terça-feira, 21 de junho de 2011

Conversando sobre Arte Entrevistado Flavio Cerqueira

Flavio Cerqueira

Flavio Cerqueira escultor contemporâneo figurativo. Vive e trabalha em Guarulhos, São Paulo. É representado pela Zipper Galeria. Em 2010, fez residência no Carpe Dien Arte e Pesquisa de Lisboa, sob a orientação de Paulo Reis e Lourenço Egreja. Recebeu os prêmios da X Bienal do Recôncavo, São Felix, do Salão de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto, no 9o Salão de Artes de Jataí e Menção Honrosa no 19o Encontro de Artes Plásticas de Atibaia. Obrigado Flavio.


Flavio, conte algo de sua vida pessoal.
Nasci em 1983 em São Paulo, sou filho de Nordestinos aos 12 anos de idade me mudei para Guarulhos após a morte do meu pai, foi nessa mesma época que comecei a trabalhar, já fui office-boy, trabalhei em uma imobiliária como assistente de corretores, já trabalhei na divulgação em escola de inglês, em uma metalúrgica, já vendi material elétrico, já trabalhei em farmácia, e já fui assistente de galerista.

Como a arte entrou em sua vida e como foi a reação familiar?
Arte é uma coisa que foi acontecendo na minha vida sem até eu mesmo perceber, antes de entrar na faculdade nunca tinha entrado em um museu ou em uma galeria, eu comecei a me interessar por escultura vendo os hippies da Praça da República aqui em São Paulo, eu nem sabia que aquilo se chamava escultura, eu comecei a fazer as esculturas de hippie para vender para os amigos do colégio e tinha o plano de virar um deles junto com o Tiago um dos meus amigos, pensávamos em ir para praia e ficar fazendo isso lá, mais nunca deu certo porque vendiamos tudo antes (risos), tinha uma amiga que ia estudar desenho industrial, como eu estava em época de vestibular e estava com intimidade com as esculturas (que até então achava que se chamava estátuta) fui procurar um curso de estátua industrial, a tentativa foi frustrada pois não encontrei nenhum curso (risos) ai vendo uma entrevista o Vik Miniz descobri que a estátua se chamava escultura e o curso era de Artes Plásticas foi quando fui procurar alguma faculdade de Artes Plásticas que pudesse pagar, quando eu falei para minha mãe que eu ia estudar Artes Plásticas a reação dela foi:
- Meu filho, você é um menino tão inteligente, nunca tirou notas vermelhas na escola, porque não vai estudar direito, engenharia, ou algo que possa garantir seu futuro?
E ai estou nessa até hoje...

Qual foi sua formação artística?
Sou Formado em Artes Plásticas pela Faculdade Paulista de Artes, após o termino da faculdade fui estudar modelagem com o escultor Cicero D'Ávila e quando comecei a desenvolver meu próprio trabalho comecei a frequentar o Ateliê Fidalga que é um grupo de artistas que discute e comenta sua produção com a orientação dos artistas Albano Afonso e Sandra Cinto.

Quem influencia seu pensamento artístico?
Na verdade todo o entorno acaba me influenciando, mais tem alguns nomes que são muito importantes para minha formação como Bernini, Giacometti, Goya, Rodin, Louise Bourgeois, Juan Muñoz, Damien Hirst, os irmãos Chapman, Maurizio Cattelan, Marc Quinn e Jeff Koons.

Como você descreve sua obra?
Pergunta difícil essa, acho que minhas esculturas falam de situações que todos nós vivemos ou passamos, mais cada um de uma maneira diferente.

Você recebeu o prêmio de exibição do MARP, o que você comenta sobre esse fato?
Eu fui um dos premiados no 35º Salão de Arte de Ribeirão Preto e como parte da premiação estou fazendo uma individual no MARP que fica em cartaz até dia 10 de Julho, acho que foi bastante importante para minha carreira esta premiação, já que o MARP é um museu de respeito aqui em São Paulo e nesses 20 anos de existência já passaram grandes nomes da arte contemporânea brasileira.

Qual sua opinião sobre as Bienais e Feiras de Arte?
Acho super importante a existência de ambas para divulgação de trabalhos de artistas de diversas linguagens e fomento da arte contemporânea para um público que não está nesse eixo museus-galerias.

