quarta-feira, 11 de maio de 2011

Conversando sobre Arte Entrevistada Ana Elisa Egreja.

Ana Elisa Egreja é muito jovem, já com uma obra consistente. Sua entrevista é a demonstração de maturidade. Sem dúvida, seus sonhos revelados no depoimento serão realizados em tempo muito curto. O blog agradecido oferece aos seus leitores um belo presente.
Ana Elisa Egreja


Conte um pouco de sua vida pessoal
Nasci em Sao Paulo, em 1983. Morei em Sp a vida toda e passei quase todas as minhas ferias na fazenda, no interior de SP, cheia de bichos por todos os lados. Tinha um porco, um pavão, uma galinha, uma égua e dois besouros de estimação, todos com nomes proprios! Fui filha única ate os 6 anos, e eram eles minhas companhias lá. Em São Paulo, tive uma vida normal, uma casa com jardim, problemas na adolescencia, 2 irmãos, 2 cachorros, pais separados...

Quando começou o seu interesse pela Arte?
Desenho desde quando me lembro por gente e ia em muitas as exposições com a minha familia ou com a escola - lembro o quanto me marcou a Bienal de 94, quando eu tinha 11 anos. Com 16, ja pensando em fazer faculdade de artes, fui trabalhar com a artista Marina Saleme, que é amiga da minha mãe. Fui assistente dela um tempo, 2 anos acho, e pela primeira vez experimentei a vida no ateliê . Depois trabalhei numa galeria e fui monitora da Bienal. Com 18, entrei na Faap e foi lá que eu me envolvi pra valer.

Qual foi sua formação artística?
Minha produção é muito recente e tenho muito a percorrer, mas enfim, na FAAP, experimentei de tudo, gravura, escultura, fotografia.. e o que mais gostei de trabalhar foi com a pintura, que descobri quase no ultimo ano (2005). Na mesma época fui orientada pelo Paulo Pasta, que colaborou muito na minha formação mostrando artistas, abrindo um dialogo livre e principalmente, me incentivando a produzir com disciplina, a unica alternativa para a pintura crescer. Na época, olhei muito a pintura do Matisse, Iberê Camargo, Sean Scully, De Kooning, Rothko, e minha pintura, naturalmente, tinha a ver com todos eles. Era gestual e com grossas camadas de tinta. Estava preocupada em experimentar os elementos intrinsecos da pintura. Foi uma prepação para o que faço hoje.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Se na época da faculdade valorizava "a pintura pela pintura", hoje, tenho clareza de que o tema é importante e que tenho um aspecto pop no meu trabalho. Aprendi muito com aqueles artistas citados a cima, mas fui retomando o desenho na pintura e a vontade de contar uma história... e cada vez mais me preocupo com o limite do realismo que da pra chegar sem abrir mao da "carne" da tinta óleo. Hoje olho muito o Luiz Zerbini, Mathias Weischer, Eric Fishl, Jeff Koons, além de Vermeer, Ingres e um mais um monte de holandeses, que fizeram as melhores pinturas de interior que eu ja vi...mas gosto de tanta gente, ruim ter que escolher.

Como você descreveria a sua obra?
Dificil, mas posso dizer que pinto "mundos inventados", dentro do genero "pintura de interior". Faço um trabalho descritivo que acontece em duas etapas. A primeira é a construção do que pintar. Faço colagens de imagens de casas, animais e objetos vindas da internet e as manipulo no photoshop para construir mundos imaginarios, cenarios oníricos que muitas vezes, na passagem para pintura, viram cenas freaks, seja pela luz desconexa, seja pela aparente falta de ligação entre as partes - Aparente, pois até um morango no canto da tela esta la por algum motivo, seja ele a falta de vermelho na pintura. Tento criar uma harmonia no excesso e as vezes a solução esta num detalhe minusculo que talvez so eu veja.
Na pintura os códigos mudam e um novo desafio começa. Procuro dar a cada elemento pintado um tratamento diferente, de acordo com a "importância" que eu quero dar a ele na cena, e para isso experimento diversos solventes misturados a tinta óleo (terebintina, oleo de linhaça, liquim, cera). é , ao mesmo tempo, um processo livre e se, durante o andamento de uma pintura fico a fim de pintar uma tartaruga, por exemplo, e ela nao "cabe" na cena, decido fazer uma próxima pintura com tartaruga, montando todo um ambiente ideal para ela...e assim vai. A pintura do momento resolve o problema da última e cria um problema para próxima.
O problema, desde o ano passado, tem sido as diferentes formas de reflexão da luz. Fiz a série "Dark room", onde experimentei o desafio e a angustia de pintar a penumbra, usar somente tons escuros e foi muito dificil. Começei este ano a fim de pintar luz natural, dias ensolarados, ambientes arejados, e começei pela "Penteadeira"...estou produzindo mais tres e ainda nao sei o que vai dar, mas estou animada com os brancos, azuis claros e amarelos de nápoles.

