quinta-feira, 30 de junho de 2011

Conversando sobre Arte Entrevistado Marcelo Moscheta

Marcelo Moscheta
Quando se aprofunda na análise do currículo do Marcelo Mosqueta, percebe-se como foi solidamente pavimentada sua trajetória. Passou pelo crivo da seleção para vários salões e exposições em instituições culturais. Fez residência em Vila Nova de Cerdeira na Bienal de Portugal, recebeu bolsa da Fundação Iberê Camargo para estágio na École de Beaux-Arts. Prêmio na Bienal de Gravura de Liège, BélgicaVenceu o prêmio Pipa de 2010. É Mestre pela UNICAMP. Participou de inumeras exposições no Brasil e no exterior criando uma convergência de opinão de críticos, curadores, colegas, espectadores e do próprio mercado sobre a qualidade de sua obra. Um jovem de 31 anos, casado e pai de dois filhos trabalhando com desenhos, gravuras, objetos, fotografias, instalações e vídeos coloca-se em direção ao topo da arte contemporânea brasileira. Marcelo é representado pela Galeria Leme, SP. Vamos conhecer o pensamento do Marcelo, a quem agradeço e desejo o merecido sucesso.

Marcelo, fale algo sobre sua infância, família e estudos. 
Eu nasci em São José do Rio Preto, (SP) mas logo em seguida fui morar em Maringá (PR) de onde só saí para fazer a faculdade de artes Plásticas na UNICAMP em 1995. Mudamos para Maringá pois meu pai é biólogo e começou a dar aulas na Universidade Estadual de Maringá, então, sempre tive muito contato com os bastidores do mundo "acadêmico"... só que mais nas áreas da ciência e da biologia. Minha mãe é artesã e sempre trabalhou muito manualmente, eu acho que peguei um pouco dos dois quando decidi fazer arte... um lado mais solto que é o da minha mãe e um mais investigativo que é o do meu pai...Sou o mais velho de 3 irmãos.. Murilo, o do meio é psicólogo e o Mateus, o mais novo é ator e diretor teatral.

Como se deu seu encontro com à Arte? Qual foi sua formação artística?
Sempre gostei de desenhar e sempre fui muito incentivado pelos meus pais a fazer meus desenhos e "sujeiras" em casa. Depois não sabia muito bem o que fazer da vida na época do vestibular até que caí no curso de artes plásticas e acabei me encontrando, gostando de tudo aquilo e pude entender que era realmente o que queria fazer da vida. Em Maringá eu vivia muito isolado e sempre quis ir a museus e viajar mas nunca tive a chance... quando entrei na faculdade não conhecia absolutamente nada de arte, entrei porque gostava de desenhar.. à medida que fui conhecendo mais, viajando, visitando museus e galerias vi que aquilo era um mundo fantástico que eu queria fazer parte.





Você trabalha com pintura, gravura, fotografia, instalações e vídeos, como elas se comunicam?
Costumo dizer que a gravura é o ponto de partida de todos os trabalhos.. mais pelo pensamento gráfico que os norteia.. apesar do desenho ser o principal meio de expressão e construção do meu trabalho. as outras mídias são somente uma derivação do desenho. Se uso fotografia, se faço vídeo, é porque já fiz algo antes em desenho mas que ele não deu conta de "finalizar" a obra..

Como você descreve seu trabalho?
Vou te copiar uma outra entrevista, pode ser?? falei isso para o Ricardo Resende quando estava falando sobre o livro...eu acredito que não, não sou romântico... impossível sê-lo com tanto conhecimento sobre o mundo e o universo. uma das características fundamentais do romantismo era a aproximação com a natureza, a grandiosidade, o exótico... mas acho que hoje essas dimensões são de outra ordem. o planeta é muito mais dimensionado e científico (pesquisado) do que era e a percepção que temos hoje da natureza se refere mais à questões como preservação e mudança do clima. O espanto pela criação é movido pela identificação da terra como lugar a ser respeitado assim como nós queremos ser respeitados.. e nessa identificação, eu acredito, é que nos colocamos, como parte de um todo muito maior (o que também era no romantismo) mas esse todo agora tem uma dimensão bem diferente...
então, respondendo a sua pergunta, creio que tenho um espírito romântico, mas os artifícios que uso para entender o mundo são muito diferentes disso... GPS, coordenadas, cálculos... são muito matemáticos, muito frios.. o que tento fazer é encontrar a dimensão poética dentro desse entendimento do lugar.

