terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Conversando sobre Arte Entrevistado Marcos Garrot










Marcos Garrot

Marcos Garrot artista de São Paulo com uma respeitável obra em permanete evolução. Conheça seu pensamento e seus trabalhos. Obrigado Marcos.


Desenhista, pintor, gravador e escultor, iniciou seus estudos da década de 1980. Seus trabalhos dessa fase eram predominantemente figurativos. Mesmo tendo seu talento reconhecido pela crítica e desde cedo recebido vários prêmios, Garrot,  procurou novos caminhos. Já nos anos 90, iniciou pesquisas no campo da arte de cunho geométrico e construtivo, realizando esculturas em ferro e aço inox, o que levou Enock Sacramento a escrever: “... A obra de Marcos Garrot assegura-lhe um lugar significativo entre os construtivistas brasileiros, que constituem um dos mais sólidos e competentes grupos de criadores do país”. Passando a fazer parte do acervo permanente da Companhia do Metropolitano (Metrô) em 2009 foi instalada “Esfera”, uma imponente escultura em ferro pintado com dois metros de diâmetro na estação Santos-Imigrantes em São Paulo. Esse trabalho sintetiza um momento de maturidade do artista, que seguiu por vários caminhos até chegar à execução de trabalhos de proporções grandiosas.
Em 2008, foram editados dois livros sobre sua obra: Contando a arte de Garrot e Caminhos Possíveis, ambos de autoria de Oscar D’ Ambrosio e, em 2010, o The Art Book Brasil – Geometrias, onde o nome de Garrot foi selecionado por Paulo Klein juntamente com outros 9 artistas.
A formação clássica e as experiências tridimensionais com as esculturas trouxeram Garrot à produção atual em que o elemento óptico se faz presente sem, contudo, ser esse o foco principal do trabalho. As montagens com telas metálicas perfuradas representam um estágio importante na carreira desse artista inquieto, que faz da pesquisa a base de sua criação ersitária, trabalhos fora da arte.

Como foi sua formação artística?
Quando criança, o desenho sempre esteve entre minhas atividades preferidas, tanto que uma professora do ensino fundamental anteviu que faria carreira dentro das artes plásticas. Aos quinze anos de idade entrei para a escola Panamericana de Arte; Foi quando conheci o professor Antonio Fernandez, um excelente retratista espanhol com o qual aprendi várias técnicas de desenho e depois, em seu ateliê particular, fiz algumas aulas de pintura a óleo sobre tela. Com o tempo, o trabalho foi atingindo certa maturidade, foi então que comecei a dar aulas particulares de desenho e a fazer retratos por encomenda.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Não há um grupo de artistas ou um estilo em especial que me influenciam. A “boa” arte como um todo é que alimenta minha criação. Penso nela como um “ser coletivo” atemporal e não sujeito a modismo. É claro que há maior ou menor afinidade por esse ou aquele, mas, em muitas vezes sou influenciado por pessoas ou pensamentos que não têm ligação direta com a arte.

Além do estudo de arte o que ajuda na elaboração dos seus trabalhos?
Estar atento às coisas ao meu redor, principalmente aos pequenos detalhes.  Quando ainda estava na fase figurativa e fazia os retratos, costumava observar as pessoas, suas expressões e detalhes anatômicos. Na geometria, a arquitetura urbana e a “arquitetura” da natureza, passaram a ser meu foco.

Como você descreve seu trabalho como artista?
Iniciei com a figuração e estudos dos cânones clássicos do desenho e da pintura. Na escultura, o interesse pela geometria me aproximou do concretismo e do construtivismo. Hoje, tenho explorado caminhos fundamentados no óptical e na arte cinética.
Qual a sua galeria atual e o que ela representa para sua carreira?
Atualmente tenho meu trabalho representado pelo Estúdio Buck em São Paulo.  Ele é a ponte entre minha obra e o mercado de arte.

Você tem dois livros publicados sobre sua obra, qual a importância disso?
Eles servem como um registro de um período de vida pessoal e profissional. Um documento que acredito todo artista gostaria de ter e que, ao menos para mim, não tem objetivo comercial.

Qual sua opinião sobre os Salões de Arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Tive pouco contato com salões, mas no pouco que vi, salvo raras exceções, o critério de seleção e a forma de julgamento das obras, deixa muito a desejar.

O que você pensa sobre as Bienais e Feiras de Arte?
Penso que as bienais lamentavelmente, vêm perdendo sua essência por questões políticas e sobre isso prefiro não comentar. Quanto às feiras, acho que elas são importantes pontos de venda e aproximação do público com a produção contemporânea, embora elas não apresentem necessariamente o melhor dessa produção e sim, o que está mais “visível” no momento, quer por predileção dos galeristas ou do público comprador, quer pelo “status” que a mídia lhes atribua.

