sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Damien Hirst Os tanques de formol



Damien Hirst  Skull



Damien Hirst (1965-) Nasceu em Bristol. Cresceu em Leeds. Aos 12 anos, soube que aquele considerado seu pai, abandonou sua mãe e não era o seu pai biológico. Sua adolescência foi problemática tendo sido preso por duas vezes. Em 1986, foi admitido na Golsmith Schooll of Art, London University. Graças ao artista e professor Michael Craig-Martin, introdutor de novo e estimulante currículo na tradicional escola, foi possível desenvolver uma nova geração de artistas ingleses. Em 1988, no segundo ano da faculdade, Hirst organizou a exposição Freeze, nas docas do porto de Londres, com participação de outros estudantes. A mostra fez sucesso e chamou atenção do colecionador Charles Saatchi, que passou a apoiar o grupo chamado de Young British Artists. Mais adiante, Saatchi organizou a exposição Sensation com parte daquele grupo e mais alguns jovens. Com esse estímulo, Damien Hirst começou sua carreira de sucesso profissional e financeiro tornando-se um dos mais poderosos artistas da arte contemporânea. Em 1983, um desentendimento entre o artista e o colecionador interrompeu a parceria. A época, Hirst estava envolvido com drogas e alcool, tendo abandonado a dependência após sua relaçao com Maia Norman e o nascimento de seus tres filhos. O extraordinário sucesso financeiro tornou-o milionário e um dos mais poderosos artistas da arte contemporânea. Damien possui uma excepcional coleção particular de arte, hospedada em uma propiedade de 300 cômodos adquirida pelo artista.
  O principal tema de sua obra é a morte ou a impossibilidade de admití-la. O tema pode ser visto nas obras em que animais mortos são conservados em tanques de formol. O artista ganhou o Turner Prize e participou da Bienal de Veneza e de São Paulo.




The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living (1991)


A Thousand Years (1991)


Mother and Child Divided (1993)


Away from the Flock (1994)


The Golden Calf  (2008)



The Incredible Jouney


The Dream


The Broken Dream


 Pigs Might Fly


O castelo de Damien Hirst transformado em museu para abrigar sua coleção.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Lady Gaga Damien Hirst


Lady Gaga toca o piano criado por Damien Hirst no jantar de gala em comemoração do 35o aniversário do MOCA, São Francisco

Icléa Goldberg Objetos Extremos Galeria Anna Maria Niemeyer

Conversando sobre Arte Entrevistada Rosane Chonchol






"Nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas." Cora Coralina

Rosane Chonchol





Rosane fale um pouco sobre sua atuação na arte e na literatura.


Sou carioca,psicanalista e artista. Açúcar Invertido II - Res do Chão in Edson Barrus’s loft - Williamburg Brooklyn 71 North Street - Americas Society AS A SATELITE supported by Andy Warhol Foundation for the Visual Arts - New York - EUA. Urban Flesh and Blood - The Kaliningrad Branch of the Arts - Cinema Barricades, Kaliningrad, Russia. Filme feito com colaboração da CET Rio. Caotic Traffic in Brazil. Branco do Olho - Salinha de Arte de Recife.Galeria La Pigna pertencente ao Vaticano.Patrocínio Polaroid para varias exposições. Teve uma passagem concedida pelo Ministério da Cultura para Lisboa, onde iria apresentar uma exposição denominada “Frações da Obra Negra” na Galeria Novo Espaço D’Arte - esta mostra foi cancelada devido ao atentado de 11 de Setembro coincidir com a vernissage. Escreveu e ilustrou o livro de contos “O Rabino e o Psicanalista”, Ed.Taurus,1984. Atuou como fotógrafa de shows de musica instrumental no Jazzmania/RJ, criou uma escultura em areia para a capa do CD “Ruínas da Babilônia”, da Tribo de Jah, foi selecionada pela PETROBRÁS para a execução de dois murais de 18 m² cada um, na sede da companhia, na Praça Onze, no Rio de Janeiro. Colaborou com Celeida Tostes na execução dos “Amassadinhos” no Chapéu Mangueira e no Casarão - esta obra foi para a Bienal de São Paulo.Tem obras publicadas em algumas edições da Revista Galeria, poesias publicadas em várias Coletâneas Poéticas e escreveu durante anos para revistas e jornais. Foi convidada por José Louzeiro para fazer parte da diretoria do Sindicato dos Escritores.Compôs inúmeras canções, Nelson Motta quis que fizesse parceria com sua mãe, pianista, porem acabamos desistindo do projeto. Adaptou uma tela sua para compor o cenário da peça “Do, Ré, Mi, faz Sol”, encenada em toda a rede de Hospitais Pediátricos e Psiquiátricos do Município do Rio de Janeiro.Acervos permanentes: Galeria do Instituto Cultural Brasil - Estados Unidos, no Centro Cultural Cândido Mendes no Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna de Resende no Estado do RJ, no Ministério da Justiça em Lisboa; e em coleções particulares e Instituições Culturais no Brasil e no exterior. Atualmente divide seu cotidiano entre São Paulo e Rio de Janeiro.