Quais as fontes utilizadas para construção de sua obra?
A relação do homem com o espaço natural é a principal delas. O respeito, a reverência e o amor são as bases da contrução da minha poética. A natureza como a medida de todas as coisas e o homem, dentro de tudo isso como aquele que busca uma medida exterior para se entender, se conhecer, medir-se a si mesmo olhando para fora. Assim a natureza é sempre a protagonista, os lugares vazios, espaços imensos, inabitados, os esforços do homem para ir a lugares extremos do planeta, as grandes explorações do século XVII e XVIII onde os lugares mais distantes do planeta ainda eram um desafio. Gosto muito da idéia de Petrarca que foi o primeiro a subir uma montanha pelo simples prazer de subir, de contemplar o mundo, inaugurando o gênero paisagem na hsitória da arte. Esse ímpeto romântico, encontrado em Caspar David Friedrich, é algo fascinante para mim. Penso em como construir isso hoje em dia, como ter uma idéia barroca, "Deus Ex Machina" de forma contemporânea..

Que artistas influenciam seu pensamento?
Richard Long, Robert Smithson, Italo Calvino, Gerhard Richter, James Turrel... Gosto muito do Damien Hirst, do Damián Ortega, do Pedro Paiva + João Gusmão também. Tem também uma dupla de fotógafos espanhóis que se chama Bleda y Rosa... são fantásticos e trabalham com questões de memória/território interessantíssimos.

Você recebeu bolsa da Fundação Iberê Camargo para desenvolver um projeto na França, como foi a experiência?
Muito boa, ali começou a minha idéia de ser um viajando que usa a paisagem como matéria prima do trabalho. A idéia do projeto era um deslocamento pela paisagem da Bretanha e lembro de ter ficar extasiado com tudo o que via lá.. parecia que todos os meus poros estavam abertos para todos os sentidos e sensações.. foram dias intensos de aprendizado e criação onde fia um mergulho mesmo na cultura local. Essa idéia é apaixonante e sempre saem trabalhos muito bons, muito sinceros e isso me atrai muito. É dessa forma que tenho trabalho mais nos últimos anos.


O que significou vencer o prêmio Pipa?
Com o prêmio do Pipa pude ver que muito mais gente me conhece do que eu imagino... sinceramente não esperava ganhar.. tinha gente muito boa na lista. Fiquei muito feliz de poder consolidar meu trabalho no cenário nacional. São 10 anos de trabalho aqui em Campinas e esse isolamento às vezes atrapalha e acabo perdendo a referência de como está o circuito. A revista Bravo comentou sobre minha exposição deste ano na Galeria LEME e disse que eu "desfruto de reconhecimento da crítica"... não sei se isso é verdade mesmo, tenho minhas dúvidas, mas com certeza muita gente, inclusive críticos, viram meu trabalho depois do Pipa.

 O que é o Ateliê Inventio?
O ateliê inventio mudou de nome, agora é ateliê/8... é simplesmente meu lugar de trabalho. é um espaço coletivo, trabalho com outros 5 artistas: Danilo Perillo, Paula Éster, Gustavo Torrezan, Yuli Marti e Ivan Grilo, que é meu assitente também. Não é um coletivo, só compartilhamos as contas e o espaço, mas cada um tem seu próprio trabalho independente. é claro que existem trocas e é bacana poder fazê-las nesse ambiente de companheirismo e admiração.

 O que é preciso para um jovem artista seja respresentado por uma galeria?
Depende...eu diria tempo e trabalho, foi assim comigo. Não fui atrás, mas as galerias vieram quando o trabalho já estava minimamente maduro para ser representado... antes disso preferi ficar trabalhando sem ter nenhum comprometimento comercial, é mais fácil começar assim.. é o que eu acredito... apesar de não ser bem assim que as coisas acontecem hoje em dia.. galerias pegam artistas que ainda estão estudando, que não tem trabalho maduro e tentam "lapidá-lo".. isso eu acho muito ruim para o artista principalmente pois ele já começa a se comprometer com o sistema antes de ter o compromisso com sua poética.

