quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Conversando sobre Arte Entrevistado Fernando de la Rocque

Série PET SHOP

Barata de Ouro


Colônias Fucwear Toalha





Que Coisa 2 Série PET SHOP







Cadeira Luiz XV Bordada. Série Colônia





Baratinha Folheada.











Fernando de La Rocque nasceu no bairro do Humaitá, no Rio de Janeiro em 28 de novembro de 1979. Filho de Luis Fernando de la Rocque, corretor de imóveis e Maria Lucia Vilhena da Rocha, bibliotecária. Cursou o primeiro grau nos colégios Escola Nova, Portocarrero e Canarinhos Camaiore. Segundo grau no Colégio Bahiense e, em 2004, tornou-se Bacharel em escultura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro tendo colado grau em 2008. Solteiro. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.






Fernando, quando você decidiu ser artista?


Tenho desenhos guardados por minha mãe quando eu tinha tres anos. Desenhei durante minha infância inteira e na adolescência. Aos 15 anos, frequentei na Escola de Artes Visuais do Parque Lage o curso 3D com o professor João Goldberg. Minha mãe sempre me estimulou, meu pai e meu avô sempre detestaram a idéia. Aos 18 anos, quando chegou a hora de prestar vestibular, havia pressão para que eu fizesse Design e não Artes Plásticas, inclusive pela psicológa do colégio. Mas o catálogo da UFRJ chamou minha atenção para o curso superior de Escultura, que sempre foi minha paixão. Fui aprovado no vestibular e terminei o curso. Não me arrependo. A decisão de se tornar um profissional das artes surgiu aos 18 anos.






Como foi a reação familiar?


Minha mãe não se interessa por arte. Não tenho contato com a maioria dos parentes. Meus tios e primos são bem sucedidos, sabem que sou artista, sempre convidei para minhas participações. Nunca foram a uma exposição ou compraram um trabalho, e nem pediram para ver, nem perguntaram o que estou criando no momento. Meu pai acha ser coisa de "transviado", mas quando sai algo publicado, ele é o primeiro a telefonar para me contar. São dez anos de trabalho, e ninguém da família sabe quais são minhas criações. Nesses dez anos, um ou outro parente foi a uma exposição ou por ser perto ou por eu ter insistido ou por ser em um lugar muito chique. Por essas e outras, acho que a reação foi e continua sendo negativa.






Como foi sua formação artística?


Apesar de ter estudado na EAV do Parque Lage e na Escola de Belas Artes, UFRJ, acho que as maiores escolas foram as vivências como a Zona Franca (Fundição Progresso, 2002), o Orlândia, o Açucar invertido, o Alfândega e outros eventos. A maior escola de arte contemporânea do Brasil não está dentro de uma universidade ou de um curso, mas respirando com os acontecimentos que definem a formação, não o diploma.






Quem influenciou seu pensamento como artista?


Minha influência vem de várias fontes, não só de artistas plásticos, mas de escritores, designers, músicos e bailarinas. Foi essa diversidade disciplinar que me fez ter vontade de desenvolver diferentes linhas de trabalho e misturar performance com happening, pintura, instalação, interferência, escultura e arte urbana. Meus amigos foram minha maior influência. Eu tenho meus ídolos: Jeff Koons, Wim Devoye, Damien Hirst, Brancusi, Tunga, Olafur, Eliasson, Ernesto Neto, Banksy, Frank Zappa, Salvador Dali, David Elsewhere, Darcy Ribeiro, Beyoncé, Diana Ross, Michael Jackson e muitos outros artistas de diferentes modalidades. Sou eclético porque "mamo" em várias fontes. Gosto de perceber que é possível ser artista bem sucedido. Isso me dá força para insistir no ofício, posso dizer, que influenciaram meu pensamento nesse sentido também.






Você é representado por alguma galeria? Como se relaciona com ela?


