quarta-feira, 27 de julho de 2011

Coonversando sobre Arte Entrevistada Argênide Sevilha.

Argênide e Toffi


Argênide Sevilha artista autodidata, vive e trabalha em Campinas. Influenciada por Chuck Close fez várias exposições no exterior. Um aspecto importante do depoimento é a observação sobre a produção de catálogos nas exposições no exterior, coisa rara em nosso meio.  Obrigado Argênide.


Argênide, Fale algo sobre sua vida pessoal
Nasci em Salto-SP e moro em Campinas há muitos anos. Sou casada e tenho um filhinho de quatro patas chamado Toffi. Fiz USP – graduação na ESALQ e especialização na FAU.

Como foi sua formação artística?
Após a FAU fiz um curso de papel artesanal no Liceu de Artes e Ofícios em São Paulo com uma artista plástica cujo enfoque era o papel como arte em si e não como suporte. Trabalhei muito tempo com pigmentos puros e fibras. Em 2004 passei a usar tinta acrílica sobre tela, de forma autodidata, desenvolvendo inicialmente um trabalho semelhante ao do papel artesanal, até chegar nos trabalhos mais recentes, coloridos e com uma percepção cada vez mais abstrata quando vistos de perto. Pelo fato de não ter tido uma educação formal em artes, estudar para mim é um processo constante, faz parte da minha rotina.

Que artistas influenciam seu pensamento?
A primeira grande influencia foi Chuck Close, mas há muitos outros como Flavio de Carvalho, Portinari, Giacometti, Henri Cartier-Bresson e Ron Mueck, para citar alguns.

Como você descreve sua obra?
Creio que está dividida entre a autonomia de pinceladas abstratas que desenham em cada obra uma padronagem única, e a força final do conjunto quando o olhar se desloca e a obra se torna figurativa com o reconhecimento da imagem.

Que exposição sua, você considera a mais importante?
Todas são igualmente importantes para mim. A de Kaunas na Lituânia foi muito interessante por ter mobilizado toda a cidade por 15 dias quando ocorreram performances, exposições diversas e muitas outras atividades culturais em museus e galerias. Predominantemente tenho realizado exposições internacionais coletivas em Museus, como os da cidade de Deggendorf na Alemanha, de Charmey na Suíça, Paper Museum em Seul na Coréia, e a última no Wilfrid Museum em Israel.
Essas exposições, que produziram catálogos belíssimos sem nenhum tipo de ônus para os artistas, tiveram uma seleção feita por bancas de curadores para os quais eu, por exemplo, era totalmente desconhecida. É uma realidade muito distinta da nossa, tanto no que se refere às verbas quanto à mentalidade de grande parte dos curadores.

Morar em Campinas ajuda ou atrapalha o artista?
Pela proximidade com São Paulo, acredito que ajuda por me permitir acompanhar as exposições importantes do circuito. De uma maneira geral, hoje com o mundo todo conectado, não há diferença alguma se o artista é de São Paulo, Campinas ou de qualquer outra cidade, por menor ou distante que seja dos grandes centros.

O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Estou pensando em galerias há pouco tempo. Passei muitos anos desenvolvendo meu trabalho sem me preocupar com a comercialização. Acho que esse é um primeiro passo, não para o artista ser representado por uma galeria, mas para ter um trabalho consistente, com personalidade, o que não se consegue da noite para o dia. Em segundo lugar é preciso compreender que uma galeria não representa, absolutamente, um “atestado de qualidade”, pois há artistas ruins que tem galeria e outros bons que talvez venham a conseguir.

Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
Durante muito tempo a rua foi um grande estímulo, já que as imagens dos meus retratos se baseavam inicialmente nas pessoas que eu fotografava caminhando pelas ruas.

Você tem uma rotina de trabalho?
Tenho sim. Começo o dia fazendo uma caminhada com o Toffi e só depois vou para o ateliê. Costumo desenvolver vários projetos ao mesmo tempo. Quando pego nos pincéis já estou com tudo praticamente definido, então, enquanto estou na fase de pintura de uma tela, estudo as imagens, faço os desenhos e decido as escalas de cores dos projetos seguintes.

O que você pensa sobre os Salões de Arte?
Acredito que no geral sejam uma oportunidade para os artistas iniciantes mostrarem o seu trabalho aos curadores.Incomoda-me o fato de que em determinadas instituições, ao se observar o perfil dos artistas escolhidos a cada ano, conclui-se que os editais dessas exposições nunca deveriam ter sido abertos a artistas iniciantes já que nunca é esse o perfil dos selecionados.
Penso que há a necessidade de mais exposições destinadas especificamente aos que estão começando a carreira e que, por sua vez, os editais, de uma maneira geral, reflitam o perfil que está sendo buscado. De nada adianta uma instituição ter milhares de artistas inscritos quando, na verdade, desse número, apenas 10% corresponderão ao que está sendo procurado pela instituição.

Qual sua opinião sobre as Bienais e Feiras de Arte?
Adoro ir à Bienal em São Paulo, seja ela como for e tenha os problemas que tiver. Penso que hoje o formato das Bienais está sendo discutindo em todo o mundo, talvez também pelo fato de que muitas estão começando a se assemelhar às Feiras de Arte. É necessário buscar novos formatos, desde que bem definidos os papéis.

Quais são seus planos para o futuro?
Basicamente continuar produzindo e tentar dar mais visibilidade ao meu trabalho aqui no Brasil.

O que você faz nas horas vagas?
Gosto muito de ler, ver filmes, tocar piano, cozinhar tomando vinho e, principalmente, passear com meu marido e com o Toffi.


Giacometti 150x80cm.

Autorretrato 120x120 cm.
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Rota interior (detalhe)

Tarsila (Autoretrato) 150x120 cm.

Tarsila (detalhe)

Flavio de Carvalho 150x120 cm


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Maurizio Cattelan

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