quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Conversando sobre Arte Entrevistada Claudia Tavares


Claudia Tavares


Claudia Tavares vive e trabalha no Rio de Janeiro. Artista, fotógrafa e professora com sólida formação acadêmica. Inaugurará sua exposição individual no Espaço Culural Sérgio Porto no próximo dia 20. É representada pela Galeria Tempo. Conheçam seu pensamento e sua obra. Obrigado Cláudia.



Fale algo sobre sua vida pessoal. 
Eu sou carioca, nascida no ano em que o homem pisou na lua, filha de pai advogado e mãe dona de casa. Tenho duas irmãs e uma filha. Estudei em colégio de freiras, fiz curso de fotografia e vídeo no Parque Lage, depois faculdade de Comunicação na Hélio Alonso. Ainda na faculdade comecei a trabalhar em publicidade, tanto em agência quanto em produtora. Aos poucos fui me afastando da publicidade, trabalhando na Videofilmes, produtora do Walter e João Moreira Salles e meu último trabalho lá foi o longa Central do Brasil. Foi uma experiência muito válida trabalhar com uma equipe grande, viajar pelo interior do Brasil para lugares que certamente não conheceria se não fosse para filmar. Mas esse trabalho me fez perceber que não tinha vontade de seguir fazendo cinema. Daí em diante, me voltei para a fotografia, indo morar e estudar em Londres. 


Como foi sua formação artística? Você estudou no exterior, como foi essa experiência?
Comecei fazendo cursos de fotografia e vídeo no Parque Lage e no Senac. Depois da faculdade de Comunicação, fiquei um bom tempo sem estudar. Quando fui pra Londres em 1999, era para passar um mês fazendo um curso de fotografia e inglês, mas no fundo sabia que aquilo era apenas uma desculpa pra sair do Rio e experimentar a vida em outro país. Estava procurando um novo rumo. Acabei ficando por lá quase três anos. Durante esse tempo, pude fazer alguns cursos livres de fotografia e aí fui descobrindo que a fotografia tinha um campo muito mais ampliado do que eu conhecia até então e imediatamente me apaixonei por ele. Entrei no mestrado da Goldsmiths, um lugar incrível, com muitas facilidades de equipamentos, uma biblioteca enorme e professores bacanas. Foi um período de muitas descobertas, muito enriquecedor. Como Londres é uma cidade super cara, tinha que me virar trabalhando, e como toda estrangeira que se preza, virei garçonete. Me candidatei para o departamento de catering da Tate Gallery, no período que estavam abrindo a Modern. Trabalhei em muitas festas de inauguração da Tate Modern, preparando drinks para a Rainha e tudo! Mas o mais legal foi conseguir trabalhar no departamento de fotografia de lá, alguns meses depois da inauguração, onde fiquei responsável pelo scaneamento do material fotografado para o projeto de disponibilizar na web todo o acervo da Tate.
Depois voltei ao Rio e entrei no mestrado da EBA. Acho que foi válido, mas um processo difícil pra mim.


Que artistas influenciam seu pensamento?
A lista é grande... começando pelos veteranos Edward Weston, Man Ray, Geraldo de Barros, José Oiticica Filho, John Baldessari, Willian Eggleston, Andreas Gursky, Stephen Shore, George Rousse, Robert Mapplethorpe até Sophie Calle, Rineke Dijkstra, Rosângela Rennó, Brígida Baltar, Rosana Palazyan, Monica Mansur, Raul Mourão, Ernesto Neto, Eduardo Coimbra, Tatiana Blass, etc, etc...

Como você descreve sua obra?
Meu trabalho, em geral, tem origens afetivas, particulares, mas ultrapassam o universo particular. Eles começam no particular, das minhas memórias, das minhas relações afetivas, da minha casa, mas acredito que transcendem isso e acabam falando do que é universal, da relação tempo x afeto.

O que é o Projeto Figura?
O projeto Figura nasceu em 2002, como consequência do meu encontro com Dani Soter, artista brasileira que mora atualmente em Paris. Eu conheci Dani através de uma grande amiga, Ana Paula Oliveira, quando tinha acabado de voltar de Londres e ela estava se mudando para o Rio com o marido francês, o diplomata Jean Paul Lefévre. Nós estávamos no mesmo momento, começando a trabalhar com arte e cheia de planos na cabeça. Queríamos abrir uma galeria, mas rapidamente percebemos que o buraco era mais embaixo. Então surgiu a idéia de fazer exposições em lugares não institucionais, de criar novos espaços para a exibição da produção artística contemporânea. Apartamentos, casas, galpões, lugares não destinados à exposição de trabalhos de arte, tampouco à visitação pública, foram utilizados como alternativa ao circuito. Pelo caráter não institucional, as exposições são efêmeras e geralmente duram apenas um dia. Já fizemos 11 edições, contando com a participação de mais de 45 artistas, nacionais e internacionais.
Em 2008, a Monica Mansur, minha sócia agora na Binóculo Editora, entrou no projeto, para a inauguração do Espaço Figura, que foi aberto como um desdobramento natural do projeto Figura, pretendendo ser um centro de discussão, aprendizado e mostra de arte. No momento o espaço está “em recesso”, até segunda ordem.

O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Eu faço parte do time de artistas da Galeria Tempo, e elas me procuraram porque uma das antigas sócias viu meu trabalho numa exposição. Vejo esse mercado de galerias novas ainda se fortalecendo, fundamentando suas bases de trabalho.

Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam seu trabalho?
Cinema, música, poesia. Acho que as outras “artes” são sempre fontes de nutrição, de alimento para mim.

Você além de artista é professora e curadora, que comentário você poderia fazer sobre essas duas últimas atividades?
Sou professora de fotografia desde que voltei do mestrado em Londres. Eu gosto muito de dar aula, acho fundamental dividir conhecimento. Adoro quando os alunos fazem cara de que entenderam o que você está falando, de que a ficha caiu, sabe? É gratificante. Mas é cansativo também, às vezes me sinto um pouco sugada.
Quanto à curadoria, tenho trabalhado com alguns artistas novos, e sempre tento discutir com eles o trabalho, o conceito por trás do que estão produzindo, pensando também em dimensões, espacialização dos trabalhos nas exposições. Acho uma troca rica.

Quais são seus planos para o futuro?
Estou trabalhando para minha individual que abre agora, dia 20 de outubro, no Espaço Cultural Sérgio Porto. A exposição se chama Nós e apresento trabalhos em fotografia, vídeo e objetos. Além disso, estou preparando dois livros pela minha editora. Um se chama VAIEVEM, e é o segundo volume de uma série de três livros de fotografia sobre a rede ferroviária dos estados do Rio, SP e MG, e esse agora conta com 6 fotógrafos e 4 escritores paulistas. E o outro é um livro que divido com minha sócia, Monica Mansur, que traz trabalhos meus e dela e se chama, por enquanto, Brancos e Pretos. Devemos lançá-lo no início de 2012.

O que você faz nas horas vagas?
Passeio com minha filha, almoço com meus pais, vou ao cinema, leio, viajo e saio com os amigos pra tomar cerveja e dançar.

Faça se desejar algum comentário.
Acho seu blog muito bacana. Parabéns pela dedicação!



Romeu e Julieta II


Inserção em Cicuito Amoroso


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Costura I



Costura II


(Corpo)rações


Paisagem Alterada


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Romeu e Julieta I


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