terça-feira, 31 de maio de 2011

Banquete Babilônia Patrizia D'Angelo




Patrizia D'Angelo na Amarelonegro Arte Contemporânea Curadoria Daniela Dame

Conversando sobre Arte Entrevistado Alvaro Seixas


Alvaro Seixas
Alvaro Seixas da nova geração que acredita na pintura. Um trabalho sério e de qualidade. Representado pela Amarelonegro Arte Contemporânea. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.


Alvaro, conte um pouco de sua vida.
Nasci no Rio de Janeiro, em 1982. Na minha infância e juventude morei na cidade de Nova Friburgo. No final de 2001, me mudei para Niterói, já que iria começar a estudar Pintura na Escola de Belas Artes da UFRJ.

Como apareceu a arte em sua vida?
O contato mais próximo especificamente com as artes plásticas começou muito cedo, antes dos dez anos de idade e, sem dúvida, deve-se ao meu pai, que é psiquiatra e artista plástico...lembro-me dos anos 90, de remexer os livros antigos e arquivos em nosso apartamento, ainda em Friburgo, e de “descobrir” nomes como Van Gogh e Georges Rouault. O contato [por imagens em livros exclusivamente] com a obra do Rouault, aliás, foi um fato importante para que eu pensasse em ser artista. Nessa época, lia e via o pouco que conseguia localizar sobre ele e também sobre os fauvistas e os expressionistas – já que a internet ainda não era tão densa quanto hoje [no que se refere a informações disponíveis e compras de livros importados]. De repente, começaram a aparecer muitas outras figuras, sempre ligadas à pintura – desde o Grupo Co.Br.A, passando pelo Cy Twombly até o Basquiat.

Qual foi sua formação artística?
Bem, depois de concluir minha graduação na Escola de Belas Artes, fiz mestrado em Linguagens Visuais também na EBA. Acabo de começar meu doutorado, também em Linguagens e na mesma instituição, onde estão importantes professores como Milton Machado [artista plástico] e Paulo Venâncio [curador e crítico de arte]. Não fiz cursos em paralelo, a não ser conviver com amigos artistas e que considero figuras de valor para minha formação, como Rafael Alonso e Hugo Houayek.

Quais artistas influenciaram seu pensamento?
São muitos, mas vou tentar ser econômico. De início eram nomes associados ao expressionismo e a influência era mais visual, o Rouault. Depois, outros apareceram: o Kazimir Malevich, expressionistas abstratos como Franz Kline, o Twombly e os Neo-Expressionistas. Durante o mestrado, passei a me interessar mais intensamente pela pintura e pelos escritos do Gerhard Richter.

O que significa ser um pintor no século XXI?
Essa atitude pode significar várias coisas. Uma vasta gama de artistas contemporâneos ilustres, com uma igualmente vasta gama de discursos, tem se valido da pintura ‘tradicional’ – os nomes vão desde o Luc Tuymans até o [polêmico] Damien Hirst. Eu, desde 2003, tenho explorado principalmente a noção de “arte abstrata” na pintura – mas, não me interessam apenas os aspectos formais que convencionamos chamar de “abstração”, mas também os embates discursivos que estes objetos [pinturas abstratas] vêm deflagrando desde sua concepção pelas vanguardas. A abstração na pintura pôde [e ainda pode] representar a mais pura essência da arte; afirmar a “morte”, monocromática, da própria pintura pela lógica; servir como degrau para formas mais evoluídas de arte; ser a projeção direta de sentimentos ocultos; constituir um agradável complemento decorativo para interiores; afirmar um gesto político...


Você tem uma rotina de trabalho?
Costumo pintar num dos dois quartos do apartamento onde moro, em Niterói. Gosto de acordar e ir direto para esse quarto para analisar ou dar prosseguimento aos meus trabalhos; ou trabalhar até bem perto da hora de ir dormir. Mas, parece-me que a “rotina” de trabalho de um artista [e especificamente de um pintor] não termina necessariamente no que geralmente chamamos de ateliê. As instalações formadas por pinturas, que venho fazendo há alguns anos, me lembram que a prática de um pintor [ou de um artista] pode se estender também a montagem e apresentação de suas próprias exposições [ou intervenções]. Há, ainda, atividades como mestrados, doutorados, escritos, aulas, palestras, seminários e entrevistas [como esta]. Uma “rotina artística” pode, portanto, permear os atos de pintar, ouvir, falar, ler, escrever, etc...