Em 2010, tenho trabalhado com duas galerias: A Gentil Carioca no Rio de Janeiro e a Belizário em Belo Horizonte. Agora, preparo uma proposta de exposição para cada uma delas, com trabalhos bem diferentes um do outro. Acho legal dar exclusividade de alguma linha de trabalho para cada galeria. Todo meu trabalho de arte erótica tem como destino a Gentil Carioca, e meu trablho de escultura para a Belizário.






Fernando fale sobre seu trabalho.


Falar sobre meus tabalhos é um dos maiores desafios para mim. É o momento em que preciso me encontrar, pisar no chão, olhar e ver o que estou fazendo a uma distância de observador. tentando envolver o mínimo com minhas questões que levaram a criação, mas dando foco a elas em si. Foram aquelas influências já citadas que me levara a esse ecletismo de meu trabalho. Abaixo, algumas informações sobre minha obra que se encontra constantemente em pleno estado de metamorfose.






Pureza do Ecletismo _ Meu trabalho é multiplo. Não só na diversidade conceitual, mas na constante ampliação das possibilidades de desdobramento de cada proposta. O que mais me interessa é diversificar e surpreender. Criar ícones que se alojem na memória das pessoas. Algumas de minhas idéias existem desde os tempos do colégio As "surubas" do Colônias eu começei a desenhar aos 16 anos. Cada idéia fica sendo ruminada eternamente, e produtos vão sendo gerados a partir delas. Minhas idéias nunca me abandonam, elas se transformam. Mesmo os piores trablhos, que eu não repito, serviram de base para trabalhos melhores. Mihas criações eu separo em séries, tal como um músico divide a obra em álbuns. E as vezes faço remix ou reedições de idéias antigas. Alguma de minhas séries:



Barata de Ouro _ Apresentada pela primeira vez no Zona Franca em 2002. É um objeto vivo, uma barata pintada com esmalte d eouto. No decorrer de oito anos, cerco a mítica do objeto com homenagem, forçando uma fábula urbana, onde o objeto é sublimado, estando mais presente no pensamento das pessoas do que na exposição. Não havia a barata na exposição,mas havia em todos a vontade de vê-la. O que eu queria mesmo era gerar essa inversão conceitual icônica: fazer com que o suporte repugnante se tornasse objeto do desejo. E foi o que aconteceu. O neologismo "Expressionante" se fez valer pelas muitas coisas que foram ditas e feitas à espeito do objeto/criatura viva. Na individual do Sergio Porto, tive críticas importantes de diferentes fontes, contra ou a favor. O trabalho foi discutido em jornal, revista, rádio e televisão. É dessa polêmica que ele se alimenta e ganha corpo.



PET SHOP _ É o desdobramento de um estudo que começou em 2003, ao perceber haver muito plástico disponível na natureza. Me interessou a abundância do material, pois não nasci em família rica e, não podiam me prpoporcionar materiais nobres para meu estudo. Todos os objetos apresentados para conclusão do curso de Escultura na Escola de Belas Artes eram de plásticos. Em 2003, apresentei um objeto no Espaço Antonio Bernardo, numa exposição coletiva, com Ducha, Marcia X, Jorge Duarte e Mara Martins. Continuo fazendo esculturas seguindo a mesma lógica, interessado na promessa de que o material tenha vida longa, característica do plástico. A durabilidade é uma questão preocupante para os artistas. E apesar de eu ter trabalhos efêmeros, que podem ser reproduzidos, me interessam, também, os de vida longa feitos por mim. Gosto de trabalhar o plástico com cola e fogo. O resultado são formas orgânicas leves e belas.



Colônias _ Série de desenhos eróticos, aplicados a suporte e propostas de arte urbana indoor e outdoor. Sã azulezos, cadeira Luiz XV, toalha de corpo bordada, lambe-lambe, sticker art, desenhos e outro projetos de intervenção urbana. Podem ser instalados nas ruas ou ambientes fechados. A idéia é sepre apresentá-los como "site-specific". Existe a pretensão de que algumas sejam preservadas como patrimônio público, ao serem assimiladas pela cidade como monumento.



