quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Conversando sobre Arte Entrevistado Ernani Chaves



Ernani Chaves.

Ernani Chaves é atista, vive e trabalha em Porto Alegre. Recebeu o 1o Prêmio do Salão de Arte de Montenegro, Rio Grande do Sul. Obrigado Ernani.

Ernani, conte um pouco de sua história pessoal.
Minha história é de um brasileiro que se criou em espaço amplo, nascido no ano de 1965,me criei em  pátio, subir em arvore,derivas na infância, influenciado e educado por uma mãe costureira e pai marceneiro, sou o décimo filho de 10 irmãos, estudei em escola pública, fui estudante do Julio de Castilhos, me formei na UERGS, ao qual tenho um respeito, por ter sido uma universidade com o currículo integrado, Artes Visuais, Dança, Musica, e Teatro, onde tive a oportunidade de produzir reflexões qualificadas da arte contemporânea e também produzir cenografias para espetáculos de todas as quatro áreas , junto com colegas que hoje se destacam  nacionalmente, ao qual ainda continuamos a fazer arte.Nesta mesma universidade ministrei uma extensão universitária em gravura por três anos seguidos, culminando em um grupo de gravura , que hoje tem sede no Museu de Montenegro, junto com artistas da região.Paralelamente sou arte educador, com mais de 20 anos de atuação, já formei professores de pré escola, educadores populares, criei coletivamente grupos de arte, ilustradores, grafiteiros, circulando em vários projetos em  comunidades de Porto Alegre e região metropolitana.

Como foi sua formação artística?
A formação artística é ´pautada pela diversidade, pintei murais nas ruas em Porto Alegre, quando o grafiti ainda não tinha este status de hoje, andei junto e acompanhei artistas como Trampo no seu inicio, fui professor de artes no litoral, fui professor em vários ateliês de arte em comunidades de POA e RS,intervenções com murais em escolas inteiras em períodos de férias, fiz parte do núcleo de gravura do RS, gravei e expus com vários nomes da gravura do RS, fui impressor de artistas gaúchos, nacionais e internacionais que freqüentavam o Museu do Trabalho nas oficinas de impressão, Construímos coletivamente espaços de arte e saúde mental com a segurança publica no governo Olívio Dutra, com projeto interdisciplinar , psicologia, saúde publica, psiquiatria, artes visuais, musica, com atendimento por mais de 2 anos, com grupos coletivos de arte. Produzi estampas em tecido por 15 anos, ilustrei revistas de literatura, após a esta formação vivenciada entrei na universidade estadual tomando contato de maneira formal  com pesquisa poética referenciada.


Que artista influenciam seu pensamento? 
 Esta pergunta é delicada,sou encantado pela historia da arte e da humanidade, O Passo que Brancusi deu, foi fundamental para meu entendimento do que veio após, sempre tive uma atenção por Klee com seu desenho construído, os minimalistas, respeito demais Rubem Grillo, Schwitters com seus acúmulos cotidianos,Bispo do Rosario, Tatlin, Richard Serra, Beuys, Matta Clark, Robert Smithson, e Helio Oiticica com sua vivencia construída pela cor, e seu envolvimento com o espectador de forma sutil e nos capturando pelo espaço externo e interno.

Como você descreve sua obra?
A obra a qual vivo ela atualmente surgiu de reflexões sobre questões pessoais vivenciadas por mim, sou deficiente físico de acidente medular, ao qual sofro de desequilíbrios constantes de estrutura ósseo muscular, com isso estabeleci uma relação direta com a minha produção de arte contemporânea. Na atualidade continuo a empilhar materiais e objetos que se equilibram,e se estabilizam, por suas texturas,escoras, se adaptam ao espaço por suas características físicas,construo obras de não duração, suscetíveis a ruir a qualquer momento, independente da escala, esta características estabelecem uma relação com o publico muito estreita e as vezes fundamentais,seus desmoronamentos são o transito da relação com o publico, são recriadas pelos espectadores onde são expostas,tornando se autônomas gerando outros desequilíbrios que não são os iniciais. Tem uma predominância pelas madeiras,ao qual coleto em lixões, depósitos e tele entulhos, aproveito tudo que estiver ao meu alcance,atualmente produzi uma serie de miniaturas que na maioria só podem ser construídas pela pinça de mão, deslocando do corpo inteiro e voltando a primeira relação de  construto da primeira infância, onde utilizamos o dedo polegar e indicador formando uma pinça. Esta obra vem desde 2005, onde pesquisei a verticalidade na arte, estudo de  vértebras humanas e  seus encaixes,escoras no corpo, hastes, instrumentos de apoio, junto a pesquisa de construções tênues, executei inúmeras gravuras com desequilíbrios visuais, assim como madeiras e suas fibras, para utilização em gravuras e montagens.