Para alguns, a multiplicação de Bienais e Feiras de Arte fazem as galerias precionar o artista, fazendo-o produzir numa velocidade maior do que ele deseja, qual sua opinião?
É verdade, penso assim também.. é preciso saber dosar a ansiedade e mater-se fiel ao seu próprio trabalho e seu próprio tempo de pesquisa e maturação das obras. não é fácil pois o artista também quer ganhar dinheiro e se dar bem,.. mas nesse sentido é um trabalho como outro qualquer, lei da oferta e procura, quanro mais disponível, mais trabalho vem.. acho normal que aconteça assim pois todo o sistema capitalista funciona desta maneira, .. mas acho que os artistas precisam colocar seu tempo de produção como prioridade aos anseios do mercado.

 Na SP Arte foi lançado um livro sobre sua obra, qual foi a sensação em vê-lo pronto?
Muito emocionante, o projeto ficou lindo, os textos fantásticos, a produção muito bem acabada... tudo escelente para mim.. já tenho 2 filhos também.. agora falta plantar a árvore..!!


 Você é um dos mais conceituados jovens artistas brasileiros, já é possível viver exclusivamente da arte?
Obrigado pelo elogio.. acho que estou no caminho sim e isso me deixa feliz, pois faço o que gosto e consigo viver disso.. considero um grande privilégio. Muito amigos meus são ótimos artistas mas não conseguem vier exclusivamente do que produzem como artistas mas acredito que são situações muito distintas.. a vida de artista é muito dinâmica e há que se reinventar todo dia, o modo como penso, como faço, como guardo o dinheiro, como administro o tempo e os anseios.. os gastos, enfim.. como disse antes, considero um trabalho como todo outro, há que se ter um mínimo de organização também.. essa coisa de que artista é tudo desorganizado não dá mais.. o mundo é outro e é preciso produzir e administrar a carreira de um jeito diferente também.

A arte brasileira já pode concorrer no mercado internacional?
Já concorre a muito tempo... é muito bem valorizada e caminha para um reconhecimento cada vez maior. Com a estabilidade econômica brasileira e a visibilidade crescente que o país tem no exterior, a arte e a cultura se beneficiam de forma categórica. Temos visto nos últimos anos um detaque cada vez maior para nossos artistas contemporâneos como o Cildo, a Lygia Pape, o Oiticica, o Artur Barrio, sem falar no Vik, na Varejão, na Beatriz..

Quais são seus planos para o futuro? Bienais? Mercado internacional?
Estou finalizando os projetos para a Bienal do Mercosul, 3 séries de obras inéditas sendo uma enorme instalação com mais de 50 desenhos e rochas que coletei no Uruguai em maio, depois de 15 dias de viagens na fronteira. Também finalizo a gravura para o Clube de Colecionadores de Gravura do MAM SP e depois vou para Belém, como convidado do Arte Pará para trabalhar com o acervo do Museu Paraense Emílio Goeldi.. esse será um trabalho que farei junto com meu pai, numa parceria inédita ainda.. vamos ver no que vai dar.. ! Também tenho um projeto para a exposição Mapas Invisíveis, da Daniela Name aqui em São Paulo agora..Em outubro vou para o Pólo Norte, numa expedição que ficará 20 dias navegando em um veleiro dentro do círculo Polar ártico. Depois em dezembro preparo um projeto solo para a Feira Miami Basel, que farei com a Galeria Leme.

O que você faz nas horas vagas?
Gosto muito de esportes de aventura, de saídas para o mato, escaladas, treking... mas tenho preferido ficar com minha família.. com a chegada do Davi este ano, o tempo ficou bem curto e as "horas vagas" quase não existem.. tenho uma filha, a Elisa que está com 2 anos e as crianças demandam muito tempo.. mas depois que elas dormem (hehe) tento ver um filme... hehehe... o que nem sempre consigo pois acabo dormindo... enfim, vida de pai/artista! muito boa, estou muito feliz! para além do cansaço...

espero que tenha ficado bom!
Forte abraço Marcio!
Instalação RGB (red, green, blue) (2007) Paço das Artes.
Efêmeros (2005) Grafite sobre PVC 50x82, Museu de Arte Moderna da Bahia.