Qual sua opinião sobre os salões de arte?
Fomos habituados a nos referir aos salões como algo tradicional e retrógrado, mas nos esquecemos que são instituições artísticas mais jovens do que os muros das ruas. Houve o salão que rejeitou o agora famoso ready-made de Marcel Duchamp e que, por sinal, foi tão fundamental para a arte moderna e contemporânea como foram os Salões de Outono, que, longe de rejeitarem, lançaram movimentos como o Fauvismo. Atualmente, temos mais presentes os editais para programas de exposições, os mapeamentos, os prêmios de intervenções urbanas e, mais recentemente, as indicações para prêmios de investimento – todas essas “novas” instituições são importantes para o debate artístico atual – tanto quando “rejeitam” como quando “lançam” nomes.

Qual o significado para você de uma Bienal?
Ainda não tive a oportunidade de visitar nenhuma edição das famosas Bienais lá de fora e meu primeiro contato direto, e talvez o mais marcante com uma Bienal, foi em São Paulo, no ano de 1998 [curadoria do Paulo Herkenhoff]. Foi a primeira vez, também, que vi de perto obras de um importante artista do século XIX [Van Gogh], próximas as de nomes das vanguardas como o René Magritte e outros do pós-guerra como Francis Bacon, Alberto Giacometti e o Co.Br.A. Lembro-me que esta grande e importante seleção de obras “históricas” foram também permeadas por “contaminações contemporâneas” [como foram chamadas as obras de artistas atuais, que eram expostas estrategicamente permeando os núcleos históricos]. Para mim, portanto, essa bienal adquiriu esse significado especial: poder ver de perto a tão citada “tradição” ou “História da Arte” [que via apenas reproduzida por imagens nos livros], relacionada a obras e questionamentos contemporâneos. Não estou, com isso, negando a importância das Bienais posteriores, que dão ênfase às artes contemporânea e atual.

Quais são seus planos para o futuro?
Dar prosseguimento a minha “rotina artística” [risos].


Instalação com pinturas Sem título (detalhe) Galeria Amarelonegro, Rio de Janeiro. Foto Gisele Camargo.

Instalação Sem título, 2011 Galeria Amarelonegro.

Sem título. 2011. Óleoe esmalte sobre tela. 30x20 cm.

Sem título. Óleo, esmalte e verniz sobre tela. 40x30 cm.

Paisagens, vista da exposição Rumos: Trilhas do Desejo. Paço Imperial, Rio de Janeiro

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ariel Schlesinger

Ariel Schlesinger


Ariel Schlesinger (1980) Nasceu em Jerusalém, Israel. Graduou-se na Benzalel Academy of Art and Design, Jerusalém. Usa material do dia a dia para suas instalações transformando-as de sua função primordial. Vive e trabalha em Berlim.
Younger than Jesus _ Phaidon Press Inc., 2009.

Scissors (2000) silk print 40x50 cm.

Sem título ( Bicycle piece) Italian racing bicycle, cooking gas, valves (2009)

Máquina de Grafite O artista criou uma máquina com a qual escreve palavras ou frases com grafite

Sem título

Sem título (2003)

Side B on Side A  (2009) Galeria Gregor Poduar

Sem título (Burned Turkmenistan Carpet), 2010.

Netally and I (2006) Galeria Klekx, Milão

Sem título


domingo, 29 de maio de 2011

Imagem Semanal A Cabra Interpretações e Símbolos

"Paintings relates to both art and life. Neither can be made.

(I try to act in that gap between the two) "

Robert Rauschenberg.



Zaho Mengfu (1254-1322) Sheap and Goat Feer Gallery of Art, Washington. Zhao Mengfu é considerado um dos maiores artistas da Dinastia Yuan e influenciou toda arte chinesa. É uma pintura literária, de um lado uma altiva ovelha e do outro a cabisbaixa cabra. Elas representam os generais Su Wu e Li Ling. Ambos foram presos por tribos inimigas. Aos dois foi oferecida a liberdade em troca da adesão. Su Wu não aceitou e foi condenado a trabalhar no deserto tomando conta de ovelhas por vinte anos. Li Ling aceitou e, depois foi libertado, sua volta tornou evidente sua falta de lealdade ao império.



Francisco Goya The Great He-goat (Witches Sabbath) Museo del Prado, Madrid Faz parte das pinturas conhecidas como negras, que ornamentavam a Quinta do Sordo, residência do artista perto de Madrid. Goya tinha 75 anos, estava surdo e não aceitava as limitações da velhice. A obra foi pintada na parede e, transferida para tela depois de sua morte. O diabo é representado pela cabra com chifres, ele está sentado no comando de uma reunião com as bruxas. O trabalho representa toda a insatisfação de Goya com os rumos políticos, sociais e religiosos pela Espanha.