Você escreve sobre seu trabalho?
Não costumo escrever sobre ele; Penso ser mais adequado que outras pessoas expressem seus pensamentos sobre o que vêm e sentem sobre o que realizo.
Você tem rotina de trabalho?
Não. Na verdade, sou meio avesso a qualquer tipo de rotina.

É possível viver de arte no Brasil?
É possível, embora não seja nada “confortável”. Creio que a maior dificuldade consiste em atingir um equilíbrio entre as questões comerciais e as puramente artísticas. Nem sempre o que mais se vende é o melhor artisticamente falando, aliás, na maioria das vezes é o contrário. Quando isso fica bem equacionado para o artista, então vale a pena.

Quais são seus planos para o futuro?
Costumo pensar apenas no “futuro de agora”. Prefiro contar com as surpresas a ter uma destinação planejada. Sei que o futuro trará as consequências daquilo que estiver fazendo hoje, então procuro fazer o melhor possível.

O que faz nas horas vagas?
Além de desfrutar da prazerosa companhia da família, gosto de papear com amigos, assistir a um bom filme e também de cuidar de um pequeno jardim que tenho no ateliê.

























A Geometria Sensível de Garrot

Na década de 80, quando começou a expor seus trabalhos, Marcos Garrot já mostrava  forte tendência a valorizar a técnica e os rigores formal e colorístico em sua obra plástica. Nesse período, a determinação no sentido de adotar padrões exigentes voltava-se para a pintura e o desenho figurativos.
Na seqüência,  desenvolveu uma série de pinturas de figuras humanas em duas vertentes distintas. A primeira é constituída por retratos nos quais  procura reproduzir com grande  fidelidade fisionômica seus modelos. Na segunda, agrega à realidade outros valores adentrando ora o domínio do simbólico, ora o do surrealista e do onírico. Em ambas, nota-se a vontade de realizar uma arte controlada, que não depende do acaso, do fortuito, do contingente.
Artista inquieto, com interesse paralelo pelo design, Marcos Garrot iniciou, na segunda metade dos anos 90, uma pesquisa com formas geométricas em metais, madeira, PVC e outros materiais que o levaria à  fase atual em que trabalha sobretudo com o ferro e o  aço. Esta fase apresenta três linhas de desenvolvimento: Formas, Sobreformas e Esculturas.
Para a criação dessas obras, Garrot utiliza-se basicamente do módulo, que ele projeta e é realizado em indústria metalúrgica. Quando ele o cria, já tem algumas idéias de utilização,  de posicionamentos. Mas as obras só são concretizadas após a reflexão demorada no ambiente do ateliê, em seguida à experimentação cuidadosa das várias possibilidades de combinação das unidades modulares, da maneira de soldá-las do lado oposto ou de sua fixação em um suporte.
Na série “Formas”, os módulos são arranjados de maneira a dar origem a conjuntos apresentados com ou sem pintura.  Em alguns casos,  a obra resulta de uma única chapa. Quando a pintura existe, ela ocupa toda a peça ou área resultante da dobragem, privilegiando sobretudo a forma.  Já na série “Sobreformas”, a pintura divide  geometricamente planos formados pelas dobras  ampliando significativamente o repertório formal da peça, que  passa a contar tanto com formas  resultantes dos volumes  como das formas engendradas pela pintura. A interação entre elas dá origem a geometrias inusitadas, que se modificam de acordo com o ângulo de observação e com a incidência dos raios luminosos. Os trabalhos dessas séries apresentam-se como relevos, peças de parede. Quando elas têm uma base, destinando-se ao chão e podendo conseqüentemente  serem observadas de todos os lados, caracterizam-se como esculturas. Os trabalhos da série “Formas” são mais apolíneos, sóbrios, enquanto os da série “Sobreformas”, mais dinâmicos, dionisíacos.
Garrot não realiza geralmente uma escultura de corte-e-dobra, como Sacilotto e Amílcar de Castro; a estrutura modular de sua obra aproxima-a mais da poética de Athos Bulcão.   A partir do módulo, que é uma peça múltipla, o artista almeja ao uno, que é a obra acabada. 
A obra de Garrot situa-se basicamente no campo concreto, mas diferencia-se da de alguns concretistas históricos brasileiros na medida em que, como regra, não lança mão do corte interno da chapa, mas apenas do externo e da dobra.  Este procedimento é quase inexistente na obra escultórica dos concretistas que também, quando pintam a obra, a pintam com uma única cor, sendo as diferenças de tonalidade resultantes da incidência da luz. Mas Garrot não abusa da cor, o que poderia ser perigoso. Na maioria das vezes, sua estrutura colorística é binária. Em alguns casos a chapa não recebe nenhuma tinta, como é o caso de algumas peças em aço inox escovado, de uma beleza à flor do metal.
A obra atual de Marcos Garrot assegura-lhe um lugar significativo entre os construtivistas brasileiros, que constituem um dos mais sólidos e competentes grupos de criadores do país.

ENOCK SACRAMENTO

Crítico de Arte.

                                                       

                                                                       







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Maurizio Cattelan

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