terça-feira, 18 de outubro de 2011

Conversando sobre Arte Entrevistada Rosa Damasceno Paranhos


Rosa Damasceno Paranhos


Rosa Damasceno Paranhos artista radicada em Petrópolis, RJ. Uma bela história de vida, sua obra e seu projeto Arte Garagem. Obrigado Rosa.

Rosa, fale sobre sua história pessoal   
Nasci em Belém do Para no dia 06 de fevereiro. Sou aquariana de alma livre Sou de família do Norte do Brasil de sangue índio, português, espanhol e negro. Tipicamente brasileira, meu pai paraense e minha mãe índia do Amazonas. O encontro de meu pai com minha mãe daria para fazer um livro, é outra história. Meu pai era advogado fez direito na Universidade Federal Fluminense (Niterói), Por conta disso vivia entre Belém e Rio. Lembro-me de algumas viagens, entre tantas travessias, uma de navio que durou quase um mês, uma outra em que paramos alguns dias na Bahia só eu com meu pai. Foi uma época maravilhosa de boas recordações. Minha mãe era dona de casa, curiosa, linda e de uma inocência que só pertence aos índios e crianças. 
Estudei na  Escola Santa Catarina de meninas em Belém do Pará, é uma escola tradicional de freiras. Aos 08 anos de idade fixamos definitivamente nossa residência no Rio de Janeiro, Onde fiz primeiro e segundo grau na Escola São Judas Tadeu. Aí eram os finais dos anos 60 e viajei pelo Brasil, fui de ônibus do Rio até Belém depois subi o rio Amazonas de barco, conheço quase todos os estados do Brasil dessa época. Ao final dos anos 70, casei e fui morar em São Paulo, onde tive meus dois filhos e fiz vestibular para História, mas por motivos novamente de viajem tranquei matrícula e fomos todos morar no interior da  Inglaterra entre Cambridge e Oxford  Lá fiz por dois anos meu primeiro Curso Art and Design (Bedford College, Inglaterra); uma escola profissionalizante equivalente ao SENAC no Brasil e gratuita. Depois de quatro anos morando na Inglaterra, mudamos para Portugal – Lisboa onde fiz um curso de História da Arte Moderna na Escola ARCO
Trabalho com crianças e adolescentes especiais e também com pessoas da Maturidade.Faço produção cultural e sou Conselheira do Segmento de Artes no Conselho Municipal de Cultura de Petrópolis ( CMC)

De que maneira você começou a seu interessar por arte?
Desde muito cedo em Belém, minha tia, irmã de meu pai pintava quadros, tocava piano. Vivia cercada de cultura.


Como foi sua formação artística?
Quando retornei ao Brasil nos anos 90 já estava completamente dominada, no bom sentido pelo pensamento e o fazer artístico. Aí fui para o Parque Lage tive aula com Carli Portela, Anna Bella Geiger e no MAM com Ricardo Basbaum e fiz  todas as Oficinas de arte contemporânea do SESC.

Que artistas influenciam seu pensamento?
São tantos: Matisse por sua história de vida e trabalho ele viveu em tempos difíceis greves incontáveis, revoltas, assassinatos e duas guerras mundiais explodiram à sua volta. Contudo, seus quadros com títulos do tipo “Alegria de Viver” ignoravam todas as controvérsias políticas e sociais. Leonilson e sua catarse emocional, que tanto me emociona, Mira Schendel, Joseph Beuys,o expressionismo Alemão o movimento Dadá  ...tantos, tantas

Como você descreve sua obra?
Abordam memória, vida cotidiana, aproprio-me de fontes disponíveis notícias de jornais, objetos, fotografias, desenhos. Tudo se interliga; O que pego pronto será a condição de releitura e transformação a partir do meu ponto de vista.