Como você começou a se interessar pela arte?
Minha formação começou na Escola Americana, no pré primário. Lá, passavam filmes de artistas contemporâneos e pediam que desenhassemos livemente. Como passei a maior parte de minha adolescência estudando na Europa, tive a oportunidade de frequentar diferentes museus e inúmeras exposições.. Meu grande ídolo é Jorge Guinle, que era meu grande amigo.

Como foi sua formação artística?
Comecei os estudos com Maria Teresa Vieira, que chamou minha obra de lisérgica. Depois, fui estudar na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, onde frequentei diferentes cursos durante 20 anos. Fui aluna de Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Luiz Pisarro, Celeida Tostes, Xico Chaves, Katie van Sherpenberg, Guido Bonfanti, Molica, Reynaldo Roels, George Kornis, Dionísio del Santo e Wilson Coutinho.

Como você descreve sua obra?
minha obra é pós moderna e eclética
Que artistas influenciam seu pensamento
 Como pintor Gerhard Richter me influenciou muito.  Professores brasileiros que me deram um grande empurão foram Daniel Senise e Nelson Leirner
Qual foi sua exposição mais importante?
Minha exposição mais importante foi censurada na EAV do Parque Lage 20 minutos antes de começar, eram fotos de nus, tive de expo-las no exterior, numa galeria na Alemanha e em São Paulo na casa da Xiclet.
Além de arista você é psicanalista, como essas atividades interagem?
Sou psicanalista de formação e trabalhei no meu consultório com convênio com a Cassi por mais de duas décadas, o dia que senti que tinha recursos para abandonar o consultório e o Hospital Jesus, que foi um trabalho muito doloroso e gratuito, porém altamente gratificante, passei a dedicar-me à arte. Sou astrologa por paixão, e escritora desde criança ganhando muitos prêmios em concursos

Você tem uma rotina de trabalho?
Sim, tenho rotina, acordo cedo para pintar.

O que pensa das Bienais e Feira de Arte?
Penso que a feira que está acontecendo agora no Rio é uma volta dos tempos  áureos da arte.

Você pode nos dizer o que é o Partido da Arte.
Lancei o Partido da Arte em Junho de 2001, em Praça Pública, como uma obra poética. Tinha uma grande faixa com os dizeres PARTIDO DA ARTE estendida e sustentada por duas arvores, e uma mesa com o livro de assinaturas de adesão. Como esta performance aconteceu durante um evento de arte, muitos assinaram. Teve gente que levou o gesto ao pé da letra e alegou que já era filiado a outro partido político, portanto não podia assinar. Na realidade tratava-se mais de um livro de assinaturas de presença em exposição de arte.
Dei prosseguimento ao trabalho, criando imãs e adesivos. Levei para a Zona Franca e montei um mini mural do Partido da Arte. Na ocasião, Alexandre Vogler se animou tanto que propôs de recolhermos um numero “x” de assinaturas que nos permitiria legalizar o Partido, assim ganharíamos uns minutos no Horário Eleitoral Gratuito na TV que poderiam ser utilizados para a realização de performances. Alguns artistas se propuseram a se candidatar, pois eu era simplesmente a fundadora do Partido e não estava me candidatando a nada alem de criar um bom trabalho de arte. Achei desnecessario dar prosseguimento à obra desta forma e deixei só a IDEIA pairando no ar.
Mês passado me surpreendi ao ver o adesivo original ainda num vidro do bar da Escola de Artes Visuais, só o mudaram de lugar; e de ver que o mesmo ainda se encontra num vidro do CCBB e em outros lugares, como, por exemplo, na padaria do Posto de Gasolina perto de minha casa. São seis anos e meio, gente, muita água já rolou neste tempo. Teve gente que já mudou de carro, mas conservou o adesivo, passando-o para o vidro do novo automóvel. E, inacreditavelmente este pequeno adesivo branco em formato de letras descoladas, foi visto numa pequena cidade de praia no sul da França.
O PARTIDO É DE VOCÊS! 

