elementos antagônicos orgânicos e não-orgânicos, animados e inanimados, conectados e re-conectados, definidos não por sua essência original, mas pela circulação que estabelecem entre si. Dessa maneira, embora fixas sobre um ponto pela necessidade de sua sustentação, os rizomas de Patricia sugerem sistemas abertos, como ligações que mapeiam diferentes estágios de percepção formal e nos permitem claramente vislumbrar o processo de sua realização. Dessa maneira, ela não me parece interessada em revelar os fluxos entre diferentes materiais (metal, raízes, a superfície da parede), mas sim expor uma prática de pensamento, de entendimento sensível, emotivo e íntimo como seria a própria "art making". Melhor do que considerar os seus trabalhos como "objetos", ela nos integra em processos de percepção e contemplação, como se estivesse convidando o observador à um "local criativo", onde os "acontecimentos" possam ser percebidos. Sendo assim, Patricia chama nossa atenção para "performatividade" do trabalho, para a "ondulação" e "distensão" das fibras, como um "objeto subjetivo", que nos faz perceber a mudança do estágio de sua materialidade constituída de fibras e raízes para um objeto que requer atenção - e isso Patricia realiza com o uso da cor azul. A cor
aparece como um elemento que vai "selar" a finalidade da obra, quando sua natureza finalmente é revelada, um processo que se inicia no momento em que Patricia selecionou raízes e fibras e onde depois a cor é o elemento que vai saturar de significado as conexões entre a natureza original e o conceito final, entre idéias teóricas e experiência pessoal. A cor se torna um processo de conhecimento, que acontece durante o processo de fusão de diferentes elementos, capaz de prover uma maneira de dominar as relações cognitivas entre contexto, percepção e abstração. Essas relações me parecem intimamente relacionadas com a noção de transformação através de interconexões, mutações e diferenças, que abrem nossa percepção para outras maneiras de ver e experimentar os materiais do mundo de uma forma excitante e imprevisível. Patricia nos descreve as conexões propondo novas alianças, fusões e conexões inesperadas entre diversos materiais.
Assim, para Patricia, o artista não mais define o mundo como um objeto, mas entende o mundo como uma entidade totalmente aberta e permanentemente inédita, um espaço performático onde as reflexões se tornam significativas dentro de um contexto natural mas igualmente social e cultural.

Guido Cavalcante





Bosch



Rizoma


Castiçal e tinta.



Raiz foto trabalhada.




Raízes





Árvore





Olho.




Obrigada Marcio, me fez bem falar sobre meu trabalho, atualiza, põe direção...Obrigada mesmo.

Nenhum comentário:

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
Now