terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Conversando sobre Arte Walton Hoffmann




Walton Hoffmann Foto em Jogos de Guerra. Curadora Daniela Name.




Nasci em Curitiba, Paraná.Meu pais moravam no Rio.Ele era piloto da Panair e vivia viajando.Minha mãe então, achou que seria mais prático voltar para Curitiba para ter seu bebê.Lá poderia contar com o apoio das famílias que de ambos os lados eram de lá. Eu passava as férias escolares na casa de meus avós mas residíamos no Rio.
Do lado materno eram descendentes de suecos e islandeses,do paterno de alemães e ingleses.Com os primeiros, aprendi as brincadeiras de projetar sombras na parede de recortar papeis.Tive contato com as enciclopédias suecas que eram destinadas as crianças.Podíamos utiliza-las sem restrições, desenhando, recortando, colando, tudo era permitido fazer com os livros.Eram feitos exatamente para isso,e assim , despertaram em mim o interesse pelas coisas, pelo mundo.
Me formei em Direito na UERJ.Nunca fui buscar o diploma.Trabalhei em companhias de comercio exterior.Achava insuportável a rotina.Nessa época conheci o Iberê Camargo de quem fiquei muito amigo.Visitava sempre seu atelier e dessa convivência surgiu em mim um olhar crítico para a arte que na época não imaginava pudesse desenvolver.
Nunca frequentei nenhum curso de arte ou pintura.As coisas foram acontecendo.Tinha muitos amigos e conhecidos no meio artístico, mas não me considerava artista.Minha mulher tem um senso estético e um conhecimento profundo em arte,isso me ajudou bastante.Acho que ela foi capaz de antecipar nos anos 80 aqueles artistas que dariam certo, que prosseguiriam com sucesso suas carreiras.Por isso suas colocações sempre foram importantíssimas para mim que iniciei minha produção nos anos 90.
Quando fiz minha primeira exposição, a pintura estava considerada morta.Fiz a série "Memory Games".Procurei uma linguagem própria,individual mesmo.Não queria beber em nenhuma fonte,foi complicado. Entrei na maioria dos salões onde quase todos os trabalhos eram objetos.Tinha muito pouca pintura.
Hoje estou fazendo objetos, esculturas e, a pintura está de volta, bombando por ai. Engraçado.Parece que sou do contra.
A observação das coisas do cotidiano e um pouco de sensibilidade me ajudam nas escolhas, no que fazer. Não suporto repetir, fazer a mesma coisa, principalmente beber na fonte de outro.Estou sempre olhando e de uma situação ou qualquer coisa pode nascer um trabalho legal ,como também, te mostrar uma nova vertente.Um artista não pode ter medo de mudanças, não pode e não deve submeter-se às questões do mercado- curadores, galerias, colecionadores. Um artista deve ter seu pensamento, seu percurso, sua individualidade,mesmo que isso lhe custe algum tempo até que possa firmar-se como tal. É muito fácil seguir uma tendência , uma linha de pensamento esgotada. Acho muito importante o contato com os críticos e com os curadores.O trabalho cresce com observações, mas é preciso estar atento para não aceitar ou incorrer em imposições. Opiniões são opiniões e não mandatos.Os que incorrem nesse erro, que acreditam em atalhos, não duram um verão.Ninguém deve fazer concessões na sua obra.Isso pode dificultar sua aceitação entre críticos e curadores.
A obra de arte deve ser arte, apenas arte.Tem gente que acha que fazer design é fazer arte.Tem gente que acha que um artista surge do nada, que pode ser invenção de uma galeria mas o percurso é longo, tem que existir a instituição, o pensamento, a sensibilidade, o texto.