Você tem uma rotina de trabalho?
 Sim, pinto em media 10 horas por dia.


A mulher já tem o mesmo espaço do que o homem no mercado de arte?
 Acho que tem.


Você fez parte do grupo 2000e8, que importância ele teve?
Foi um momento legal, onde encontrei outros 7 amigos pintores, com trabalhos totalmente diferentes do meu, mas com questoes parecidas. Exitia a ressaca da "pintura morta" e a gente nao aguentava mais ouvir isso, ja que conheciamos um bando de pintor por ai. Nos unimos com a intenção de fazer uma exposicão de pintura, nao de formar um grupo. Conseguirmos nosso objetivo e a convivencia foi cheia de trocas interessantes. Fizemos exposição no sesc pinheiros, em São Paulo, no museu Vitor Meirelles, em Florianópolis e saimos na capa do caderno 2, o que ajudou na questão mercadologica. Mas, parafraseando meu amigo Rodrigo Bivar, "o reconhecimento (do grupo) chegou antes do trabalho" !!!


Quais foram suas principais exposições?
Foram essas duas com o grupo, o 15 Salao da Bahia, no Mam da Bahia, onde ganhei premio aquisição. O premio Energias na Arte, no Tomie Ohtake, onde fui uma das tres artistas premiadas, e a Temporada de projetos do Paço das Artes, onde fiz minha primeira individual - apesar de ter outros artistas, cada artista fica com uma sala individual.

Qual a sua opinião sobre as grande exposições tais como Bienais e Documenta?
Acho que poderiam ser menores.

O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Nao sei, mas acho que antes da galeria, o jovem artista tem que passar por certas aprovaçoes, como ter participado de saloes de arte, e ter tido algum reconhecimento na faculdade. Para mim foi um caminho natural, mas nao existe regra ou manual para isso.

É possível viver de Arte no Brasil?
O mercado esta aquecido. Cada dia sei de um novo artista, de uma nova instituição, de uma nova galeria e de um novo colecionador de arte. Não sei se todos os artistas estão vivendo este momento bom, mas sei que quem faz pintura, essa arte "domesticavel", esta conseguindo viver.

Em que museu no exterior você gostaria de expor?
Os museus que eu mais gostei de visitar foram o Dia Beacon, o New Museum e o PS1, em NY, o Rijks Museum, em Amsterdam, Hamburger Bahnhof, em Berlim, o Museum Quartier, em Viena e Inhotim, em Minas. Iria correndo se qualquer um desses me chamassem, mas tenho noção das coisas...(!)

Quais são seus planos para o futuro?
Penso em continuar pintando, mas tambem penso em experimentar outros suportes. Quero, obviamente, expor pelo mundo e conseguir viver disso para o resto da minha vida.

Como você utiliza suas horas livres?
Eu durmo, leio, bebo e pinto de novo nas horas livres!



Urso Polar e seus Amigos Monocromáticos num Habitat quase Natural (2010) 150x250 cm. Óleo sobre tela. Coleção particular



Benedicto (Hunting Dog) (2009) 160x160 cm. Óleo sobre tela



Hotmonkeys (2010) 160x130 cm. Óleo sobre tela. Coleção particular.


Bodas de Algodão (2010) 130x150cm  Óleo sobre tela. Coleção paticular.


Alcir Veado Ensolarado (2010) 140x170 cm. Óleo sobre tela. Coleção particular.


Pinks Flamingos (2008) 200x150 cm. Óleo sobre tela

Sr Lobo em Pele de Cordeiro (2010) 160x250 cm. Óleo sobre tela.




http://www.flickr.com/photos/anaelisaegreja/






































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Maurizio Cattelan

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