Quais são seus planos para o futuro?
Meus planos são de aprimorar cada vez mais minha arte, de pesquisar muito e ensinar aos meus alunos tudo do melhor

O que você faz nas horas vagas?
Nas horas vagas sou cinéfila convicta e devoradora de literatura, no momento estou relendo O Castelo da Pureza de Octavio Paz

























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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Conversando sobre Arte Entrevistado Jimson Vilela



Jimson Vilela   Foto Jaime Acioli
Jimson Vilela atualmente em São Paulo. As fotos de seus trabalhos estão em sua página, endereço abaixo. Obrigado Jimson.

Jimson a intenção é ouvir o artista e saber algo mais de pessoal sobre ele. Considere as perguntas relevantes e se necessário acrescente o que desejar. Abraço. Obrigado. Marcio
Marcio, acharei relevante o que você achar relevante ser falado. Eu acho necessário que tudo isso (mensagem que começa com o meu nome e vai até o ponto final que você colocou no final dela seja exposto ao leitor. Não sei o que isso pode acrescentar ou o que acrescentar. Espero que considere o meu desejo. Um abraço. Obrigado (caso o considere). Obrigado pelo convite. Jimson

Fale algo sobre sua vida pessoal. Ex local e data do nascimento, profissão dos pais, cidade que mora, escolas e universidade.
Como foi sua formação artística?
Nasci no Rio de Janeiro. Vivo e trabalho em São Paulo. Meus pais são aposentados (foram técnicos em eletrotécnica), meus familiares e alguns amigos são meus maiores apoiadores e as vezes parceiros e fontes de trabalho. Sou formado bacharel em Artes Visuais pela UERJ, fiz Parque Lage graças a generosidade de alguns professores muito queridos para mim, na mesma instituição fiz parte do Programa de Aprofundamento 2010; e atualmente sou integrante do Programa PIESP da Escola São Paulo e do Rumos do Itaú Cultural.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Vou subverter a pergunta e falar de gente com quem de fato eu converso. Sem qualquer hierarquia: Enrica Bernardelli, Regina Melim, Fábio Morais, Romano, Ronald Duarte, Erica Ferrari, Carolina Caliento, Rafael RG, Maria Laet. São artistas com quem de fato eu converso sobre arte e sobre decisões a serem tomadas em diversos âmbitos; são artistas de diferentes idades e percepções sobre arte e vida. Eles ativamente influenciam o meu pensamento.