Obra de arte também não é ação.O comprador tem que ter a sensibilidade na hora de efetuar a sua compra,não pode e não deve ser convencido pelos outros.Uma opinião aqui, outra ali sem dúvida são importantes nesse critério de avaliação e seleção.Tem artistas que tinham tudo para dar certo,mas por circunstâncias da vida ,como casamentos, fizeram com que desistissem, outros passaram em concursos públicos e largaram a arte, porque era mais dificil existir como artista e, olha que eram promessas, apostas garantidas. Quem comprou, como ficou?
Minha experiência como curador,organizador é melhor palavra, surgiu depois de um cancelamento, sem o menor sentido ou explicação de uma mostra agendada.O pequeno poder apenas resolveu desmarcar.Até aí tudo aparentemente normal. As coisas acontecem e o artista fica sem reação.Decidi então expor a situação e, surgiram as surpresas e manifestações de apoio, imediatamente apareceram convites para fazer a mostra em outras instituições.A primeira foi no Paraná e em seguida em São Paulo.Os espaços eram imensos e seria impossível fazer só. Conversando com o Divino Sobral de Goiás e a Eliane Prolik de Curitiba, resolvemos com o apoio das transportadora Millenium e Atlantis fazer uma mostra que se chamou Heterodoxia.Fizemos exposições em 13 estados, do Pará até Santa Catarina, além de uma no Peru.Contamos com a presença de mais de 100 artistas e curadores como Moacir dos Anjos, Leonor Amarante, Fabio Magalhães, fazendo textos sobre a ação.Foi uma experiência muito boa.
Depois fiz uma escolha para uma galeria comercial no Rio.A receptividade foi excelente.
Não digo que faço curadoria, esse é um papel que não me cabe.Faço escolhas. Escolho artistas que tenham um trabalho sólido, como foi o caso da dupla Fernanda Figueiredo/Eduardo Matos.Tinha o espaço, os artistas e aí , coloquei todo mundo em contato com a curadora Daniela Name que avaliou a idéia e fez o texto da individual da dupla.Todo mundo colaborou, não existiu a intenção de fazer uma curadoria.
Essas escolhas também são feitas aqui, com os trabalhos de outros artistas que tenho em casa.Tudo é feito em conjunto com minha mulher.Faço isso também para alguns amigos que coleciono. Apresento opções e não imposições, como já disse, não acredito que arte deva ter o tratamento de ação. Quem entrar nessa, acho que vai se estrepar mais adiante.Tenho trabalhos apenas dos artistas em que acredito.
Acho que as bienais e as feiras são importantérrimas para a arte. O mundo ficou pequeno.Hoje está tudo muito ágil e perto.Todo mundo se conhece, isso é bom, é saudável .Os salões parecem estar sendo substituidos por eles.Os modelos são ultrapassados.
Nunca escrevi sobre meu trabalho.Sempre procurei fazer exposições com textos de criticos e curadores. Agnaldo Farias, Irma Arrestizabal, Luis Camillo Osório, Luisa Interlenghi, Ligia Canongia foram alguns que escreveram sobre meu trabalho .
O Brasil a meu ver é o país do momento.Não sei se é a bola da vez.Essa uma posição perigosa.Pensar isso é pensar curto.O momento é mais real.A gente pode estende-lo. A nossa mentalidade está mudando.Estamos aprendendo a valorizar o que é nosso. Antes as pessoas que se destacavam eram logo hostilizadas pelos seus pares,hoje sinto que já existe um respeito bastante grande quando citamos nossos artistas consagrados. Isso é fundamental para que sejamos reconhecidos.
Não costumo fazer planos.Penso em continuar trabalhando, fazer novos trabalhos.Tenho exposições agendadas em dois museus.Por enquanto é isso.Tenho trabalhado bastante e esse trabalho está sendo colocado em boas coleções e fazendo parte do acervo de instituições respeitadas.Isso para mim está sendo bom, vejo que existe um reconhecimento.

Veja se esta bom meu amigo, pode cortar, mudar sugerir sem constrangemento.

























Um comentário:

AZAVINI - carla salomão disse...

Bom texto Waltinho, pe bem voce, li e vi vc falando. Os trabalhos mto bonitos, têm força estética. Bjs C.

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
Now