Você tem rotina de trabalho?
Procuro manter uma rotina, mas não muito ortodoxa, tenho a docência a conciliar, e projetos de formação de professores e a pesquisa em e de arte, atualmente tenho ateliê coletivo em POA.

Você escreve sobre seu trabalho?.
A produção de escritura é uma companheira fundamental e um registro de meus processos e reflexões sobre a obra de empilhamentos e acúmulos, assim como sobre a arte educação e os projetos desenvolvidos na instituição escolar onde sou professor de artes visuais.

Além dos estudos sobre arte, o que serve de inspiração?
A vida de forma integra com sua intuição e conhecimento sentido e vivenciado, no seu desdobramento sensível, desdobrando de forma criativa e generosa com as pessoas, desvendando o mundo com os alunos e colegas que são apaixonados pela docência em artes e outras áreas afim, servem de inspiração, mas no que refere aos desequilíbrios vivenciais reais que sinto, sinto o atravessamento direto de arte e vida, todos os dias, sabendo que podem ser transformados em arte ou não, colocando uma linha sutil e frágil na relação com a vida que não podemos controlar.


Você acabou de receber o 1o prêmio do Salão de Montenegro, o que isso representa?
Este salão é especial, participei dos três, durante o projeto das construções de pilhas e outros compromissos, este salo foi criado na UERGS/Fundarte e agora tem a parceria do SESC do RS, ele foi crescendo e hoje já recebe inscrições de todo o Brasil, é um salão pertinente e bem acompanhado, com uma curadoria de pesquisadores e produtores de arte. Sobre a premiação é um reconhecimento de um trajeto de uma obra que tem uma relação muito viva, com quem a faz, o conjunto traz, as características de meus empilhamentos de grande escala, sustentação, estabilidade, e precariedade da vertical, acho que consegui reunir em três obras , a síntese de muito tempo de elaboração.

Qual sua opinião sobre os salões de Arte?
Sobre os salões, tem que continuar a existir, mas teriam que ser com menos ônus para os artistas, as vezes muitos artistas não participam, por questões de economia, tendo quer arcar com custos e outros gastos, não estimulando participar. Mas temos editais públicos e mapeamentos institucionais com a iniciativa privada, que colocam uma estrutura de curadoria, registros, bolsas, residências, que são a circulação da obra, que temos que participar para dar visibilidade a obra e os artistas, incentivando a pesquisa poética.

É possível viver de Arte no Brasil?
Posso te falar de minha experiência, sempre vivi de arte, não da forma ideal, hoje consigo fazer alguns movimentos, mas sempre circulei muita gravura ,por sua característica, tenho muita pintura em particulares, nunca tive nenhuma galeria que me representasse, mas sempre negociei minhas obras, tenho muita ilustração adquirida, gravura em algumas instituições, pinturas em grande escala e pequenos formatos.
 
Quais são seus planos para o futuro?
Continuar a fazer arte de maneira séria com minhas convicções de artista e arte educador, tenho um compromisso com tudo que já percorri, sou muito envolvido com a arte educação, com a formação de educadores em arte, quero continuar minha pesquisa poética, tenho obras em andamento e outras que estão prontas a percorrer espaços que demonstrarem interesse, continuar desenhando, atividade quer tenho o maior prazer.

O que faz nas horas vagas?
As horas vagas são para organizar o corpo, muita fisioterapia,  a qual sou dependente, leio, escrevo, planejo os passos, tenho uma rotina de aproveitar o tempo que não é aula e produção na arte, gosto de estar em um marcenaria que foi de meu pai, que adquiri algumas habilidades,onde penso minha obras e outra invenções que tangem  arte e a vida, quando tenho mais tempo, realizo alguns cursos na Arena, com a Maria Helena Bernardes, onde produzimos discussões qualificadas onde as vezes tomamos um café, para receber algumas orientações, gosto de estar com gente que ama a vida.




Empilhamento (2007) Salão de Arte de Itajaí.



Compartilhamento (2011) Museu do Trem.


Empilhamento (2011)



Empilhamento (2011) Salão 10x10 Montenegro. 1o prêmio.


Empilhamento (2011) Museu do Trem.



Estável (2011) Salão 10x10 Montenegro.


Empilhamento  Rumos Itaú Cultural






Ernani Chaves
Artista Plástico e Arte-educador
ernanichaves@yahoo.com.br
www.ernanichaves.blogspot.com

Um comentário:

As Bufa disse...

mas se não é o nosso naninho? Isso aí não vale o que empilha! Ele vale o dobro o triplo, ele é o rei! Em terra de mendigo, Ernani é rei!
Amo!

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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