Antonio Rosetti (1819-1876) Esmerald and her Goat Djali (1865) Diexel University, Filadelfia. Baseada na obra de Victor Hugo, o corcunda de Notre Dame. Esmeralda é representada como uma jovem aos 16 anos, ela atraía os homens e estava sempre acompanhada por sua cabra Djali. Rosetti nasceu em Milão, mas educou-se e trabalhou em Roma. Foi muito respeitado como escultor em sua época. A obra é esculpida em mármore branco e cinza.






Jacques-François Ochard (1800-1870) Foi aluno de David e o primeiro professor de Monet. La Jeunne Italienne Coleção Particular. Uma cena pastoril em que a bela moça tem em companhia uma dócil cabra.


Willian Holman Hunt (1827-1910) The Scapegoat (1854) Lady Luver Art Gallery, Merseyside. Hunt foi pintor inglês é um dos fundadores da Irmandade Pré Rafaelita. O artista teve uma crise de fé e visitou a Terra Santa diversas vezes, numa delas, pintou Scapegoat, às margens do mar Morto tendo ao fundo Edon. A cena foi baseada no livro de Leviticus no qual existe a narração do sacrifício de cabras pelas tribos israelitas, o que seria uma antecipação da história do sacrifício de Jesus.


Marc Chagall (1887-1985) Nasceu em Vitebesh, Bileorússia e morreu em Saint-Paul-de Vence, França. Pintor, ceramista e gravador ligado ao Surrealismo. Começou seus estudos com um pintor de sua pequena cidade. Aos 16 anos, aprendeu russo para entrar na Academia de Arte de São Petersburgo. Depois de formado, foi para Paris e entrou em contato com a vanguarda francesa. Após a Revolução, voltou a Rússia, mas um desentendimento com Malevitch o fez viver definitivamente na França. The Blue Goat pintura a óleo com um belo colorido. A presença da cabra é freqüente na obra de Chagall, ela teria como significados ou lembrança de sua infância ou uma referência ao símbolo judeu da cabra para o dia do perdão, quando após o sacrifício do animal, os pecados eram perdoados. Para outros, a cabra seria a representação do próprio artista em suas pinturas.

Robert Rauschenberg (1925-2008) Monogran (1956-1959) Moderna Museet, Estocolmo. Rauschenberg foi o artista que quebrou o domínio do Expressionismo Abstrato na arte americana criando uma nova linguagem _ Combine uma associação de pintura com objetos. O mais famoso deles é o Monogran sobre uma pintura/colagem foi colocada uma cabra Angorá dentro de um pneu, na parte de trás, há uma bola de tênis significando que a cabra defecou sobre a pintura. Há diversas interpretações sobre a obra, uma delas seria sobre uma lembrança da infância do artista, quando seu pai matou uma cabra, seu bicho de estimação para comer. Essa recordação seria a idéia motivadora da obra. O crítico Hugues considera ser obra erótica com uma referência ao sexo anal.

http://arteseanp.blogspot.com O blog da arte.



Sugestão: Rauschenberg/Art and Life _Harry N. Abrams, 1990.

sábado, 28 de maio de 2011

Daniela Name Marcelo Campos e Fábio Carvalho Galeria Anna Maria Nimeyer

William Bailey Pintor Figurativo Americano

Willian Bailey
Still Life with Honey Jar (1978) Guache. Art Institute of Chicago.

Mercate Still Life (1981) MoMA.

Seated Nude (1966) Hirshhorn Museum.


Still Life with Slate Green Wall (1976) Coleção particular.


Hostess

House of Tea (2009) Betty Cunningham Gallery

Sem título. Grafite sobre papel.
William Bailey (1930-) Nasceu em Council Bluffs, Iowa. Estudou na School of Fine Arts of Kansas. Serviu às Forças Armadas e após seu desligamento Bacharelou-se na School of Art, Yale e recebeu o título de Mestre na mesma escola. Lá, foi aluno do Joseph Albers.  É professor Emérito da Yale University e membro da The American Academy and Institute the Art And Letters. Vive em Brandford e tem atelier em New Haven. Durante o verão, muda-se para Itália, onde tem outro ateliê. Suas pinturas mais conhecidas são naturezas mortas pintadas sobre um fundo monocromático e com objetos ( jarros, vasos, bules, copos, porta ovos ) dispostos sobre uma mesa. Outra vertente são as mulhers, em geral nuas, em ambientes fechados. Elas são pintadas de sua imaginação, sem modelo.É representado pela Betty Cuningham Gallery. Pintor de grande conceito nos Estados Unidos com obras nos maiores museus e coleções do país.
Art in America _april, 2005.