Estudo para o Espaço (2007). Algodão, caixa acrílica 22x22x24 cm.

Le Nouveau Paysage du Paralélle 48 (2008). Aquarela sobre 12 cartões postais antigos 22x30 cm cada.

Carbon Copy-Fragonard (2010) Monotipia Exposição More Sigonitrem. CC Maria Antônia, SP.

Desnível 003 (2007-2010) Foto polaróide e plotagem sobre papel 30x94 cm.


Atlas (2011) Galeria Leme.

Livro de Marcelo Moscheta. Editora BEI, 2011.


MARCELO MOSCHETA

+55 19 8111-1979

ateliê/8
rua antônio cezarino, 332
campinas . são paulo . brasil









quarta-feira, 29 de junho de 2011

Artistas pré-selecionados para o 36o SARP

36º SARP - Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional-Contemporâneo
Artistas pré-selecionados:
Adriana Amaral (Ribeirão Preto-SP)
Amanda Mei (São Paulo-SP)
André Andrade (Rio de Janeiro-RJ)
André Ricardo (São Paulo-SP)
Andréa Brown (Rio de Janeiro-SP)
Andréa Tavares (São Paulo-SP)
Bruno Kurru (São Paulo-SP)
Carolina Caliento (São Paulo-SP)
César Garcia (São Paulo-SP)
Diego de los Campos (Florianópolis-SC)
Erica Ferrari (São Paulo-SP)
Fábio Okamoto (São Paulo-SP)
Fabiola Racy (São Paulo-SP)
Flávia Ferreira (São Paulo-SP)
Glayson Arcanjo (Goiania-GO)
Hélio Martins (Ribeirão Preto-SP)
Lelena Santana (São Paulo-SP)
Luciano Deszo (São Paulo-SP)
Maria Mattos (Niterói-RJ)
Marlon Anjos (Curitiba-PR)
Mônica Tinoco (São Paulo-SP)
Nathan Tyger (São Paulo-SP)
Nilson Sato (São Paulo-SP)
Paló Pessoa (Ribeirão Preto-SP)
Paula Ordonhes (São Paulo-SP)
Pedro di Pietro (São Paulo-SP)
Renata Egreja (São Paulo-SP)
Renato Leal (São Paulo-SP)
Roberto Muller (Rio de Janeiro-RJ)
San Bertini (São Paulo-SP)
Sinval Garcia (São Paulo-SP)
Veridiana Leite (Rio de Janeiro-RJ)
Vitor Mizael (São Paulo-SP)
Vivian Kass (São Paulo-SP)
Viviane Teixeira (Rio de Janeiro-RJ)
Wagner Olino (São Paulo-SP)
Comissão de Seleção e Premiação:
José Spaniol, Regina Teixeira de Barros e Sérgio Romagnolo

Sherrie Levine Artista Conceitual

Sherrie Levine
Sherrie Levine (1947-) Nasceu em Hazliton, Pensilvânia. Graduou-se  e obteve o título de Mestre na University of Wisconsin. Artista conceitual e fotógrafa. Vive e trabalha em Nova York e no Novo México. Levine trabalha com apropriações. Sua obra mais conhecida foi a série After Walter Evans, na qual ela refotografou o album do famoso fotógrafo e colocou com sendo de sua autoria. Sua obra discute o uso político das imagens e a criatividade.

After Walter Evans MoMA, Nova York

The Mother Us All (2007) Art Institute of Chicago.

White Knock: 1 (1986) Gugenheim Museum, Nova York.

La Fortune (After Man Ray) (1980) Whitney Museum of American Art, New York.

Fashion Collage: 6  SFMOMA, São Francisco.

Body Mask (2007) Whitney Biennial 2008.

Pyramid Skull (2002)

Fountain: After Marcel Duchamp (1991)
The Cradle

Black Newborn.



Conversando sobre Arte Entrevistado Rafael Alonso

Rafael Alonso


Rafael Alonso é um dos jovens e admirados artistas da nova geração do Rio de Janeiro. Trabalha discutindo  pintura. Participou de vários salões no Brasil e no exterior. Foi selecionado para os Rumos Itaú Cultural. 2009. É representado pela Cosmocopa Galeria de Arte. Obrigado Rafael.