 Você é representado por alguma galeria?
Sim, eu sou representado pela Zipper Galeria em São Paulo.

 É possível viver da arte?
Essa é uma pergunta que não quer calar (risos). Muita gente acha que vai sair da faculdade e virar uma Beatriz Milhazes ou uma Adriana Varejão vendendo trabalhos por milhões. Acho que cada artista tem seu momento e eu vejo arte como um trabalho, se o artista encara arte como uma profissão, logo ela consegue viver do seu trabalho, mais para isso é preciso muito trabalho e dedicação.

Você tem patrocínio para elaboração dos trabalhos?
Não tenho um patrocínio, a galeria entra como uma parceira ajudando e dando assistência a produção das obras é sempre um trabalho em conjunto.

 Quais são seus planos para o futuro?
Continuar trabalhando e dando um passo de cada vez, é como diria meu amigo Albano Afonso, devagar e sempre!

 A arte brasileira já pode concorrer no mercado com a estrangeira?
Acho essa palavra " concorrer " muito pesada, prefiro dizer que cada uma tem seu espaço e arte não tem nacionalidade arte é arte aqui no Brasil, na China, ou em qualquer parte do mundo.
A Mulher Fantasma

Comigo Ninguém Pode

Monólogo

O Invisível
Estado de Graça (2009) 15x37x15 cm. Pintura eletrostática sobre bronze. Foto Rômulo Fialdini.

João Sem Braço
Foi Assim que me Ensinaram.


Tudo entre Nós.


Pegue É Todo Seu.

O artista Flávio Cerqueira interessa-se pela escultura figurativa como potencial para trabalhar a realidade social. Ao trabalhar o bronze, matéria dura e opaca, o escultor recobre-a de um monocromatismo – geralmente a negro ou a branco – onde os personagens são oriundos da observação da sociedade. Sua galeria de personagens são Betos-sem-braços, meninos de rua, crianças em situação de desamparo e abandono. Noutras situações o artista recorre a personagens da iconografia oficial como uma Madonna ou então a um anão, numa clara alusão ao artista Juan Muñoz, uma das suas referências escultóricas, e também a Goya.
Na sua primeira exposição individual na Europa, Flávio Cerqueira apresenta duas obras criadas para o Palácio Pombal e que de alguma forma respondem ao anseio de um jovem artista quando vem ao continente europeu. Modelo civilizacional e humano, a Europa é o berço e o baluarte das ciências, das artes e da cultura, servindo até hoje de parâmetro de civilização pelos bens históricos e artísticos que detêm em suas cidades e museus. A primeira peça que o artista apresenta é a escultura Foi assim que me ensinaram. Esta é uma crítica ao ensino nas escolas de arte que preparam mal aos artistas, privilegiando a techné em detrimento do conhecimento sistematizado da história e da teoria da arte. Tomada como um auto-retrato i.e. um retrato dos milhares de artistas que deixam as escolas de arte sem a mínima noção dos feitos históricos dos antepassados, a peça é uma crítica profunda ao sistema educacional nos dias de hoje.
No jardim do Palácio apresenta a instalação Nós que aqui estamos por vós esperamos onde o artista volta a questionar a posição do artista contemporâneo e as suas relações com a histórica e a reverência aos grandes criadores do passado. Nesta instalação o artista elege os mestres do Renascimento e da Modernidade colocando-os ao lado de alguns nomes mediáticos que mobilizam a audiência mundial. Assim, Flávio Cerqueira recria a tradição da Vanitas de modo extremamente crítico.
Texto Paulo Reis. Co-produção: Zipper Galeria










2 comentários:

Anônimo disse...

um trabalho para ser acompanhado, não consigo indentificar uma pesquisa sistematizada, me parece algo que aponta timidamente, ainda sem muita profundidade. agora, o mkt esta muito bem feito, otimo networking......

Anônimo disse...

Acompanho o trabalho do Cerqueira desde o início, e vejo um crescimento e uma maturidade na sua arte, realmente admirável, unindo idéias e formas, onde o título simplifica e engrandece o conjunto, tornando cada escultura única. Muito bom!!! (Nando Sobral)

Maurizio Cattelan

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