Como você descreve sua obra?
(5 minutos após ler a pergunta) No que eu faço há um interesse em como o texto (gráfico, falado, visual, histórico, contextual, ... ) influencia o corpo.
Você produziu um livro de artista, há planos para outros? Como você vê o livro de artista dentro da arte?
Sim. (após pensar sobre o que seria dentro da arte) O livro é um lugar de memória, ele é o único objeto do mundo cuja função não é ser uma ferramenta anatômica do corpo. Ele é uma extensão da memória (meu irmão me mostrou um livro em que J. L. Borges fala sobre isso), por consequência a memória é um lugar de invenção (isso já não é culpa do Borges, ou, talvez seja). Tudo o que temos enquanto memória é um recorte (pessoal, político, estético, etc) do que consideramos como real. Livros guardam a memória ficção-real de tudo ou quase tudo aquilo que se pode nomear ou já tem um nome (dei um salto na ideia aqui se quiser eu volto e falo mais pausado) [escrevi isso em longas pausas]
O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
escrevi muitas coisas antes, mas enquanto escrevia reparei que elas dizem respeito a ser artista e não a essa situação de representação que envolve a pergunta, apaguei e deixei apenas isso] Ser sério, se levar a sério. Ter um trabalho sério, levar o trabalho a sério. Ao meu ver é isso que faz um artista ser representado por uma galeria séria.
Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
Qualquer coisa. Eu me distraio facilmente e constantemente. (pausa até a próxima pergunta)
Você tem uma rotina de trabalho?
Não. Eu tenho uma rotina de vida
O que você pensa sobre os Salões de Arte?
Penso que (acho que não penso muita coisa sobre) são lugares de visibilidade e de construção de uma carreira onde o artista tem o poder de construir sua "imagem" sem necessariamente passar pelo aval do circuito de arte de sua localidade. Aja vista que há diversos "critérios" que criam esse "circuito local". Uma expressão melhor do que o salão de arte seria edital público onde, talvez, os critérios apresentados sejam mais claros ao artista.

Qual sua opinião sobre as Bienais e Feiras de Arte?
Eu gosto quando elas são bem organizadas, criteriosas e acessíveis.

Quais são seus planos para o futur?
1 Acreditar mais no destino, a história dará a razão.
2. Perseverança e retidão.
3. Continuar a aceitar o acaso.

O que você faz nas horas vagas?
Durmo.

Espaço livre para comentários.
Espero que ao ler essa conversa você fique inquieto, e até com motivos para e me escrever.
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Jimson Vilela


+ 55 11 6076 8337
+ 55 21 9979 6237
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terça-feira, 27 de setembro de 2011

José Maria Dias da Cruz Considerações sobre Pintura






A novidade é que retornei às naturezas mortas. Segue a terceira que pintei, e creio que já está melhor que as anteriores. Estou pensando em depois escrever algo para acompanhá-la. O título ainda estou pensando; "Aión, Eternidade Egípcia e o Cinza Sempiterno?" Já fiz alguns desenhos, assemblages de pintura e poesia, abordando essa questão:será que perdemos o sentido de eternidade egípcia? Nessa natureza morta todos os objetos estão pintados frontalmente e criam conjuntos.T de torre e tampa; P de peão, pote e pera; E de escaravelho eespelho. O escaravelho de outra espécie era cultuado no antigo Egito.O que está pintado é mais agressivo. Daí a torre para nos abrigar e proteger, ou o pote tampado
para que se possa guardar algo. A maria-sem-vergonha gestalticamente exigiria um espaço plástico exclusivo. Mas a manifestação do cz semp, que cria um espaço plástico inclusivo, absorve-a. Nosso olhar primeiro, por conta dessa flor, é logo sincrético. Vemos o todo. O olhar mais analítico se faz depois se quisermos. Isto sobretudo também pela atmosfera que se cria entre o quadro e o pintor, como nos ensinou Cézanne. (na foto isso pouco se vê mas com o quadro ao vivo percebe-se
mesmo). Temos, então, uma questão toplológica, pois há uma fronteira entre esta atmosfera e o espaço no qual nos orientamos. O curioso é que essa atmosfera tende mais para o azulado, mas há uma outra criada pelo espelho, essa mais amarelada. Duas atmosferas em processo de harmonização e  desarmonização que criam uma dinâmica que se reorganiza em outro nível de realidade, e aí está o que sempre discuto: vida morte e ressurreição. E tem as questões temporais, no caso o Aión, ou
o tempo das coisas, assim como está no Eclesiastes: "Todas as coisas têm seu tempo." E por aí vai. Está tudo muito resumido. Por isso digo que é uma obra bem conceitual com mais perguntas que respostas.
Gostaria de saber sua opinião, sempre ficamos com muitas dúvidas, não
pela qualidade do quadro, mas por que me pergunto, o que virá depois? Há a representação de um Peão em claro escuro, ou seja, modelado. Nas regras do jogo de xadrez é uma peça importantíssima para a estratégia do jogo. E a única peça que avança, é a regra, e pode chegar àsfileiras das últimas casas. Diz a regra que aí ele pode se transformar em qualquer outra peça: ou o rei, a rainha, etc, e até mesmo continuar a ser um peão, mas isso jamais acontece, pois ele ficaria imóvel e sem utilidade.O fato é que se esgotou o que vinha fazendo: as formas dos coloridos.Vou anexar a imagem de um quadro para você ter uma idéia. Pode ser até que volte a elas depois dessas naturezas mortas. Essa natureza morta é também uma reverência aos dois gênios do século XX nas artes plásticas, Braque e Duchamp, este último com mais evidência: TE de T, ou as três letra que estão na palavra tempo. O curioso é que escrevi no meu livro A Cor e O Cinza, há muito tempo atrás, a seguinte frase: "Mata-se o movimento. A tudo isso se opõe um tratamento em pinceladas mecânicas como um tique taque de um relógio, ou para os que hão de vir, como a intermitência e o silêncio de um relógio digital. A vida balizada entre meu nascimento e morte e um espaço ilimitado."
Já enviei para alguns amigos e recebi de uma professora de história das artes da PUC-Rio, Ana Marcela França, um e-mail animador.
Segue abaixo.