Fale algo sobre sua vida pessoal. 
Nasci em Niterói-RJ, filho de um economista e de uma advogada, irmão de um médico. Vivo e trabalho há vários anos no Rio. Sou formado em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ.

Como foi sua formação artística?
Sou formado em Pintura e atualmente curso o mestrado em linguagens visuais na EBA-UFRJ.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Cildo Meireles, Olafur Eliasson, David Batchelor, Richard Serra, Francis Alys

"Há uma nova geração que é difícil lidar: muitos são superficiais Trabalham para o mercado".Curador da Davos Hans M Herzog (O Globo) QUal é a sua opinião?
Não li a entrevista, comentar uma frase isolada é imprudente... mas acredito que em épocas de mercado aquecido como a que vivemos, esse fenômeno (artistas que trabalham para o mercado) se torne mais freqüente. É importante  lembrar que esta mesma submissão dos artistas em relação ao mercado está presente também na crítica de arte, todas as semanas vemos exemplos de curadorias completamente esvaziadas de reflexão, hospedadas tanto em galerias comerciais quanto em espaços institucionais. Quantas curadorias chamadas “nova pintura” houve nos últimos 2 anos? Acho que a crítica séria deve se fixar em garimpar os artistas mais interessantes desta geração e deixar o mercado lidar com suas questões.

Como você descreve sua obra?
Tento construir nos meus trabalhos relações entre a tradição da pintura e as situações, imagens, objetos do cotidiano que me estimulam.

Como você faz para divulgar a sua obra?
Participo de editais que julgo interessantes, profissionais, que respeitam o trabalho do artista.

 Você tem uma rotina de trabalho?
Claro! O que não quer dizer que passe o dia com a mão suja de tinta, acredito que a rotina deva incluir uma dose grande de reflexão e leitura.

 Qual sua opinião sobre os salões de arte?
Um dos diversos meios de circulação do trabalho do artista.

É possível viver de arte no Brasil?
Claro! Trabalhando bastante, é possível.


Objeto Indestrutível

Porta (2008)
Bandeira

Borracha


Casa

Passagem


Maria Fumaça


Take me Home



Sobre o trabalho de Rafael Alonso Ao entrarmos em contato com esta série de trabalhos de Rafael Alonso devemos entender duas sutis operações:
A primeira, e mais evidente, é a de execução e conseqüente registro de um ato compulsivo - inúmeros elásticos de borracha, como os encontrados em escritórios e salas de aula, são adicionados, um a um, a diversos suportes que vão desde pequenos tacos de madeira a sanduíches de lâminas de vidro. Os elásticos são colocados, lado a lado, de tal forma a assumirem, suavemente, o formato do suporte, ao envolvê-lo, constituindo tijolos geométricos de cor, como os módulos minimalistas.

A segunda, e mais elaborada, se dá no ambiente do real, onde o objeto é acrescentado - por meio de sua quase que total descaracterização. Mas, para uma melhor compreensão do fato, é necessário que conheçamos alguns detalhes de sua confecção: os elásticos são comprados em lojas varejistas, em geral mercados populares do Brasil, em sacos plásticos sendo que, neles uma inscrição é encontrada: "proud to say, made in USA". A frase sinaliza - explicitamente - a demonstração nacionalista e imperialista de uma potência mundial.

Quando o jovem artista brasileiro adquire tais objetos e dá-lhes uma nova configuração acaba por atingir e dar fim a essa essência básica - mas sem o aspecto piegas e exagerado de determinados revolucionários mais exaltados, mas sim, com sutileza de uma pequena sabotagem ou travessura: o objeto de consumo produzido num país-potência e exportado a um país subdesenvolvido tendo como objetivo o bem estar sócio-econômico do primeiro e achatamento do segundo, agora é um objeto de arte precário que, como já dito antes, ironicamente, nos remete à determinado momento da história da arte da potência - no caso a norte-americana - mas que é produto da América do Sul, mais especificamente o Brasil.

