terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Conversando sobre Arte Entrevistado Vinicius Figueiredo


Vinicius Figueiredo jovem artista, vive e trabalha em Montes Claros. Utiliza a  manipulação de fotografia com pintura e desenho e tem interesse em poética visual. Cursa o Mestrado na Universidade de Goiás. Obrigado pelo depoimento e sucesso.


Vinicius Figueiredo




Vinicius, fale algo sobre sua vida pessoal. 
Nasci no dia 7 de maio de 1983 em uma cidade de médio porte no norte de Minas Gerais, chamada Montes Claros. Minha mãe, Cleonice Borges Figueiredo, é pedagoga. Meu pai, Pedro Alves Figueiredo, durante muito tempo foi açougueiro, mas com a crise dos mercados municipais no final dos anos 80 e início dos 90, voltou aos estudos e se graduou em Letras: Inglês-Português, Geografia e História. Quando criança, ingressei em uma escola de desenho e pintura, mas não fiquei muito tempo: a professora disse a minha mãe que eu não aceitava fazer cópias, segundo ela era necessário para aprender arte.Na adolescência entrei no conservatório de artes de Montes Claros. Também não consegui permanecer muito tempo: à medida que os semestres passavam, os materiais ficavam mais caros e não era permitido pintar motivos livres ou de criação. Os trabalhos eram restritos a objetos, paisagens e flores. Apesar de não ter gostado muito, foi onde eu conheci uma professora chamada Arlete Aguiar, que foi fundamental para minha formação. Anos mais tarde seria ela a me orientar acerca do fato de que em Goiânia havia abertura para outras formas de arte, e um curso de Bacharelado na UFG.

Como foi sua formação artística?
No ano de 2003 prestei os vestibulares de Letras em Montes Claros, pela Unimontes, e de Bacharelado em Artes, pela UFG. Não recebi apoio dos meus pais. Passei nas duas faculdades, mas acabei faltando à segunda etapa na prova de Letras, pois gostaria de cursar o Bacharelado de Artes em outra cidade. Toda minha formação acadêmica se construiu em Goiânia. Pela FAV, na UFG, cursei o Bacharelado em Artes Visuais e estou finalizando o Mestrado em Arte e Cultura Visual com previsão de defesa para abril de 2012.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Rosângela Rennó, Christian Boltanski, Alfredo Nicolayevisky, José Rufino, Sophie Calle, Marcos Vasconcelos, Farnese de Andrade, Lucian Freud, Robert Rauschenberg. Ydessa Hendeles, dentre outros.

Como você descreve sua obra?
O objeto da minha pesquisa se constitui da práxis poética sobre asotografias do meu avô, Geraldo Borges Rego, falecido em 2009. Esta investigação perpassa por uma discussão sobre temas como memória, luto, família, identidade, arte digital e fotografia. A parte técnica da minha produção se faz pela experimentação da manipulação fotográfica, com pintura ou desenho sobre essas fotografias, bem como o uso do escâner e de softwares de intervenção digital para recriar estas imagens em uma configuração poética almejada. O resultado final é sempre uma imagem impressa em grandes dimensões sobre papel fotográfico.

Como a poesia e a arte se encontram?
A estrela que vemos brilhar no céu pode ter morrido há anos, a luz que revela também apaga, a pregnância do sonho é a memória da saudade. A arte preserva o humano do esquecimento da morte. Assim como o poeta manipula massas sensíveis que só existiriam em um campo que poucos poderiam perceber, mas que está ao nosso redor, o artista torna  visível o mundo invisível. Acho que é nessa dialética entre uma pré-existência e a criação que a arte e a poesia se encontram.

Como você descreve o mercado de arte em Montes Claros?
Não há mercado de arte em Montes Claros, tampouco em Goiânia, onde dei prosseguimento a minha carreira artística. Existem pessoas interessadas e muita produção artística, mas são relações isoladas que não podem, em minha opinião, caracterizar um mercado.

O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Na verdade, não sei muito como funciona isto, acredito que toda relação construída na base da honestidade e do trabalho pode ser interessante para ambos. O que o jovem artista espera é projeção, colocar o trabalho para circular, pois é através do olhar do espectador que a obra é continuada. Ela apenas começa no ateliê: a obra como produto da subjetividade, e claro, como produto de mercado também. E quanto à galeria, acredito que se preocupa com o compromisso que o artista tem com sua produção, e trata a arte com a seriedade de qualquer outro tipo de trabalho, respeitando prazos e contratos.

Além dos estudos sobre arte, que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
Gosto muito do cinema de Agnes Varda, da música de Nina Simone e de CocoRosie, da dança contemporânea de Pina Bausch, e penso que todo produto cultural que consumo de certa forma influencia meu trabalho, assim como as pessoas com quem me relaciono ou tenho contato, seja um professor da faculdade, um amigo que nada tem a ver com arte, ou alguém com quem conversei no ônibus por 5 minutos.