Abç
JM
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oi ze,

Gostei muito dessas naturezas mortas. O fato dos ''objetos'' estarem figurados em um não espaço realmente me seduziu...um não espaço e logo um não tempo...cabe bem ao aion, mas tabém ao kairon, o tempo oportuno que se dá com o espectador...a arte é incrivel mesmo, por causa desse encontro com o espectador que a faz existir de fato esse embate.
um grande beijo,
ana.

Conversando sobre Arte Entrevistado Daniel Pellegrim


Daniel Pellegrim




Daniel, fale algo de sua vida pessoal.
Tenho trinta e seis anos, nasci em Marialva, norte do Paraná. Mudei-me com a família para Cuiabá, MT, aos 12 anos (1986). Sou formado em Direito (1998) e atuei como produtor cultural de 1998 a 2003, quando então concluí a especialização em Planejamento e Gestão Cultural e mudei-me para Chapada dos Guimarães. Nessa cidade, implantei uma Galeria de Arte (2003/2008) como resultado da especialização e exerci o cargo de secretário municipal de cultura, turismo e meio ambiente (2004/2008). Sou casado e tenho uma filha de quatro anos.

Como você se envolveu com a arte?
Assim como muitos artistas, foi na infância, observando, desenhando, brincando, etc, porém a motivação para me profissionalizar aconteceu em 1998, quando fui selecionado para as coletivas: XVII Salão Jovem Arte Mato-grossense e II Salão Plástica Amazônia.

Qual foi sua formação artística?
Sou autodidata, contudo fiz alguns cursos (gravura em metal, arte digital, serigrafia) e também planejei e geri exposições e festivais de artes integradas. Nesses trabalhos, pude conviver e trocar informações com artistas de diferentes áreas.

Como você descreve sua obra?
Minhas obras são criadas a partir do gesto livre, da observação e da experimentação. Interesso-me por todo tipo de grafismo, arte experimental e figuração livre. Complexifico as obras com repetições, rearranjos, possibilitando múltiplas interpretações.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Do ponto de vista histórico, alinho-me com artistas que participaram de movimentos como: Dadaísmo; Surrealismo; Pop Art; Arte Conceitual; Grafitti e Toy Art. Pude perceber estudando a história da arte que meus desenhos possuem padrões de diversas origens e misturam aspectos modernos como os observados na obra do catalão Joan Miró (surrealismo abstrato), no cubismo do pintor francês Jules-Fernand-Henri Léger, que teve forte influência no modernismo brasileiro (Tarcila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro, etc), na abstração biomorfa da última fase de Wassily Kandinsky, com a arte tradicional presente nas ornamentações dos Vinkings, dos Celtas, dos Incas, muitas vezes com cores e traços que nos remetem ao artesanato marroquino, aos azulejos mexicanos, aos arabescos andaluzes, aos enlaces do barroco e do rococó, aos tapetes persas e ao grafismo indígena brasileiro.  Se fosse para eu escolher apenas três nomes escolheria Joan Miró, Pablo Picasso e Andy Warhol. Hoje em dia Jeff Koonns, Takashi Murakami, Franz Ackermann, Banksy, entre outros, dão novo fôlego ao movimento pop contemporâneo.