Lazer de Rubi _ Série inédita, mutimodal, que envolve performance, pintura e transe coletivo. Uma imagem foi publicada na Folha de São Paulo, na matéria "10 promessas para 2010", na qual eu fui indicado como uma das promessas.


Blow Job _ Série inédita de pinturas, retratos e imagens religiosas, feitas com fumaça. São estencils de acetato onde a tinta é a fumaça soprada. É um desdobramento da pesquisa Série Fumaça com desenhos, pinturas e vídeos.

Essas são as séries nas quais tenho trabalhado em 2010. Há outras, mas essas exemplificam a maneira múltipla d epensar a obra. É como uma esquizofrenia pura e aplicada, na qual cada execução de obra, o artista se envolve profundamente, assumindo um personagem tarado pelo tema em que está se dedicando. Eu tenho implicância com os aristas que passam a vida fazendo a mesma coisa. Admiro aqueles que sempre superam as expectativas. Por isso, amo o trabalho de Jeff Koons, Wim Delvoye, Tunga, Ernesto Neto, e Olafur Eliasson.Por isso, me identifico tanto com Guga Ferraz, Alexandre Vogler, Maria Nepomuceno, Thiago Pitta e Jarbas Lopes Foi vendo esses artistas trabalhando que me sinto seguro em fazer o que gosto, porque pude ver ser possível o sucesso fazendo de minha loucura o meu modo de viver.



As galerias contribuem para o desenvolvimento da arte?


Com certeza para o desenvolvimento dos artistas representados. Abrem portas, levan às Feiras Internacionais e fazem a ponte entre colecionadores e o artista, permitindo seu desenvolvimento mais rápido. Pensando dessa forma, a galeria acabam contribuindo para o desenvolvimento da arte.


Você consegue viver exclusivamente do seu trabalho?

É preciso ser workoholic para viver de arte no Brasil. Trabalhar muito. Este ano, está sendo produtivo e tem rendido bons frutos. A tendência é melhorar. Meu trabalho é muito diversificado, acho que isso ajuda.



Qual sua opinião sobre o preço da arte no Brasil?


Creio que no Brasil e no Mundo ser possível adquirir arte por valores acessíveis. Tem gente nova "arrebentando". Falta a cultura de apreciação e aquisição de arte. O brasileiro precisa aprender porque arte arte é bom de ver e de ter, entender a questão do investimento e retorno. Vejo artistas, já na estrada há trinta anos, comemorando o primeiro milhão de dólares, enquanto lá forauma escultura é vendida por 20, 30, 40 milhões de dólares. No exterior, há grande afluência aos museus inclusive parte significativa de turista, o que justificaria o investimento de milhões na aquisição de acervo. O engraçado é que os brasileiros vão a França para conhecer o Louvre, mas nunca puseram os pés em nenhum museu brasileiro, O preço da arte depende do consumo desa arte. Demanda x procura. Se o Brasil apostar numa aumento maior do público consumidor de arte, consequentemente as obras passarão a valer mais.






Qual a importância do curador?


Em algumas ocasiões, é essencial. Em outras desnecessário. Teoricamnete é quem prepara tudo para o artista montar seu trabalho com tranquilidade. Resolve os "pepinos e "amarra" a exposição. Cuida do texto, da assessoria e responde pela mostra. Faz o projeto capta o recursos. Já participei de exposições em que era dito não haver curadoria, mas na abertura lá estava o curador representando. Mesmo não participando da seleção dos trabalhos, há coisas importantes a serem feitas. Isso é em relação aos curadores que encaram o desafio e trabalham. Alguns fazem a seleção e não se esforçam em fazer a coisa expandir.





Qual a importância do crítico?


