quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Conversando sobre Arte Tatiana Blass

Metade da Fala no Chão - Piano Surdo detalhe.




Metade da Fala no Chão - Piano Surdo.(2010) Piano de cauda, pianista, cera microcristalina e vídeo. 200x500x500 cm. Fundação Bienal de São Paulo. Foto Everton Ballardin.





Cão Cego (2009) Parafina, pigmento preto e verniz. 17x200x250 cm. Coleção do artista. Foto Marcio Lima.




Zona Morta (2007) Instalação com móveis e objetos. Foto Everton Ballardin. Coleção José Marton.





Metade da Parte no Chão Bateria (2010). Cinco baterias e cera microcristalina. 200x500x500 cm. Coleção Cisneros Fontanals Art Foundation. Foto Oriol Tarridas.
Para a última entrevista de 2010, escolhemos a jovem, simpática, bonita, inteligente, competente e talentosa Tatiana Blass, que já alcançou, pela bela trajetória, o patamar de primeira grandeza da arte brasileira. Fez exposições individuais nas Galerias Milam, Virgílio, Paço das Artes e Ateliê 397, SP. No museu de Arte Contemporânea de Salvador, Bahia. Na Galeria Box 4 / Silvia Cintra Arte Contemporânea. Participou da 29a Bienal de São Paulo. Indicada para o Nan June Paike Ward e Prêmio Pipa. Ganhou o prêmio Marco Antonio Vilaça. Bolsista da Cisneros Fontanals Art Foundation. Seus trabalhos estão em diferentes coleções no Brasil e exterior. A artista é representada pela Galeria Milam. Mais informações http://www.tataianablas.com.br





























Fale um pouco de sua vida pessoal.
Eu nasci em São Paulo em 1979. Minha mãe é socióloga e meu pai é técnico em plásticos. Eu me formei em Bacharelado em Artes Plásticas na UNESP em 2001.




Como se deu o interesse para a Arte?
Desde criança frequentei exposições e gostava muito de pintar e fazer experimentações.





Como foi sua formação artística?
Além da universidade, eu fiz muitos cursos livres com artistas e teóricos. Eu tive várias pessoas muito importantes em minha formação, a maioria artistas que davam cursos. Já no 2º grau, tive aula com o Alex Cerveny e a Sandra Cinto, neste momento também fazia curso no Jogo Estúdio com o Augusto Sampaio e o Silvio Dworecki. Depois, fiz faculdade de Artes Plásticas na UNESP, quando também fiz diversos cursos com Rodrigo Naves, Rodrigo Andrade, José Resende, Edith Derdik, Alberto Tassinari, e o importante curso de formação para educadores da Bienal de São Paulo. Algo muito especial foi um grupo de artistas do qual participei que era acompanhado por Paulo Monteiro, onde levávamos nossos trabalhos e discutíamos abertamente com artistas e críticos que admirávamos.
Quais foram os artistas que influenciaram seu pensamento?
São muitos. Alguns: Giotto, Goya, Courbet, Cézanne, Vuillard, Degas, Bruce Nauman, Joseph Beyus, Matthew Barney, Pedro Cabrita Reis, Cardiff&Miller, Damien Hilst, Sugimoto, Richard Diebenkorn, Richard Serra, Fred Sandback, Volpi, Goeldi, Waltercio Caldas, Cildo Meireles, Tunga, Jorge Guinle, Nelson Felix, Nuno Ramos, Iran Espírito Santo, Cristina Canale, Cinthia Marcelle e muitos mais.


Como você se mantém atualizada?
Indo a exposições, lendo, viajando.


Que atividades culturais ajudam na formação do artista?
Acho que a formação do artista vem dos estímulos do mundo, das experiências da vida, como a moto que passa, o céu que muda de cor, o livro que fala com o meu pensamento, a briga que tive, a comida com gosto estranho, alguma história engraçada. Tudo isso é o que me faz fazer arte. Então vem de todos os lados e se transforma de vários jeitos. Muitas vezes vejo uma coisa e me dá vontade de fazer algo com aquilo, como por exemplo, vi um concerto de um pianista na Sala São Paulo e enquanto assistia tive a idéia da obra que vou realizar para a Bienal.


Como você comentaria seu trabalho?
Tudo partiu do desenho e depois da pintura. A partir de 2004 comecei a fazer obras diretamente no espaço e depois obras em diversas linguagens, como vídeo, instalação, objeto, etc. Comecei a fazer estes trabalhos apenas porque tinha idéias com outros materiais e linguagens. Mesmo com esta diversidade, acho que há um grande diálogo entre os trabalhos. Algo em comum entre as obras é a tentativa de estabelecer relações apaziguadas entre os elementos, sem que para isto tenha que suprimir a identidade de cada um. A vontade está em estabelecer uma convivência em que mesmo a estranheza não traga discordância.
Outra aproximação entre as obras é a idéia de criar uma continuidade entre diferentes elementos, em que a presença invisível e imaterial se torna física, onde o intervalo não é o vazio, mas uma interligação entre corpos.


Qual a sensação de ser escolhida para a Bienal de São Paulo e perceber a enorme repercussão positiva de sua obra?
Muito bom.


Para uma artista de ponta é possível conciliar a carreira com casamento e filhos.
A mulher já atingiu seu merecido lugar no mundo da arte?
Sim, não vejo distinção entre gêneros.



Como você utiliza seu tempo livre?
Eu não consigo fazer essa distinção entre tempo livre e trabalho, tudo é uma coisa .
A Tatiana Blass e a todos os participates e aos leitoes desejo feliz Ano Novo.


Tatiana Blass

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