Desenho, pintura, fotografia e escultura, como elas se ligam? Alguma preferência?
Não tenho preferências, nem preconceitos técnicos, o que vale é a obra, os processos de criação. O trabalho pelo viés da experimentação me possibilita desenvolver diversas linguagens, não é necessário que elas tenham ligação umas com as outras, contudo podem se articular, por exemplo, por meio de uma instalação – hoje, tenho me dedicado mais às instalações, muito embora ainda não tenha conseguido mostrá-las.

O que você pensa das Bienais e Feiras de Arte?
Mesmo com todas as críticas são dois tipos de eventos diferentes e muito importantes no mundo da arte. As Bienais costumam legitimar artistas e tendências através de determinado perfil de seleção, dando a eles grande notoriedade. Já as Feiras de Arte buscam selecionar galerias que representam artistas com liquidez de mercado, o foco é a comercialização. Muitas das obras selecionadas para Bienais também vão para o mercado, mas acabam sendo incorporadas em acervos de grandes museus e coleções abertas ao grande público, diferentemente das Feiras de Arte, onde o público consome a produção que fica, de modo geral, em pequenas coleções, no âmbito privado.

Qual foi sua exposição mais importante?
Não sei avaliar. Contudo, hoje, vejo que a exposição “Objeto Encontrado”, que fiz através do Circuito Cultural Banco do Brasil, em 2001, estava sincronizada com a produção dos grandes centros de arte. Para esta exposição utilizei um processo de experimentação onde digitalizo pequenas instalações montadas sobre o scanner e faço a ampliação das imagens em telas. Na época, poucas pessoas compreenderam a produção em Cuiabá, mas esteve lá Gilberto Chateaubriand que me vendo perguntou: “O que você está fazendo aqui?” E comprou três trabalhos para sua coleção.

Você pode falar sobre o Pellegrim Studio Galeria?
Hoje é apenas um silencioso recanto ecológico, meu ateliê. Depois que fechei a Pellegrim Galeria de Arte, no centro de Chapada dos Guimarães, em 2008, tentei transformar meu estúdio em galeria, fiz alguns eventos por lá, mas confesso que as constantes visitas faziam diminuir meu ritmo de trabalho.

Você começou sua carreira em Cuiabá e agora está em Brasília, como está o desenvolvimento da arte contemporânea nessas duas cidades?
Nas décadas de 1960 e 1970 o poeta visual Wladimir Dias Pino (Poesia Concreta, Intensivismo, Poema Processo), juntamente com o poeta Silva Freire, entre outros, começaram a fazer um movimento nessa direção em Cuiabá, contudo na década de 1970 a UFMT priorizou o fomento à arte popular através da implantação do MACP (Museu de Arte e de Cultura Popular). Hoje Cuiabá reinicia este diálogo através do Mestrado em Estudos de Cultura Contemporânea (UFMT) e de ações e eventos no antigo Palácio da Instrução, mas ainda com poucos representantes, sem galerias ou museu especializados em arte contemporânea. Brasília, Goiânia e Anápolis formam o triângulo mais desenvolvido do Centro-Oeste. Em Brasília a UnB através do IdA (Instituto de Artes) é o principal motor no desenvolvimento da arte contemporânea. Brasília é bem equipada com bons espaços institucionais (CCBB, Museu Nacional, Caixa Cultural, Espaço Ecco, Funarte, etc) e recebe grandes exposições. Mas é importante frisar que os colecionadores parecem consumir mais arte moderna e popular, por isso as pequenas Galerias de Arte se arriscam pouco na apresentação de novas linguagens.

Quais são seus planos e projetos para o futuro?
Ampliar a produção, popularizá-la e prosseguir com os estudos (mestrado e doutorado).