O que é Arte Garagem?
Projeto que teve início em 2005 através de minha iniciativa e  Claudio Partes, que decidimos unir forças para tornar real um ambiente de experimentação artística  por falta de espaço na cidade de Petrópolis para estas experiências. A palavra “garagem” faz referência ao mecanismo do trabalho, que tem como objetivo reunir artistas com linguagem contemporânea residentes na cidade e convidados, na ocupação de espaços alternativos como via de acesso para aproximação com o público.  Tem como alvo a formação de platéia com visitas guiadas, apresentação de vídeos de arte e mesa redonda ao final da exposição para alunos da rede Municipal e públicos em geral utilizando o potencial da arte em um diálogo pertinente e relevante, com linguagem reflexiva acerca da arte hoje e do mundo por meio dela.
Fale sobre sua atividade de curadoria?
Não sou curadora. E sim uma artista conhecedora de arte com um olhar crítico que ama muito o  que faz e monta exposições.

O mercado de arte em Petrópolis já pode absorver a produção dos artistas locais?
Não existe mercado de arte em Petrópolis

O que você pensa sobre os salões de arte, alguma sugestão para aprimorá-los?
 Não acredito hoje em Salão de Arte. No séclo XIX era coerente com o academismo, quando tinham seus critérios para julgar. Em pleno século  XXI ficaram anacrônicos artificiais, os trabalhos são aceitos por consenso entre os membros do júri, o que pra mim não é forma de julgar trabalho.
Acho que deveria ter mais projetos como a Arte Garagem por aí. Mais artistas organizando eventos artísticos, expondo seus trabalhos, conversando trocando idéias com seus pares. A criatividade do artista não esta restrita as suas obras, pode expandir-se em várias iniciativas.  Essa discussão é muito pertinente e deveria ser discutida por todos os artistas e público em geral.
O que você pensa sobre as galerias virtuais?
Essa é uma atitude coerente e situada de forma certa no seu tempo.

Quais são seus planos para o futuro?
Pretendo continuar realizando meus trabalhos, sempre estudando,lendo e me aprofundando cada vez mais no estudo da arte e continuar fazendo o projeto Arte Garagem.

O que você faz nas horas livres?
Sou cinéfila de carteirinha, adoro! Gosto da companhia de um bom livro e caminho por esta belíssima cidade de Petrópolis

Espaço livre para comentários.
Só tenho a agradecer o espaço e ao Marcio que também é um grande incentivador da Arte.




Um Bom Método de Construção Detalhe 1


Um Bom Método de Construção Detalhe 2




Todas as Dores


Vila Cruzeiro.


Série A Deriva

10 comentários:

silvia disse...

muito bom Rosa, e Marcio, que divulga os artistas, parabéns!

Murilo D. L. disse...

Rosa esta parte só de ler me arrepiou de tão linda: Minha mãe era dona de casa, curiosa, linda e de uma inocência que só pertence aos índios e crianças.

Murilo D. L. disse...

Rosângela, essa colocação a meu ver não poderia ser mais acertada, eu apesar de leigo concordo, bjus amiga e muita sorte: Não acredito hoje em Salão de Arte. No séclo XIX era coerente com o academismo, quando tinham seus critérios para julgar. Em pleno século XXI ficaram anacrônicos artificiais, os trabalhos são aceitos por consenso entre os membros do júri, o que pra mim não é forma de julgar trabalho.

ricardo simoes disse...

Legal ter visto mais do teu trabalho e ótimo. E parabéns Marcio, como sempre

NinaKirmes disse...

Já te admirava antes; agora, mais...
Seja sempre abençoada e cheia de luz!
bjs
NinaKirmes

NinaKirmes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
NinaKirmes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcio Zardo disse...

Parabéns Rosa querida!! Tua garra e sensibilidade soam fortes nessa bela entrevista! Grande beijo!
E a vc, Marcio Fonseca, reitero minhas felicitações pelo ótimo informativo !! Abs!

Paulete disse...

Rosa, parabens pela entrevista e pelo seu projeto. Foi muito bom saber mais de voce. Assim que estiver em Petropolis, faço questao de prestigiar o seu evento.
Um grande beijo.

Paulo Mendes Faria disse...

Parabéns Rosa e Marcio !

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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