Você fará sua primeira individual, qual a sua expectativa?
Acredito que será um momento de grande transformação para minha produção. Há cinco anos que pesquiso a imagem do meu avô. Algumas mudanças já são perceptíveis e a exposição permitiria fluir com a obra de outra forma, diferente da relação que estabeleço no ateliê. Toda trajetória que culmina em uma mostra é um processo de formação tanto da obra quanto do artista.

Você tem uma rotina de trabalho?
Sim, faço horários de estudo e de produção. Geralmente trabalho bem à noite e de madrugada. Durante o dia preciso estudar para dar aulas, sou professor do ensino à distância de Artes Visuais (EAD, FAV).

O que você pensa sobre os Salões de Arte?
Eu acho que os salões de arte foram e de certa forma ainda são muito importantes para os artistas. O que eu não acredito é que seja o único caminho de veiculação da obra de arte. Alguns colegas de profissão com trabalhos excelentes se frustram por terem sido cortados por um ou outro salão, o que é uma bobagem. Penso que as novas tecnologias, como as redes sociais contemporâneas ampliaram o leque de possibilidades de divulgação e comercialização de obras de arte, tornando os artistas mais independentes. Não penso que devemos abrir mão dos meios tradicionais, tampouco se restringir a apenas uma forma de veiculação. Arte é comunicação e vivemos num momento de muitas possibilidades.

Quais são seus planos para o futuro?
Meu objetivo depois que terminar o mestrado é iniciar o doutorado. O Rio é uma possibilidade, pela linha de pesquisa de produção da UFRJ, que me atrai bastante. Meu desejo é me tornar professor universitário com foco na produção de poéticas visuais contemporâneas.Tenho intenção de aliar a investigação poética prática - o que envolve materiais, memórias, desejos e aspirações dos alunos - à investigação teórica com base nos escritos de artistas e teóricos que pensaram a produção poética.

O que você faz nas horas vagas?
Gosto de correr, malhar, ver filmes, sair com amigos para barzinhos, sair para dançar e adoro ficar altas horas na internetconhecendo pessoas do mundo todo. Nas férias de dezembro e janeiro costumo ficar na casa dos meus pais, com minha família: meu irmão Izidoro, minha irmã Renata e meu gato Tico.

Série: Diário do Luto.








Poéticas do luto, imagem 1, sem título, 2011



Poéticas do Luto, imagem2, sem título, 2011.


Poéticas do Luto, Imagem 3, sem título, 2011.



Poéticas do Luto, imagem 4, sem título (2011)


Poéticas do Luto, imagem 5, sem título, 2011.



Poética do Luto, figura 6, sem título, 2011.


Poéticas do Luto, figura 7, sem título, 2011.



Poéticas do luto, figura 8, sem título, 2011.




Poéticas do luto, figura 9, sem título, 2011



Poéticas do luto, figura 10, sem título, 2011.



Poéticas do luto, figura 10, sem título, 2011.





A memória negocia como registro acontecimentos do passado que devemos reter ou que podemos apagar esse jogo opera de forma não linear, é no presente que se realizam as lembranças e nelas se formam imagens mentais que organizam a ordem das coisas vividas no passado. Sobre essa perspectiva de criação, buscando por uma visualidade da memória que neste portfólio, apresento 10 imagens da série Poéticas do luto.
Em minha pesquisa a imagem do meu avô recebe a incorporação de técnicas de desenho e pintura, durante o processo de criação, que são posteriormente digitalizadas e mais uma vez interferidas com o uso do programa adobe photoshop. As imagens apresentadas no presente portfólio podem ser impressas em tamanhos variados.





Formação acadêmica:





Bacharel em artes plásticas pela Universidade Federal de Goiás, UFG, Brasil. 2004. Mestrando em Arte e Cultura Visual pela mesma instituição.

Participação em exposições:



Mostra fotográfica: Outras Imagens no SUTRI – Restaurante Café & Livraria. De 11 a 29 de julho de 2006, Goiânia. Curadoria Rogério Flori.
Exposição fotográfica: Por um Click. Goiânia Shopping, de 13 a 30 de julho, Goiânia. Curadoria Meire Marques.
Mercado de Artes. Centro cultural Octo Marques. Desenho e gravura, Goiânia 2006.
Mercado de Artes. Exposição de fotografia. Na sobreloja do Edifício Parthenon Center, Goiânia. 2007.
Intervention 2. Grupo ArTTeria. Intervenção urbana, 28 de março a 28 de maio de 2007. Aliança Francesa de Goiânia.
Exposição: Umas idéias, Galeria da Faculdade de Artes Visuais da UFG. 30 de Outubro a 04 de
Dezembro de 2007, Goiânia.


Exposição:
Pátria que o Pariu. Palácio da Cultura de 05 de setembro a 03 de outubro de 2008, Goiânia.
Exposição: Sala de arte + Design. Bazar Sophistiqué, Oliveiras Place, Goiânia, 30/ 04 a 02/05/10. Das 10 às 21hs.















2 comentários:

Regina Vieira disse...

Bom dia Vinicius
Muito bom seu trabalho, muito linda sua visão e concepção do mundo.
Paraabéns, e sucesso!!!

Regina Vieira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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