O que faz nas horas vagas?
Gosto de música instrumental, de descobrir novos conteúdos na internet, de passeios ecológicos, culturais e gastronômicos, de conviver com a família. Hoje, não tenho uma rotina de trabalho fixa, trabalho e tempo livre se confundem.


Sem título

Sem título

Caverna Aro e Jary e Stum
Guará
Exposição na Casa de Arte Lara Matana (2010) Texto abaixo.
Luk ti! Amelí.
Bena mi, Gee.
Guará! Stum
Pellegrim traduz na sua obra o regional e o nacional para além de qualquer fronteira.
Experimental, lúdico, pós-moderno, alia suas atuais inquietações estéticas as questões da toy art*. Uma versão da arte pop contemporânea que apresenta a “arte brinquedo”, um movimento que utiliza desde às técnicas da reprodução em série até a produção artesanal e que, híbrido, comporta tanto a urbanidade, a tecnologia, como o underground e o nonsense. Uma estética que se apresenta através de personagens exóticos que podem ser meigos, inocentes, violentos, subversivos, cômicos, satíricos e até heróicos ou eróticos. O objetivo é sempre, na ordem inversa, causar estranhamento, reação do fruidor, como assoprar e morder, ou vice-versa.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Kiki Smith Gravuras



Kiki Smith


Kiki Smith (1974-) Nasceu em Nuremberg, Alemanha. Cresceu em New Jersey. Seu pai era o escultor Tony Smith. Graduou-se pela Hartford Art School. Trabalha com escultura, instalação e gravura discutindo temas religiosos e a relação do homem com os animais e vida, morte e ressureição. Algumas obras são baseadas na vida de Santa Genoveva. É artista conceitual ligado ao movimento feminista na arte. Recebeu a Skowhegam Medal para escultura e o Brooklin Kuseum The Woman Award. Vive e trabalha em Nova York.




Gang of Girls and Pack of Wolves (1999)


Born 2002 Litografia
Red Cap (2001)


Silver Bird (2006)


White Mamals (1998)

Noon (2007)

Unkown (Woman with Man in Coffin ) (2010) Foto Fabrice Gilbert.



Kiki Smith Her Memory  _ Fundació Joan Miró, 2009.


domingo, 25 de setembro de 2011

Dia da Árvore

 "He had no real friends except for trees".
Joacquim Gasquet





Rembrandt von Ryjn (1606-1669) Three Trees,1643. Gravura e ponta seca. Metropolitan Museum of Art, Nova York. 


Caspar David Friedrich (1774-1840) The Tree of Crows, 1822. Museu do Louvre, Paris.


Jean-Baptiste-Camille Corot (1796-1875) Fontainebleau Forest. The Oak, 1830. Coleção particular.


Willen Koekkoek (1839-1895) Cottage in Wood, 1860. National Gallery, Londres.

Camille Pissaro (1830-1903) Chestnut Trees At Osny, 1873. Coleção particular.



Paul Cèzanne (1839-1906) Poplar Trees, 1879-1882. Musée D'Orsay, Paris.



Vincent van Gogh (1853-1890) Peach Tree in Bloom (in Memory of Mauve), 1888.Amsterdã.


Claude Monet (1840-1926) The Four Trees, 1891. Metropolitan Museum of Art, Nova York.


Gustav Klimt (1862-1918) The Tree of Life, 1905. Museum Applied Arts, Viena.


 Piet Mondrian (1872-1944)  Grey Tree, 1912.


Joseph Beuys (1921-1986) 7000 Oaks Project, 1960)*. West 22nd Street between 10th e 11th Avenue, Nova York. Esse projeto de plantar 7000 carvalhos foi utilizado pelo artista para chamar a atenção da população para os problemas ecológicos.




Maurizio Cattelan (1960-) Sem título (1997) Oliveira e terra. Castello di Rivoli, Museo d' Art Contemporanea, Torino. A obra foi criada para  bienal Manifesta. A árvore viva contrasta com o luxuoso interior e faz referência à Arte Povera.



Sugestão: Maurizio Cattelan _ Phaidon Press, 2000.

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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