Outro aspecto de sua descaracterização é mais material que conceitual: da maneira em que os tijolos são confeccionados, fazem-nos perder a referência do material utilizado, tornando-o irreconhecível e gerando até certo ponto um estranhamento, fazendo-o não mais elásticos de borracha - mas tinta, como numa pintura tradicional.
Algo que, definitivamente não podemos afirmar - equivocadamente - é que ocorreu uma perda ou troca de função desses pequenos objetos - como na operação básica Duchampiana - pois o elástico ainda mantém sua função específica original: envolver, unir e sustentar outras estruturas. O que ocorre, sim, é sua potencialização a objeto artístico, fazendo-o ir além deste seu objetivo básico, se constituindo em uma estrutura capaz de atingir aspectos sociais, econômicos e estéticos da sociedade.
Alvaro Seixas

terça-feira, 28 de junho de 2011

Louise D.D. Galeria Cosmocopa

Como Eu Leo Ayres Galeria Oscar Cruz SP



O artista Leo Ayres inaugura Como Eu sua primeira individual em São Paulo. Será na Galeria Oscar Cruz SP

Conversa com Artista e Curador

Conversando sobre Arte Miguel Gontijo


Miguel Gontijo

Miguel Gontijo vive e trabalha em Belo Horizonte, prioriza asInstituições Culturais às galerias comerciais. Tem uma produção lenta, muito admirada por quem conhece sua obra. Esse ano, recebeu o prêmio de melhor artista do ano outorgado pela Instituto Brasileiro de Críticos de Arte. Miguel, obrigado por dividir conosco seu pensamento e seus excelentes trabalhos.

 Fale algo sobre sua vida pessoal. 
Minha vida é muito simples. Passo a maior parte do tempo no meu estúdio. Nasci em Santo Antônio do Monte no início da década de 50, uma pequena cidade mineira, na época com poucos recursos. Meu pai, industrial, e minha mãe, professora, supriram tudo que precisávamos para a nossa formação cultural. Passei a morar em Belo Horizonte, para continuar meus estudos, com 16 anos. Sou formado em História e Filosofia.

  Como foi sua formação artística?
A arte aconteceu em minha vida naturalmente. Pensei em ser tudo na vida, menos artista plástico. Sempre soube desenhar, mas não via nisso uma linguagem. Era uma diversão. A vida foi me encurralando e hoje vivo completamente em função disso. Exceto uma pós graduação em Arte Contemporânea que fiz na escola Guignard, em 2002, em forma de ‘reciclagem’, não tenho outra formação especifica nesse campo.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Gostaria muito de ter uma resposta para essa pergunta. Claro que meu pensamento é altamente influenciável, mas especificamente um autor, eu não sei. Tal qual minha obra, saio cortando parte de um ou outro artista e pensador e colando em mim. Como o personagem de Mary Shelley, acabei me transformando numa criatura sem nome, como a que produziu o Dr. Frankenstein. Meu pensamento, tal qual minha obra, é o reflexo disso. Algumas pessoas aparecem mais, como Dürer, Bachelard, Nietzsche, Bruegel e Fernando Pessoa; mas nada do qual possa jurar amor eterno. Sou infiel.

 Você está fora do eixo Rio São Paulo, isso influi em seu trabalho? Há mercado?
Claro que sim. São Paulo é a evidência, hoje, em relação às artes. Mas eu não sei se o meu trabalho daria conta de sobreviver lá. Isso porque eu não sou um artista de grande produção. Meu trabalho leva dias para sua execução. O mercado, hoje, quer é quantidade e isso eu não posso oferecer. Aqui em Belo Horizonte eu tenho um mercado que me consome. Sofro da “Síndrome do Ateliê Vazio”. Estou sempre querendo ter um ‘estoque’.

Como você descreve sua obra?
Basicamente ela se desenvolve em dois eixos: na força dos opostos e na destruição do tempo linear. Nada tem começo nem fim. São imagens em pedaço que ‘fingem’ (e existem) como um todo. O que quero não está na superfície.

 Como você faz para divulgar a sua obra?
Sou filho de instituições culturais. Isso me dá muito prazer. Poucas vezes incursionei em galerias comerciais. Nunca armei estratégias de marketing. Creio que colecionadores, amigos, salões, exposições, foram a sustentação da minha divulgação. Não posso também esquecer que a sorte é muito necessária para que as coisas deem certo. Muitas vezes estava no lugar certo na hora certa.

 Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
A poesia e a filosofia sempre foram meus grandes parceiros. Sou muito observador. Tenho muitos amigos e passo a vida fazendo deles as minhas cobaias. Estudo-os minuciosamente e vez por outra uso até seus rostos para falar alguma coisa deles em meus quadros.

 Você tem uma rotina de trabalho?
Sim. Acordo pouco antes das seis e vou direto para o meu estúdio. Leio até por volta das oito horas e então começo a fazer alguma coisa. Trabalho direto, de domingo a domingo, até o princípio da noite. A noite não sei fazer nada. Torno-me uma ‘topeira’. Durmo cedo e vejo bobagens da televisão.

  Qual sua opinião sobre os salões de arte?
Eu sou basicamente filho deles, na década 60\70. Hoje as carreiras dos jovens artistas começam nas galerias e nos leilões. Se o artista descobre uma fórmula de agrado do mercado ele se torna um artista (mesmo não sendo.); se não, ele está fadado a desaparecer. Os salões que vejo hoje por aí são decadentes e sem relevância. Hoje, com a facilidade de divulgação das imagens, as obras são previamente analisadas pelas fotografias postadas na internet. Não sei como não perceberam que a reprodutibilidade retira, na maioria das vezes, todo o ‘sabor’ de um bom trabalho. Por melhor que seja uma reprodução ela não revela a beleza de uma obra. Fica faltando sempre alguma coisa. Perdemos o poder da fruição. (Até mesmo a dimensão é necessária ao caráter da obra.) Falei da pintura, mas uma imagem tira a consistência de qualquer outro tipo técnico, exceto, obvio, a fotografia que é feita para essa cumprir essa função. As obras devem valer pelo que são feitas.

 Participar de Bienais está em seus planos?
Claro que gostaria de participar, sim. É a melhor vitrine que existe hoje. Mas por trás disso existe toda uma conjuntura que apenas meu desejo não resolve.

  Você acabou de ganhar o prêmio de melhor artista do ano, qual o significado para você?
Prêmio é bom. Incentiva. Não imaginava ganhá-lo, o que o tornou melhor. A ABCA é uma instituição idônea com representantes por todo o Brasil. Ganhei com votos de pessoas que não conheço, espalhados pelo país inteiro. Não sei se esse prêmio terá significado para o futuro. Ainda quero acreditar que, em termos de futuro, são meus trabalho que terão que defini-lo.

Quais são seus planos para o futuro?
Ter tempo disponível para produzir mais e mais e não me repetir.

  É possível viver de arte no Brasil?
É sim! Estou vivendo. È difícil.

 O que você faz nas horas vagas?
Continuo trabalhando. Sou compulsivo. Minha cabeça é desinquieta e minhas mãos têm que acompanhá-la a todo custo. Gosto disso. Fora disso, cinema é meu lazer. Porém, lá dentro, estou a cada de novas idéias.




Miguel Gontijo






Livro 1

Livro 2

Livro 3

Pintura 1 (2011)

Pintura 2 (2011)

Pintura 3 (2011)

Círculo Vicioso 2

Círculo Vicioso 3



Pintura Luminosa
Armarinho São Miguel





segunda-feira, 27 de junho de 2011

Passeios Culturais Ana Medrado e Cris Nadruz

Rashaw Griffin Artista Emergente Americano























Rashaw Griffin
Rashaw Griffin (1980-) Nasceu em Los Angeles. Graduou-se na Skowhegan School of Painting and Sculpture of Maryland. Mestrado na Yale University, New Haven. Prêmios para residência Fannie B Parden Prize, Yale University e Vermon Studio Center. Griffin começou a ter expressão no cenário da arte americana quando foi selecionado para a Whitney Biennial de 2008. A partir daí sua carreira cresceu com várias exposições nos Estados Unidos e Europa. Utiliza-se de objetos encontrados e outros de uso pessoal para construir uma discussão sobre paisagens sociais e sobre sua própria vida. Desenhos, pinturas, assemblages, instalações e esculturas. Vive e trabalha em Nova York.



Boo Rodley (2006) Saatchi Gallery. Trabalho apresentado na Whitney Biennial.

Instalação

Sem título

Díptico

A Suit (detalhe) There was nothing we could do (2008).

Ged (2008) Coleção particular



Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
Now