quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Conversando sobre Arte Entrevistado John Nicholson


Tres dípticos 2004-2005
Sem título Aquarela sobre papel 30x30 cm. 2010.




At the Gates of the Kremilin e Sunrize Sunset Acrílica sobre tela 2003.



Woman Seated on the Arm of Sofa Óleo sobre tela 195x130 cm. 2010







Sem título. Aquarela 50x70 cm. 2007.









Saindo. ÓLeo sobe tela 70x50 cm 2007.
John você poderia contar um pouco de sua história?
Meus avós nasceram na Irlanda e meus pais chegaram crianças com suas respectivas famílias aos Estados Unidos e se fixaram em Comanche no Texas. Minha mãe trabalhava como Enferneira e meu pai era advogado. Ele foi eleito procurador público do Condado. Ao término do seu mandato, ele perdeu a eleição e resolveu tentar a vida em outra cidade. Mudamos para Corpus Christi, onde meu pai, advogado criminalista, abriu seu escritório com um sócio. Algum tempo depois, com dificuldades na sociedade, mudamos para um pequeno rancho localizado em Rosemburg. Aí, John falou sobre a saudade da terra branca, da vegetação e dos riachos límpidos de Comanche e o contraste com a cidade atual, plana, terra preta e com vegetação escaça.
Havia alguma exposição à arte nesses locais?
Eu tinha um tio com um cargo de direção na Universidade Estadual em Houston e, nós o visitavamos com alguma frequência. Ele era responsável pelo acervo de arte na Universidade. Com ele eu conheci o Museu de Belas Artes e tive meus primeiros contatos e as lições iniciais com o desenho aos quatro anos de idade.
Como foi sua formação artística?
Eu não tive uma formação formal em arte. Frequentava o Museu de Belas Artes em Houston e fazia os cursos possíveis. Meu pai recebeu como parte de hnorários por serviços prestados a uma família chinesa um curso de caligrafia chinesa para mim. Foi uma bela e importante experiência aprender os desenhos elaborados daqueles símbolos.
O que ocorreu depois?
Aos 16 anos, eu fui morar sòzinho. Precisava ganhar meu sustento e trabalhava no que aparecia, construção civil, desenhos de sofá e muitos outros biscates. Consegui algumas bolsas para cursos de desenhos. Estudei na Universidade do Texas e me formei em Ecologia com especialização em Matemática Aplicada, profissão que nunca exerci.
Então, você decidiu ser artista muito cedo?
Eu acho que aos quatro anos de idade eu já sabia que no futuro eu seria desenhista. A família foi sempre contra, mas no fundo eu já havia tomado a decisão.
O que o levou a vir para o Brasil?
Era tempo da Guerra do Vietnã. Dos treze amigos convocados, quatro retornaram, mas ,apenas, dois em boas condições. Eu participava ativamente de muitas manifestações políticas e discordava do Governo.Durante meu período na Universidade, eu conheci uma brasileira cursando o Doutorado. Começamos a namorar e decidimos nos casar e vir para o Brasil. Assim, Margarida e eu nos casamos pelas leis do Texas.
Quando você chegou ao Rio de Janeiro?
Foi em 1977, numa quarta feira de Cinzas. Fomos morar com minha sogra e como éramos casados pelas leis do Texas, o casamento não tinha valor no Brasil. Eu não tinha documentos brasileiros e não podia trabalhar. Foi um ano muito difícil. O presidente era o General Geisel e as leis contra estrangeiros muito duras. Eu vivi como clandestino, durante uma ano, até poder regularizar minha situação. O tempo livre era aproveitado para continuar a desenhar e estudar.
Que tipo de arte você fazia?
Eu era ligado ao Minimalismo Abstrato. Quando nós nos mudamos para um apartamento no Leblon, eu ia a COBAL e percebia como era importante no Brasil a apresentação exterior das pessoas. As mulheres estavam sempre bem vestidas e a cada dia apareciam com roupas diferentes. A sensação era de ser a aparência externa mais importante importante do que interior do indivíduo.
De que maneira isso influenciou o seu trabalho?