The ‘made up’ world of artist William Bailey Entrevista com o artista

The ‘made up’ world of artist William Bailey

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Fernando de La Rocque: Tomadinha na TAC

Catálogo do leilão realizado em Londres Phillips de Purry & Company

Azulejo





Fernando de La Rocque no programa do Jô Soares




Conversando sobre Arte Entrevistado Felipe Barbosa.

Felipe Barbosa
Felipe Barbosa inaugura hoje em sua galeria a Cosmocopa a exposição individual Leitura Dinâmica com trabalhos inéditos. O blog tem o prazer de oferecer aos leitores a possiblidade de conhecer melhor o pensamento e algumas obras do jovem e vitorioso artista. Muito sucesso Felipe.



Felipe, fale algo sobre sua infância, família e estudos.
Eu morei até aos 22 anos em Niterói , estudei a vida toda na mesma escola, São Vicente de Paulo... quando tinha uns 13 anos comecei a fazer aulas de desenho muito influenciado por dois amigos que desenhavam muito bem e eram totalmente freaks.. o professor de desenho era o Fabio Leopoldino , musico da banda Second Come, e que nem tinha formação em desenho ele era muito intuitivo e ele me apresentou a autores de HQ como Bill Sienkiewicz, Robert Crumb, e artistas modernos...


Qual foi sua formação artística?
Fiz Vestibular para a Escola de Belas Artes da UFRJ me formei lá ,em 2001 tive bolsa de estudos para uma temporada em Madrid Em 2002 ganhei a bolsa de estudos do Rumos Visuais e passei um tempo na Cité dês arts em Paris, fiz ainda na Eba o Mestrado em Linguagens Visuais...



Que artistas influenciam seu pensamento?
Essas influencias vão mudando ou melhor se acumulando, tenho estudado o Buckmister Fuller...


Quais as fontes utilizadas para construção de sua obra?
Cada projeto novo demanda novas experiências e estudos, o que permanece é o cotidiano no atelier..

Como você descreve seu trabalho?
Meu Trabalho é muito variado, até para descrever em categoria , pintura, escultura etc é difícil. Só o trabalho pode se descrever....

Você é casado com uma conceituada artista, como se dá a convivência, atrapalha ou ajuda?
Só acrescenta, dividimos atelier há vários anos... mesmo que cada um tenha seu espaço, e as conversas sobre trabalho são constantes...

Como é ser artista e galerista simultaneamente?
Na verdade, nem me considero galerista, o projeto da Cosmocopa, só é possível por sermos uma equipe focada em fazer da galeria algo instigante e viável, minha atuação na cosmocopa é mais nos bastidores e no contato com os artistas falamos sobre os trabalhos, todos os outros assuntos são gerenciados pelos outros elementos da galeria... Minha rotina de trabalho no atelier continua a mesma...


O que é preciso para um jovem artista seja respresentado por uma galeria?
Cada galeria tem um foco próprio para assimilar um artista ao seu elenco, mas pra mim o principal é ter trabalho.

Para alguns, a multiplicação de Bienais e Feiras de Arte fazem as galerias precionarem os artistas, fazendo-os produzir numa velocidade maior do que ele deseja, qual sua opinião?
O ritmo de produção de cada artista é muito pessoal ate porque algumas obras demandam muito para serem produzidas, acho que é ótimo para qualquer artista ter demanda para o seu trabalho...

Você é um dos mais conceituados jovens artistas brasileiros, já é possível viver exclusivamente da arte?
Sim na realidade sempre consegui viver exclusivamente apenas trabalhando MUITO como artista


A arte brasileira já pode concorrer no mercado internacional?
Ainda estamos em um processo, mas cada vez mas estamos presentes em exposições importantes pelo mundo , isso por fazermos arte de qualidade...


Quais são seus planos para o futuro?
Não sou de fazer planos... tenho projetos, estou terminando de editar um livro que será lançado em julho e depois disso férias... estamos precisando...


O que você faz nas horas vagas?
O tempo de trabalho se mistura com o da vida... as horas estão sempre bem ocupadas...

Felipe, muito obrigado por sua participação e sucesso nessa já sua incrível carreira.


O Mundo é um Moinho (2007)

Sinuca de Bico (2011)

Lago das Neves (2007)

Pega (2000)

Muro de Sabão (2000)

Panda (2006-2007)

Cama Semeada (2001)


Martelo de Pregos
Condomínio
Geometria Descritiva (2003-2007)



http://www.felipebarbosa.com/











Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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