quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Conversando sobre Arte. Entrevistado Bob Ene

Lola

Blue Utopia

Maja Embananada.
















Bob Ene você poderia contar um pouco de sua história pessoal?

Sou Carioca, assim com C maiúsculo, porque nasci fui criado aqui e acredito que o Rio de Janeiro é um lugar peculiar, ao mesmo tempo dos mais cosmopolitas e também dos mais intensos e ricos culturalmente que existem, me nutro em todos os sentidos disso tudo. Vivo intensamente a cidade, sua geografia, tenho passagens e sei andar pelas zona sul, central, norte, oeste e baixada.Meus pais são Médico ( Pai , falecido ) e Advogada ( Mãe, viva ), ambos trabalharam no entanto em órgãos públicos, hospitais e ministério do trabalho,curiosamente meu pai que tinha convicções socialistas ( participou ativamente da oposição à ditadura militar ) me colocou na Escola Americana do Rio de Janeiro,convivendo com gente de outras haviam desde príncipes a bolsistas filhos de funcionários que moravam na Rocinha.Já trabalhei com minha família no comércio e tenho incursões no mercado imobiliário e formação em mercado financeiro que acho fascinante pelo IBMEC,mas minha inclinação sempre foi pela arte, fazendo cursos e diversos fazeres artísticos desde a adolescência.Sempre gostei do mar fui um surfista dedicado e apaixonado, enquanto isso aos 15 anos ia lendo o Gombrich, vendo filmes no MAM e no estação Botafogo,não saia com a turma da praia, ia encontrar outra gente de noite, e ficava lá destoando com aquela cara torrada e cabelo queimado de surfista.Volto ao assunto do Rio de Janeiro, uma cidade que te permite viver coisas que aparentemente não se juntariam.






Como foi despertado seu interesse pela arte? E quem influenciou seu pensamento artístico?

Aos 4 anos minha mãe me inscreveu no curso do Ivan Serpa no MAM, não me lembro dele, mas sou muito grato, depois teve gente incrível como Orlando Mollica, Katie V.Scherpenberg, João Magalhães, José Maria Dias da Cruz, Anna Bella Geiger que muito me incentivou,Fernando Cocchiarale, Reynaldo Roels.Credito também muitíssima importancia aos amigos e colegas que muito me nutrem nas convivencias, a lista é grande mas logo me vem à mente PaulaGabriela, Marcio Botner, Aimbere César, Edmílson Nunes, Laura Lima, Márcio Ramalho, Marssares, Guga, Fernando de La Rocque, Bia Lemos, Bernardo Mosqueira, Pedro França, Abel Duarte, Pontogor, toda aquela loucura maravilhosa que foi o Galaxi e por ai vai..são esses e outros minhas influencias constantes.






Como você se classifica, artista, curador,crítico ou professor?

Sou Artista, aliás, sou uma pessoa que faz arte, prefiro assim, para fazer arte é preciso viver, existir experimentar antes de mais nada estar vivo, vivendo,dai faz-se arte, também dou aulas como extensão desse fazer, mais como experiência de vida, de troca que por transmissão de conhecimento, às vezes organizo e produzo exposições.Evito o termo curador por respeito àqueles que exercem essa profissão com competência e dignidade, alguns que já citei na lista anterior e outros como Marcio Doctors e Ligia Canongia,cujos trabalhos por razões distintas respeito muitíssimo.Minha principal atividade é viver, o resto como disse antes decorre disto.






Qual sua opinião sobre o ensino de arte no Rio de Janeiro?

O ensino da arte no Rio está falido. Está todo focado em modelos vencidos, acadêmicos, não vejo nenhum projeto com ímpeto (d)e liberdade,estamos em plena entropia nesse sentido.Encontram-se exceções individuais alguns já citados aqui, porém com açãolimitada dentro de estruturas engessadas e equivocadas.


Como você se mantém atualizado?

Manter-se atualizado pressupõe estar em defasado e correndo atrás, prefiro ser atual estar exposto a tudo que acontece, atento e permeável ainda que muitas vezes crítico.


Há uma enorme quantidade de artistas jovens sem galeria e sem acesso ao mercado, como resolver o problema?


Concordo que há enorme quantidade de artistas, ficou banal fazer arte, acho que existem sim muitos artistas ruins, fracos de idéias e de convicções frágeis, e cada dia mais galerias sem maiores consequência vendendo esses souvenires como se valor tivessem.
Qual sua opinião sobre as galerias virtuais?
Acredito no valor e potencia do mundo virtual, galerias, relacionamentos, sexo, negócios, medicina tudo me libera para estar também no hic et nunc alhures.
O que você pensa sobre os salões de arte?
Salões...herança atávica, prefiro a cena mais aberta dinâmica, pulverizada da cidade...me atrai e enriquece mais, menos domada e tendenciosa, mais livre e rica que esses salões,muito centralizadores.
A arte brasileira está pronta para concorrer no mercado internacional?

Acho que o mercado internacional está pronto para a arte brasileira, está ávido por trabalhos diversos, algumas galerias tem trabalhado isso com muita competência,a Gentil é o grande exemplo disso aqui no Rio.No entanto acho que precisamos fortalecer o mercado interno,pouca gente que tem recursos se interessa e relaciona com arte contemporânea, temos responsabilidade nisso, devemos assumi-la e tentar nos colocar melhor.


Qual é seu plano para o futuro?
Meu plano para o futuro é viver, como disse antes o resto é consequência.
Como você utiliza suas horas de folga?
Não distingo muito horas ocupadas das vagas,dias úteis dos inúteis, o desejo da necessidade,sou ocioso e ocupado ao mesmo tempo.
Não conheço pessoalmento Bob Ene, a entrevista foi realizado por e-mail. Bob Ene é uma das mais atuantes figuras da arte no Rio de Janeiro, suas atuações diversas em várias áreas da arte são pontuadas com competência e dedicação. Divido com os leitores do blog sua bela entrevista englobando questões artísticas e da própria vida. Agradeço sua boa vontade e gentileza e, assim que estiver andando irei abraçá-lo pesoalmente.







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Maurizio Cattelan

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