Somente o crítico pode humanizar a obra. Dar ao trabalho um olhar não técnico engrandece a obra. Existe um mito, uma espécie de medo do crítico. Ele é visto como carrasco. Acho construtivo e divertido. Eu sou chegado a uma polêmica, então ficaria curioso de contrapor uma crítica negativa a uma positiva. A matéria do JB sobre a Barata de Ouro foi esculhambando o trabalho, distorceram tudo, chamaram de escatológico e de mau gosto, ainda sugeriram jogar Detefon no artista. Em um primeiro momento fiquei muito puto. Conversei com os amigos, o Zarvos perguntou "Quem é o crítico?" _ e pensei meu trabalho recebu uma crítica! Fiquei muito feliz. Mais feliz, ainda, quando sairam coisas ótimas sobre a exposiçao Acho que a crítica só deprecia quem se deixa depreciar.Eu enviei um e-mail para o colnista do JB pedindo direito de resposta e não recebi retorno. O JB já era. Ficou a relíquia de ter sido criticado em um dos últimos exemplare em papel do Jb. Isso me deixa feliz. Deveria haver mais críticos e curadores. Tem muito artista para poucos teóricos.



Que avaliação você faz sobre as feiras de arte?

Gosto da estética da feira de arte. Tudo junto e misturado. É onde os galeristas do mundo inteiro põem lado a lado trabalhos de vanguarda. Vêem e são vistos. A coisa nômade me atrai. Acho importante essa desglamourização para glamourizar. Descontrói-se o espaço sofisticado para dar mais sofisticação ao conteudo dos espaços sofisticados.




O que sugere para divulgar a arte em nosso meio?


Eu voto por uma democracia maior do acesso à arte. Deveriam falar bem da arte contemporânea na televisão, ensinar através da novela o porquê apreciar e colecionar arte, Sugiro a publicação diária de uma obra de arte de artistas diferentes nos jornais. Falam muito mal do Romero Brito, mas é um cara que faz isso muito bem. Mesmo que não conhece arte, conhece aqule abraço infantil dele. Ele produz caneca, caderno, enfeites... Outro cara é o Karin Rashid, expõe no mundo todo sempre com coisas novas. Sugiro que os artistas comecem a pensar no mercado sem preconceito ou medo. Criar objetos e fazer auto-promoção. A turma do grafite começou com essa coisa de criar utilitários com aplicação de sua arte. Em dez anos, o grafite saiu da sargete para as galerias internacionais. Creio ser o caminho, criar meios para disseminar as idéias, e os meios existentes só tem que ajustar o olhar sobre a arte contemporânea. A novela com o macaco pintor foi uma injúria pública aos artistas e à arte contemporânea. Precisamos de um personagem para estimular as pessoas a entenderem a importância de ver e ter arte.






Fernando, como você se mantém atualizado?


Nunca devemos para de estudar. Sempre lendo, sempre ouvindo, Não adianta tero oráculo (Googke) e não saber o que procurar. A internet é o melhor meio para se atualizar, mas nunca deixo os livros de lado.



Existem outras atividades influenciadoras da visão do artista?


Tudo influencia. O artista é uma antena sem on/off - sempre ligada. Toda atividade que ele exerce o leva a pensar em arte. Tudo visto é armazenado e processado. A visão do artista é um mosaico-fluido, irreverente, surpreendente, às vezes...assustador. O artista não tem visão, tem visões. Hoje, posso afirmar algo e, amanhã me desdizer que tudo continua certo, "como dois e dois são cinco". Aproveitamos tudo ao nosso redor. Somos transformadores alimentados pela vontade de mudar aquil que não sabemos o que é, mas sabemos que poderia ser melhor.






Quais são seus planos para o futuro?


Produzir muito. Mercado internacinal.



Fernando, agradeço a bela entrevista e a sua disposição de se mostrar por inteiro.












































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Maurizio Cattelan

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