sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Conversando sobre Arte Entrevistada Isabel Sanson Portella



Com sólida formação acadêmica Isabel além de museóloga é curadora. Na entrevista, ela divide conosco sua experiência na Arte. Obrigado Isabel.


Isabel, conte um pouco de sua história pessoal 
Como uma boa aquariana  e carioca do dia 5 de fevereiro os meus interesses são diversos. Fiz a faculdade de museologia na Uni-Rio, escolha bem diferente de todos os meus amigos que optaram por arquitetura, direito ou engenharia. Depois fiz o curso de pós graduação da PUC em História da Arte e Arquitetura do Brasil e não parei mais de estudar.  Fiz mestrado em crítica de arte na EBA e em 2010 terminei o doutorado em crítica de arte também na Escola de Belas Artes da UFRJ. Há cinco anos atrás fiz o concurso do então IPHAN hoje IBRAM e atualmente trabalho no Museu da República como pesquisadora de acervo e como consultora de exposições na Galeria do Lago – Espaço de Arte Contemporânea do Museu.



Como foi sua formação artística?
Durante muitos anos atuei na área museológica como conservadora e restauradora de quadros e papel.  Como a grande maioria dos quadros eram do século XIX e nesse período estava estudando e pesquisando sobre o pintor Antonio Parreiras, minha formação inicial foi voltada para arte brasileira do XIX.

 Que artista influenciam seu pensamento?
Na Pós da PUC e no mestrado da EBA fiz um trabalho sobre pintura de paisagem no século XIX e o artista do Grupo Grimm Antonio Parreiras. Nesse momento, pesquisei paisagem, romantismo alemão e isso me abriu o olhar para entender o percurso da arte brasileira.


O que é necessário para ser um curador?
Olha, acredito que não exista uma formula, mas um olhar voltado para o todo. Quando fiz uma curadoria coletiva como O Jardim das Delícias em 2006, nos Jardins do Museu da República, juntamente com outros dois curadores, nós procuramos a arte performática e a utilização do espaço público e aberto do museu. O nosso intuito foi de levar a arte contemporânea a todos. E assim fiz também com a exposição SESC Arte 24 horas, uma exposição que foi realizada em 2010 em exatas 24 horas onde  priorizava o Working in progress e o site specific. Outro trabalho coletivo que me deu muito prazer foi a exposição Parágrafo 0 realizada no Museu da Maré. Foi um convite feito pelos organizadores do museu para pensar a questão da moradia em relação à constituição de 1988. E como para os moradores a questão da moradia é um ponto muito crucial, resolvemos chamar dez artistas contemporâneos para tratar esse assunto.
Esses foram algumas curadorias coletivas mas tenho feito trabalhos com artistas individuais como foi para exposição Toys é nóis de Claudia Hersz e Arte Lúdica de Patrícia Gouvêa. Esses dois casos eu nem considero curadoria, mas sim um trabalho de acompanhamento e reflexão sobre uma obra  que eles já tinham em mente, um suporte na realização de um texto que ajuda  a ressaltar alguns pontos e trazer à tona outros.
Esse último trabalho com a Patrícia Gouvêa e a Isabel Lofgren,  Banco de Tempo (Galeria do Lago do Museu da República) foi um convite da Martha Niklaus para escolher os próximos artistas para a série Duplas, um programa da galeria. Nessa Serie são selecionados dois artistas que trabalham juntos (ou tenham uma grande afinidade) e que possam criar conjuntamente um trabalho especificamente para a Galeria. A única recomendação é que esse trabalho seja inédito e que tenha um link com o museu, com o parque, com a história da República. As artistas passaram mais de um ano pesquisando e experimentando no Museu e assim surgiu o Banco de tempo.


Não havendo um curso específico para formação de curadores, que sua sugestão você daria
 para aqueles que se interessam pelo tema?
Frequentar  todas as exposição do circuito, visitar os artistas em seus ateliês e ler muito, estar sempre estudando.


Você escolhe o artista ou o artista escolhe você para realizar uma curadoria?
RS, RS, RS as duas coisas. No caso das coletivas eu escolho e nas individuais já existe um encaminhamento de afinidades.


De que maneira o curador é remunerado?
Bom, quando são exposições na Galeria do Lago isso já faz parte do meu trabalho e está embutido no meu salário como funcionária da casa. Nos projetos grandes são convites ou através de editais. No caso da Maré foi totalmente sem remuneração aceitei, pois achei o projeto bárbaro.


Além dos estudos sobre arte, o que serve de inspiração?
Uma viagem, um artigo de jornal ou revista, um livro, na verdade as idéias surgem nos momentos de lazer.

 Qual sua opinião sobre os Salões de Arte?
Acredito que seja importante, para o artista que está começando, participar de um ou dois, mas depois não acho que seja relevante.

 A multiplicação de Bienais e Feiras de Arte interfere no trabalho dos artistas?
Acredito que sim. Acho que o artista precisa de tempo de ateliê. Não necessita ficar preso a este espaço, mas deve  refletir, pensar na obra e quando se tem tantas obrigações de agenda  e fica um compromisso em apresentar novidades que nem sempre estão totalmente amadurecidas para eles.

 Que artista estrangeiro você gostaria de realizar uma exposição?
Bom, aqui resolvi viajar e escolher os artistas que gosto muito, mas pouco prováveis, mas quem sabe um dia? O dinamarquês Ólafur Eliasson e a artista nascida na Colombia Doris Salcedo.


Quais são seus planos para o futuro?
Tem um livro que estou fazendo agora sobre uma artista e tenho projetos que estou tentando em São Paulo.

 O que faz nas horas vagas?
Vou ver algumas exposições que não tive tempo durante a semana, viajo e vou muito a cinema, que ADORO!!




Uma das exposições com curadoria de Isabel Sanson de Portela

Um comentário:

Rosa Damasceno Paranhos disse...

touExcelente trajetória e entrevista. Marcio, como sempre esta de parabéns pelas suas escolhas. :)

Maurizio Cattelan

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