Aquilo me causou uma forte impressão e, eu senti a necessidade de colocar esse sentimanto nas telas. Tomei Rauschenberg como modelo, pois ele continuou a linha de Duchamp sem perder o foco no aspecto pictórico. As apropriações de fotos, as impressões em telas, os objetos, a história da arte e quase um sentimento psíquico aliado ao domínio da cor o tornaram um artista inovador e abriu outras possibilidades para pintura. Foi nesse momento, a minha decisão de ir buscar a figura na pintura.
Que outros artistas, além de Rauschenberg, foram importantes para você?
Cito Oldemberg, Bill Auzalone, pintor texano pouco conhecido, o grande Richard Diebenkorn, Matisse, Degas, Cézanne, Manet e Vermeer.
Quando foi sua primeira exposição?
Foi em 1980, numa galeria chamada Divulgação e Pesquisa com trabalhos em pastel.
E depois?
Tive um contrato com a Galeria Paulo Klabin, onde fiz duas exposições. As exigências de produção eram muito grandes, acima de minha capacidade de produção, razão pela qual deixei a galeria. Passei por outra com contratos temporários. Hoje sou independente.
A galeria ajuda o artista?
Ela tem um papel importante. Ela apresenta você aos colecionadores e consegue inserir o seu trabalho nas Feiras de Arte e outras exposições no Brasil e no exterior. Com essas ações você fica em evidência.
Sobre o curador e o crítico qual é a sua opinião?
Para mim o curador é desnecessário. Alguns querem tomar o lugar do artista. Muitas exposições expressam o seu pensamento e não de quem produziu a obra. A crítica acabou, aqui e no resto do mundo.
Nós estamos conversando diante de várias telas com figuras de mulher. Você poderia falar sobre essa série?
São pinturas a óleo em que estudo a figura da mulher no ambiente do interior de sua casa. Essa série será apresentada em uma exposição programada para novembro. Agora, depois de terminá-las, eu sinto a necessidade de ir para fora de casa e pintar Copacaban. Outra vertente, seria retratar o jardim do Parque Lage, lá você encontra um sistema biológico completo. Plantas nascem, dão flores, envelhencem, mudam de cor, e morrem, representar tudo isso, juntamente com aquelas construções já gastas pelo tempo me tem atraído muito.
Podemos falar um pouco sobre sua participação no ensino da arte?
Ela começou em 1980 na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Foi um convite de meu amigo Luiz Áquila. Participei d eum curso muito bem estruturado, no qual você deveria observar o programa, que ia do desenho de observação à teoria da cor. Foi uma bela experiência, permitiu-me aprimorar o português e perceber com é possível aprender com os alunos. Alguns eram brilhantes, como o Ângelo Venosa, dedicado e sempre com questionamentos pertinentes e ricos. Permaneci até 1985. Na década de 90, fiquei por mais dois anos e participei por mais quatro semestres em 2003 e 2004. Nesses últimos anos, os alunos já chegavam com uma visão voltada para o mercado e queriam pular o aprendizado inicial, indispensável para formação de um bom artista. Foi muio cansativo.
Você gosta dos trabalhos de pintores atuais?
Citaria o Berliner, a Lúcia Laguna e a Clarisse Tarran essa põe muita dedicação e energia em tudo que faz desenhos, performances e instalações.
Quais são seus planos para o futuro?
Quando eu estou aqui no ateliê diante das questões de pintura eu me realizo. É um mundo que eu adoro. Hoje, eu posso pintar para mim mesmo, fazer o que quero. O meu plano é continuar a pintar sempre acrecentando alguma inovação.
John foi uma tarde inesquecível. Agradeço seu honesto depoimento e fiquei encantado em conhecer Daniel seu gato tão bonito e bem comportado.
A entrevista com John Nicholson foi realizado em seu ateliê localizado em Copacabana em 21 de setembro de 2010.



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Maurizio Cattelan

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